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Horrores da Primeira Guerra mundial




O soldado John estava encolhido em uma trincheira fétida na França, durante a Primeira Guerra Mundial. Seu corpo doía com o impacto de uma bala perdida que o atingiu no ombro, e sua mente estava em um estado de pânico constante. O som de tiros e bombas nunca cessava, e ele sabia que a morte estava sempre à espreita.

A noite estava particularmente silenciosa, com apenas o som de seus próprios gemidos ecoando pelas paredes de lama da trincheira. Foi então que ele ouviu um som diferente - o arrastar de pequenas patas em algum lugar próximo. Ele sacou sua arma e procurou em volta, mas não conseguiu encontrar a fonte do barulho.

Foi só quando ele se mexeu que viu o que o estava ameaçando - um rato grande e gordo com olhos cintilantes, pronto para atacar. John tentou se afastar, mas estava tão fraco devido ao ferimento que mal conseguia se mover. O rato se aproximou, roendo e rasgando sua roupa, e John sabia que estava lutando por sua vida.

Ao redor deles, os cadáveres de outros soldados pareciam observar impotentes, enquanto John lutava desesperadamente contra o rato. A criatura parecia ter crescido em tamanho e ferocidade, e John se viu incapaz de lutar contra ela. Ele tentou bater no animal com a coronha de sua arma, mas não foi páreo para sua agilidade e astúcia.

No final, John sucumbiu ao cansaço e à perda de sangue, enquanto o rato continuava a devorá-lo. Seus gritos de agonia ecoaram pelas trincheiras, mas não havia ninguém para ajudá-lo. Ele morreu sozinho, cercado por cadáveres e uma criatura horrível que o tinha como presa fácil.

Embora a história possa parecer fictícia, é verdade que ratos e outras pragas eram um problema real nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Eles se alimentavam de restos de comida e cadáveres humanos, e muitas vezes eram portadores de doenças. A guerra era uma batalha constante não apenas contra os inimigos visíveis, mas também contra os perigos invisíveis e insalubres que cercavam os soldados.

Como foi a Primeira Guerra Mundial?

A Primeira Guerra Mundial foi um conflito global que durou de 1914 a 1918, envolvendo as principais potências mundiais da época, incluindo a Alemanha, Áustria-Hungria, Império Otomano, Itália, França, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos.

As causas da guerra incluíram tensões políticas e econômicas entre as nações europeias, disputas territoriais e o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, pelo nacionalista sérvio Gavrilo Princip. A partir daí, uma série de alianças e acordos internacionais levou a um conflito que se espalhou por toda a Europa e se transformou em uma guerra global.

A guerra foi caracterizada por uma série de batalhas sangrentas e brutais, incluindo as batalhas de Marne, Verdun, Somme e Passchendaele. A tecnologia militar moderna, como metralhadoras, tanques, aviões e gás venenoso, foi usada pela primeira vez em larga escala, resultando em um enorme número de mortos e feridos.

A guerra também teve impactos significativos na sociedade e na política, incluindo a queda das monarquias alemã, austro-húngara, russa e otomana, bem como o surgimento de novas nações, como a Tchecoslováquia e a Iugoslávia. A guerra também levou a mudanças políticas e sociais significativas em todo o mundo, incluindo o crescimento do movimento feminista e trabalhista.

A Primeira Guerra Mundial terminou em 11 de novembro de 1918, com a assinatura do Armistício de Compiègne. A guerra deixou mais de 16 milhões de mortos e 21 milhões de feridos, além de ter causado grande devastação econômica em toda a Europa. O tratado de Versalhes, assinado em 1919, estabeleceu as condições de paz, mas também estabeleceu as bases para a Segunda Guerra Mundial, que começou em 1939.

