O Vovô, a Pamonha e o Marketing Digital "Raiz"
No último sábado, dia 21/02, fui ao Supermercado Talevi com uma missão simples: comprar uma bandejinha de fígado. Como o ser humano é bicho previsível, saí de lá não só com o fígado, mas com um balde de plástico debaixo do braço — o famoso "comprei por puro impulso".
Mas o que realmente me fisgou não estava nas prateleiras organizadas do mercado. Estava na porta.
Ali, sentado de forma resiliente, estava um senhor. Aparentava seus oitenta anos, tentando a sorte nas vendas com uma caixa térmica e uma placa de forro PVC cortada à mão. O anúncio era rústico: 3 por 25 reais. A mercadoria? Pamonha.
Do Prompt para a Prática
Aquela imagem da placa improvisada não saía da minha cabeça. Pensei na minha esposa, que tem uma gráfica modesta em casa, e na facilidade que temos hoje de criar algo visualmente atraente. "Vou fazer uma propaganda para ele", decidi.
Eram 10h da manhã. Recorri à inteligência artificial para me ajudar no design. O primeiro resultado do chat ficou meio estranho, meio "corporativo" demais. Readequei o prompt, pedi algo mais lúdico, mais humano. Nasceu a "Pamonha do Vovô".
Imprimi, plastifiquei e colei em placas de forro PVC (mantendo a essência do material original, mas com um upgrade visual). Fiz dois tamanhos: um A4 básico e outro com o dobro do tamanho, ostentando o preço e um logotipo simpático.
A Entrega e o "Bug" no Sistema
Perto do meio-dia, fui com a minha filha Thauany entregar o presente. Quando chegamos, o senhorzinho, com a simplicidade de quem já viu de tudo nessa vida, perguntou logo o preço.
— "Quanto é?" — "Nada, é um presente!" — respondi.
Tirei uma foto rápida com a Thauany para registrar o momento (confesso que me senti até um pouco "abusado" fazendo isso, pois a intenção nunca foi autopromoção, mas o registro da alegria dele). Ele nos contou que só restavam duas pamonhas e que já estava quase encerrando o expediente.
A Lição do Sábado
Saí de lá na minha Biz com uma sensação curiosa. Olhei pelo retrovisor e tive a impressão de que ele talvez não tenha entendido direito o que era aquele pedaço de plástico colorido. Para ele, a placa de PVC escrita à mão já cumpria sua função há décadas.
Eu, com meu "marketing moderno", tentei dar uma roupagem nova ao negócio dele. Ele, com sua sabedoria de oitenta anos, talvez estivesse mais preocupado com as duas últimas pamonhas do que com a identidade visual da marca.
No fim, eu não comprei a pamonha (tenho um medo terrível de comer fora e passar mal, admito!), mas levei para casa a lembrança de um encontro de gerações e ferramentas. Eu com meu GPT e minha gráfica; ele com sua caixa térmica e sua persistência.
Eu tentei. E, honestamente? Faria de novo. 😂
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