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30.3.16

Um beijo e um adeus

Um beijo e um adeus

Hoje aqui em casa, recebemos a triste notícia da morte da avó da minha esposa. Foram vinte e tantos dias internada, dois dias em coma, e na tarde deste dia ela descansou. Fico bastante abalado de descrever esta crônica, pois ela era uma pessoa bem presente nas nossas vidas, vizinha de muro.
Ontem já se cogitava a morte, e minha sogra foi na casa dela e separou um conjunto vermelho de seda que ela pediu para se fosse morrer utilizar.
-Eu nem sei o que comentar, ela foi cedo, agora neste momento que escrevo estão preparando a igreja para o velório. É algo que não se quer acostumar.Quando o fato ocorreu fui no hospital e estava o marido enlutado, e perguntei a ele: -Quanto tempo casado? São cinquenta anos filho, e o viúvo desolado sem chão na frente daquele hospital.
A vida é passageira, a gente sente este triste gosto, quando a morte vem bem próximo da gente. Hoje me sinto assim. Dias atrás fui no hospital, foi o primeiro encontro em uma UTI até descrevi aqui no blog. Fiz a leitura do Salmos 91 orei, acreditava no milagre, ela estava lúcida e chorou ao escutar a oração, mesmo sendo totalmente desaconselhável fazer o que fiz, -o fiz. Beijei sua testa, senti algo inexplicável e hoje descrevo que aquele foi o meu Adeus.

Segunda parte

Voltei aqui para finalizar este post, estava na igreja onde ela esta sendo velada. No meio o caixão, quatro cadeiras, minha sogra e duas irmãs. Sentei em um banco destes típicos de igreja pequena, de madeira, ao lado do viúvo, tentei trocar alguma conversa, mas observei que o velório é o silêncio que reina. Naquele silêncio a gente pensa na vida. E ao sentar e olhar aquele caixão com aquela senhora sendo velada senti a vida bem vívida nos pensamentos.
Naquele caixão tinha um pano daqueles que os irmãos da congregação usam para fazer o véu. aquele pano delicado servia de proteção para os mosquitos indesejáveis que estavam perambulando por ali, seu sentimento leitor deve ser de que os mosquitos eram aqueles atraídos pela luz, voavam na lampada e logo caiam ali e passeavam. Levantei e fui ver a senhora de perto.
E naquele instante um inoportuno adentrou naquele véu e foi ao rosto da senhora. Minha sogra delicadamente retirou o véu [que cobria o corpo de modo delicado] e tirou aquele mosquito. voltando a contemplar a sua mãe gelada e estática naquele caixão.
A primeira coisa que pensava: -A senhora esta incomodada com o mosquito passeando no seu rosto, logo repensava o absurdo, ela esta morta. E voltava a questionar meus pensamentos. Morta? É uma sensação surreal isto.
O segundo pensamento foi sobre a vida, o sopro de vida. E é disto que gostaria de deixar registrado com esta analogia. Os mosquitos daqueles que ficam na luz, voavam e pousavam a mulher os retiravam esmagando um ou outro, onde existia vida logo não haveria mais. Um só instante e a vida o movimento o ir e vir era também finalizado naquele momento.
-Como é maravilhoso Deus, que dá a vida e o ato tão complexo de existir acaba. Este foi meu pensamento análago naquele ato, claro que é um pensamento intimo, quase proibido. E não quero leitor que pense que é uma comparação é uma relação.
Saiba que a vida é preciosa cada ato aproveite pois o sopro a Deus pertence.


Crônicas de um Velho Jovem

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