Manuscritos de um viajante do tempo

Meu pai sempre com uma obsessão por relógios antigos e viagem no tempo. Eu por Edgar Allan Poe. Ele um relojoeiro, de antiguidades, e eu prestes a me formar em Física.
A minha infância inteira observei meu pai dentro daquela oficina, antiga e empoeirada, montando preciosidades que não contrastam com o nosso tempo.
No projetor que era representado na mesa, assistia minhas séries. A tristeza de crescer sem um pai presente era suprida pela vida stream e também por livros, que lia no meu outro projetor holográfico, que outrora utilizava na mão.
- Filho, já vai substituir estes aparelhos obsoletos, pelos Nanobots que o governo irá disponibilizar. Ouviu Miro?
Não adiantava, meu pai estava obcecado. Ele queria provar uma teoria maluca, que teve em um sonho: Uma máquina do tempo.
Antes de ir à escola passava na frente da sua oficina, que era em um cômodo da nossa casa. Tentava um sorriso, um esboço de sentimento. Nada. Ele ficava em devaneio na frente daquelas minúsculas peças.
- Só mais um rubi encaixado nesta engrenagem, alinhada com o balanço, eu sei que é isto eu vi!
Fiquei a observar a decepção.
- Droga!
E mais uma vez desmontava para montar de novo aquele relógio de bolso.
- Eu sei que é um alinhamento - ele disse. Me olhou de soslaio e voltou a sua intensa rotina de buscar por aquela utopia.
- Deixe-o, vá estudar, até parece que esta perdendo o juízo - minha mãe interrompeu.
O estudo me tornou em um Físico. Alinhamento de prisma foi o meu trabalho de conclusão de curso. Quando retornei da capital já era homem feito e o conceito Nanobots foi implantado à população. Era uma nanotecnologia que inseriria ao cidadão a uma Neuronet. Para isto, era aplicada na corrente sanguínea uma microscópica tecnologia através de um transmissor temporal (nas têmporas). Deste modo, tu terias a possibilidade de utilizar um sensor na pupila, que lhe traria informações advindas de Neuronet.
Agora eu era um cara moderno, estava conectado; minhas leituras e experiências estavam turbinadas!
Meu pai? Bem, não aceitou a tecnologia, e o seu objetivo de vida, utópico, até mesmo neste tempo de progresso. Foi deslocado a um manicômio onde pessoas que não se adaptavam ao novo eram enviadas. Mas não era somente a adaptação que lhe fez ir para lá. Era a obsessão por raridade, e por um sonho que como disse era um sonho: Viajar no tempo.
Olho na mesa, permanecia naquele local o transmissor temporal que ele não aceitou, guardei no bolso, iria vender, e ganhar algum crédito adiante.
Fui a sua oficina. Olhei com nostalgia e busquei aquele relógio de bolso antigo que ele tanto trabalhara, pois iria levar comigo. Minha mãe já não estava entre nós. Precisava seguir meu rumo.
Encontrei e guardei as peças. Por tanto observar saberia montar e iria guardar para recordar.
Em casa, antes de dormir, minha obsessão por Poe continuava. Tentei dormir, mas o sono não vinha. E eu lia. Como lia! Tentava entender o porquê de alguém tão talentoso nunca ter escrito um romance?
Agora, no meu apartamento, utilizo o meu visor óptico escolhendo um arquivo de informações, iria lidar com o relógio. Não encontrei, era muito obsoleto. Nem na Neuronet encontrava algo para fazer tal proeza.
Sentei à mesa e desmontei-o completamente. Peças minúsculas e um pequeno rubi. Lembrei-me do meu artigo. Alinhamento de prismas. "Vou montar e colocar os meus conceitos em ação como um souvenir neste relógio.", pensei. Deste modo, no meu novo emprego iria olhar para o relógio e para o meu trabalho de conclusão. Lembrarei, assim, de fatos importantes para minha vida.
Saí e busquei duas gemas pequenas. Era o que faltava.
- Agora um rubi, um diamante e uma esmeralda.
Comecei montar as peças daquele minúsculo quebra cabeça, o visor óptico ajudou, pois acessei uma lente de aumento microscópica e com muito cuidado coloquei o balanço.
Feito isso, bastava colocar o meu conceito de alinhamento de prisma em Ação. Segundo meu estudo, formular um alinhamento entre três pedras e em um momento exato de feixe de luz tornaria uma fusão de espectros, trazendo, deste modo, uma passagem temporal. Os cálculos foram convincentes, a ponto de receber nota máxima no curso. Todavia era agora que iria colocar em prática.
Pronto! O alinhamento foi feito, um triângulo exato, montado naquele relógio. Precisava de mais cálculos para saber qual seria o momento exato do feixe de luz solar deveria reincidir naquele relógio com o meu conceito inserido nele.
Dormi. Fui ao meu novo emprego, havia muita coisa burocrática e comecei a pensar naquele relógio em casa. "Serei eu o próximo obcecado por relógios antigos e máquinas do tempo?", pensava.
- Máquinas do tempo?
Deixei o meu trabalho de lado, fui ao banheiro, acessei a Neuronet, e comecei a fazer cálculos. Revisei todo o meu artigo e fiquei entusiasmado, pareceu-me que as informações fluíram.
- Preciso visita-lo.
E fui.
Era um local horrendo, as pessoas ficavam expostas em jaulas cibernéticas. Meu pai estava lá, mas não me reconheceu.
- Eu tenho certeza, eu sonhei, é possível - balbuciava ele.
Já em casa, triste, voltei a ler Poe, tentando esquecer a cena. Coloquei a mão no bolso, ainda estava lá o aparelho temporal que meu pai não instalou e pequenas gemas que sobraram.
Acessei a sala e voltei ao meu projeto de alinhamento do prisma.
- Era um feixe de luz, em um momento exato, era este o enigma. E tinha absoluta certeza que descobrira a charada.
Acertei! Quando exatos ao meio dia coloquei aquele triângulo com um calculo perfeito, tanto das gemas como do tamanho em si, esperando que o que tanto estudara, fizesse efeito.
E fez. Na parede daquela sala. Uma espécie de arco-íris abriu-se. E nele um vulto escuro. Peguei aquele relógio vintage e coloquei duas horas atrás.
-É isto!
Entrei naquele prisma e voltei para exatamente duas horas antes dos acontecimentos! Só que eu precisava ser mais preciso. Voltei ao relógio, mas dessa vez coloquei um calendário milenar e informações de localização. Sofri dias com isto, pois eram peças pequenas e uma engrenagem analógica. Tive que criar com uma impressora 3D muitas peças, até faltei ao trabalho.
Do que importava? Era ousado e fantástico o conceito. A minha obsessão por Poe, era tão grande que a data foi no seu tempo. Ao colocar longitude e latitude, iria para o local onde queria.
Abri o prisma. Precisava me jogar, sem saber exatamente se estaria correto. Poderia morrer ao lançar-me naquela parede! Mas, se deu certo anteriormente... Precisava tentar.
E deste modo fui conhecer Edgar Allan Poe!
1
Quando me joguei naquela fenda nunca imaginei o que iria acontecer. Estava agora em meio a um temporal de imagens e sentia meu corpo reluzir, coisas de segundos, que me pareceram horas.
Notei que estava em queda livre. Quando caí, acordei um mendigo daquele local. Era uma rua, mais precisamente um beco.
- Não se pode nem dormir sossegado!
Era noite. Iluminava a cidade algumas candeias que não representava o todo da cidade. Era um breu.
- Tu caíste do céu? - disse o mendigo que parecia bêbado. - Ah, deixa pra lá, bebi demais preciso dormir.
Meu corpo estava dolorido. Levantei e observei que a minha roupa não era apropriada, uma espécie de elastano termica, que se adaptava ao ambiente. Precisava sair daquele local, mas com aquela roupa não.
O mendigo continuava a dormir.
Eu averiguei que meu relógio de bolso estava intacto, e no outro bolso estava com o projeto temporal do meu pai e algumas pequenas gemas extras que tinha trazido comigo. No meu tempo o diamante era manipulado, sendo corriqueiro e muito utilizado em equipamentos tecnológicos, bem como outras gemas também.
Olhei aquele mendigo fedido e entendi ser aquela, a roupa perfeita para perambular por aquele local em busca de Poe. Com muito custo acordei o tal.
- Preciso das tuas roupas. Trocaria por isto?
- Vale algum, este cristal?
- É um diamante, e dos bons - disse, aproximando-me do seu ouvido, que fedia a alguma bebida daquela época.
Tive que ficar pelado e ver aquele ser bizarro na sua intimidade. Quando ele vestiu as minhas roupas sentiu um estranhamento, pois ela aderira a pele de modo perfeito.
- Epa, coisa de bruxo isto! - disso o mendigo. Saiu com o cristal, que estaria com a vida ganha: beberia até morrer de cirrose e desfrutaria de belas mulheres.
Agora eu caminhava sem sentido certo, estava me habituando com a temperatura. Era bem estranho sentir frio e a roupa estava rasgada, suja e fedia a rato podre.
Pelos meus estudos, estava perto da casa do Poe. Meu plano era encontrar com ele, dar-lhe uma sugestão de livro, ou até mesmo oferecer-lhe a oportunidade de ir ao futuro para encontrar algo interessante para narrar, e voltar para o meu emprego chato de repartição.
Em uma taverna próxima, ouço socos, garrafas quebrando e muita confusão. Logo depois vejo uma correria com um homem usando um sobretudo preto e chapéu da moda. Senti medo! Peguei aquela coberta, deitei no chão, me cobri e fiquei a espionar o sucedido.
Eu, com os 22 anos de idade, e olhei para o relógio averiguando a data, adentrei na neuronet que misteriosamente funcionava, acessando meu sensor óptico e fiz alguns cálculos. Edgar Allan Poe estaria com vinte e cinco, era um jovem assim que eu encontraria.
A gritaria continuava. Parei de acessar, achei que poderia arrancar suspeitas. O tumulto estava vindo para o meu lado.
- Peguem este patife ladrão - alguém de sobretudo preto estava sendo jogado justamente onde eu estava.
Quando olhei, meu mundo que já estava bem abalado desmoronou. Eu o imaginava a partir de fotos, mas na minha frente, com um pequeno sangramento no supercílio, vi alguém muito parecido a mim.
- Poe, ladrão de cartas, vai ter que pagar - o outro dizia.
Olhos assustados agora viam duas pessoas muito parecidas.
- Bruxaria - gritou um, de longe. Ao escutarem um bater de asas de longe, todos saíram correndo.
Estávamos eu e ele frente a frente.
2
Quando os vândalos se dispersaram entendi, ao ver em um telhado próximo, um corvo com olhos vívidos que pousou e ficou a nos observar. Poe sentava na rua, colocando a mão no machucado. Tinha um olhar sombrio e assustador.
- Este animal me persegue - pegou um lenço no bolso e olhou para a ave. - Nunca mais serei o mesmo depois deste corte.
Ele me olhava, mas não sei se havia percebido a semelhança.
- O que foi? Parece que viu um fantasma! O que é isto? - Esqueci-me de disfarçar o projetil que me permitia acessar a neuronet. - É mudo ou o quê? Salvaste a minha vida, merece um rum.
Fomos a casa dele e tive outro encontro que arrepiou meus braços por completo. Um gato, com um instinto assustador, me olhou, passou as patas em mim e voltou ao seu dono.
- Parece que ela gostou de você. - Ele sentou na cadeira e acendeu um cachimbo. - Fale alguma coisa, és mudo?
Serviu-me uma bebida. Em um gole só tentei digeri-la. Cuspi, no futuro não era permitido álcool, ainda mais com aquele teor. A gata preta miou e Poe, já recuperado do ferimento, riu. Eu disse:
- Meu Deus! - eu disse.
- Pelo menos não é mudo - respondeu. - O que quer de mim?
- Sou do futuro, vim ajudar-te com o seu livro.
3
Pensei que o homem me chamaria de louco ou coisa assim.
- Como? - disse ele, tragando seu cachimbo. - Será que até no futuro aquele cretino do Rufus fala de mim? Sou contista, não preciso escrever textos longos para deixar cravado na mente dos leitores meu conceito de arte. A propósito, o que é isto? - Apontou para meu projétil transmissor que estava inserido na minha têmpora.
- É difícil explicar, mas trouxe um extra. Quer usar? - eu respondi.
- É uma a espécie de ópio, que causa alucinação? Pode parecer-te estranho, e a sua conversa me deixa confuso, no entanto, preciso criar, e escrevo de madrugada, não posso estar alucinado, nem sóbrio.
- Quer usar? - repeti. - Com este dispositivo poderás ter todo acesso de informação da Neuronet.
- Neuronet?
Pensei no tempo de Poe. Mesmo que brilhante seria muito complexo explicar conceitos de navegação digital.
- Use-o, parecerá uma sanguessuga fixada na sua testa num primeiro momento, depois sentirá algo estranho, e logo após a magia acontece. Com seus olhos poderá acessar informações de tempos futuros.
Poe levantou, parou de tragar o cachimbo, pegou o transmissor, e disse:
- Dê-me isto aqui, não tenho medo nem de cemitério, quiçá de uma sanguessuga, seu bruxo. - E colocou-o.
Sentou naquela cadeira novamente. Sua pupila dilatou e logo após o sensor óptico estava instalado. Poe ficou em transe, o gato miava desesperado. O felino me olhou com olhos vorazes. E se aproximou de mim de um modo ameaçador. Poe estava degustando de todo o conhecimento de um futuro distante, e aquele gato afiando as garras naquela madeira, vindo em minha direção.
4
Quando o Gato estava se achegando, senti que a morte estava próxima. Aquele gato seria um ser maligno que cravaria suas unhas no meu pescoço por ter feito mal ao seu dono?
Allan saiu do seu transe, de modo assustadoramente natural.
- Catarine, não faça mal ao moço - disse ele. - A propósito me dê o seu dispositivo de viagem no tempo, li os manuscritos que você esta escrevendo. Estava narrando a minha aventura, desde que comecei estas viagens. Realmente, seria bom conhecer o futuro com a tua bruxaria.
Dei-lhe o relógio. Ele olhou falando...
- Tão moderno este aparelho - falou enquanto olhava o objeto. Clicou no botão, girou a coroa e foi. O gato deu duas miadas, o suficiente para voltar. Com o cabelo despenteado e com um rosto esbranquiçado. O excêntrico entoou:
- Vai embora, preciso criar.
O gato parecia um felino e o dono já estava entendendo que lhe parecia um tormento qualquer ver-se duplicado e conversar coisas totalmente sem sentido com um estranho. Retirou o projétil. 
- E leve a sua sanguessuga com você.
Quando voltei, corri ler o romance que escreveu. Decepcionei-me! Com todo o conhecimento em mãos, a oportunidade de viajar para qualquer momento do futuro... O rapaz se viu motivado a narrar um fato real que aconteceu cinquenta anos depois da sua morte?
Ele era muito parecido comigo, isto me deixava intrigado.
Precisava visita-lo mais uma vez, somente mais uma vez, para seguir a minha vida.
Ele estava lá. Eu compreendi do quem se tratava e de um modo bastante ameaçador. Agora, com a consciência em si, meu pai falou:
- Me dê o relógio, eu preciso voltar!
Era ele, meu pai era Edgar Allan Poe. Dei-lhe o relógio e ele se despediu-se de mim com um olhar triste.
Eu? Fui preso naquele manicômio por infligir às leis da Neuronet. Descobriram que de algum modo fiquei offline do sistema. Restando somente o tempo de colocar meus manuscritos em um arquivo criptografar e lança-lo na Neuronet. Depois veio aquela injeção...
2523 Palavras
Crônicas de um Velho Jovem

Missa do Galo, Machado de Assis

Missa do Galo 
Um conto de  Machado de Assis




Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite. 

A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranqüilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito. 

Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar. 

Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver "a missa do galo na Corte". A família recolheu-se à hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa. 

— Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição. 

— Leio, D. Inácia. 

Tinha comigo um romance, Os Três Mosqueteiros, velha tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me à mesa que havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de querosene, enquanto a casa dormia, trepei ainda uma vez ao cavalo magro de D'Artagnan e fui-me às aventuras. Dentro em pouco estava completamente ébrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. Eram uns passos no corredor que ia da sala de visitas à de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição. 

— Ainda não foi? perguntou ela. 

— Não fui, parece que ainda não é meia-noite. 

— Que paciência! 

Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da alcova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, não disparatada com o meu livro de aventuras. Fechei o livro, ela foi sentar-se na cadeira que ficava defronte de mim, perto do canapé. Como eu lhe perguntasse se a havia acordado, sem querer, fazendo barulho, respondeu com presteza: 

— Não! qual! Acordei por acordar. 

Fitei-a um pouco e duvidei da afirmativa. Os olhos não eram de pessoa que acabasse de dormir; pareciam não ter ainda pegado no sono. Essa observação, porém, que valeria alguma cousa em outro espírito, depressa a botei fora, sem advertir que talvez não dormisse justamente por minha causa, e mentisse para me não afligir ou aborrecer Já disse que ela era boa, muito boa. 

— Mas a hora já há de estar próxima, disse eu. 

— Que paciência a sua de esperar acordado, enquanto o vizinho dorme! E esperar sozinho! Não tem medo de almas do outro mundo? Eu cuidei que se assustasse quando me viu. 

— Quando ouvi os passos estranhei: mas a senhora apareceu logo. 

— Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos Mosqueteiros. 

— Justamente: é muito bonito. 

— Gosta de romances? 

— Gosto. 

— Já leu a Moreninha? 

— Do Dr. Macedo? Tenho lá em Mangaratiba. 

— Eu gosto muito de romances, mas leio pouco, por falta de tempo. Que romances é que você tem lido? 

Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns. Conceição ouvia-me com a cabeça reclinada no espaldar, enfiando os olhos por entre as pálpebras meio-cerradas, sem os tirar de mim. De vez em quando passava a língua pelos beiços, para umedecê-los. Quando acabei de falar, não me disse nada; ficamos assim alguns segundos. Em seguida, vi-a endireitar a cabeça, cruzar os dedos e sobre eles pousar o queixo, tendo os cotovelos nos braços da cadeira, tudo sem desviar de mim os grandes olhos espertos. 

"Talvez esteja aborrecida", pensei eu. 

E logo alto: 

— D. Conceição, creio que vão sendo horas, e eu... 

— Não, não, ainda é cedo. Vi agora mesmo o relógio, são onze e meia. Tem tempo. Você, perdendo a noite, é capaz de não dormir de dia? 

— Já tenho feito isso. 

— Eu, não, perdendo uma noite, no outro dia estou que não posso, e, meia hora que seja, hei de passar pelo sono. Mas também estou ficando velha. 

— Que velha o que, D. Conceição? 

Tal foi o calor da minha palavra que a fez sorrir. De costume tinha os gestos demorados e as atitudes tranqüilas; agora, porém, ergueu-se rapidamente, passou para o outro lado da sala e deu alguns passos, entre a janela da rua e a porta do gabinete do marido. Assim, com o desalinho honesto que trazia, dava-me uma impressão singular. Magra embora, tinha não sei que balanço no andar, como quem lhe custa levar o corpo; essa feição nunca me pareceu tão distinta como naquela noite. Parava algumas vezes, examinando um trecho de cortina ou concertando a posição de algum objeto no aparador; afinal deteve-se, ante mim, com a mesa de permeio. Estreito era o círculo das suas idéias; tornou ao espanto de me ver esperar acordado; eu repeti-lhe o que ela sabia, isto é, que nunca ouvira missa do galo na Corte, e não queria perdê-la. 

— É a mesma missa da roça; todas as missas se parecem. 

— Acredito; mas aqui há de haver mais luxo e mais gente também. Olhe, a semana santa na Corte é mais bonita que na roça. S. João não digo, nem Santo Antônio... 

Pouco a pouco, tinha-se reclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muito claros, e menos magros do que se poderiam supor. 

A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que apesar da pouca claridade, podia, contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras cousas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber por que, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos. Os olhos dela não eram bem negros, mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo. Quando eu alteava um pouco a voz, ela reprimia-me: 

— Mais baixo! mamãe pode acordar. 

E não saía daquela posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras. Realmente, não era preciso falar alto para ser ouvido: cochichávamos os dois, eu mais que ela, porque falava mais; ela, às vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. Afinal, cansou, trocou de atitude e de lugar. Deu volta à mesa e veio sentar-se do meu lado, no canapé. Voltei-me e pude ver, a furto, o bico das chinelas; mas foi só o tempo que ela gastou em sentar-se, o roupão era comprido e cobriu-as logo. Recordo-me que eram pretas. Conceição disse baixinho: 

— Mamãe está longe, mas tem o sono muito leve, se acordasse agora, coitada, tão cedo não pegava no sono. 

— Eu também sou assim. 

— O quê? perguntou ela inclinando o corpo, para ouvir melhor. 

Fui sentar-me na cadeira que ficava ao lado do canapé e repeti-lhe a palavra. Riu-se da coincidência; também ela tinha o sono leve; éramos três sonos leves. 

— Há ocasiões em que sou como mamãe, acordando, custa-me dormir outra vez, rolo na cama, à toa, levanto-me, acendo vela, passeio, torno a deitar-me e nada. 

— Foi o que lhe aconteceu hoje. 

— Não, não, atalhou ela. 

Não entendi a negativa; ela pode ser que também não a entendesse. Pegou das pontas do cinto e bateu com elas sobre os joelhos, isto é, o joelho direito, porque acabava de cruzar as pernas. Depois referiu uma história de sonhos, e afirmou-me que só tivera um pesadelo, em criança. Quis saber se eu os tinha. A conversa reatou-se assim lentamente, longamente, sem que eu desse pela hora nem pela rnissa. Quando eu acabava uma narração ou uma explicação, ela inventava outra pergunta ou outra matéria e eu pegava novamente na palavra. De quando em quando, reprimia-me: 

— Mais baixo, mais baixo... 

Havia também umas pausas. Duas outras vezes, pareceu-me que a via dormir; mas os olhos, cerrados por um instante, abriam-se logo sem sono nem fadiga, como se ela os houvesse fechado para ver rnelhor. Uma dessas vezes creio que deu por mim embebido na sua pessoa, e lembra-me que os tornou a fechar, não sei se apressada ou vagarosamente. Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me. Uma das que ainda tenho frescas é que em certa ocasião, ela, que era apenas simpática, ficou linda, ficou lindíssima. Estava de pé, os braços cruzados; eu, em respeito a ela, quis levantar-me; não consentiu, pôs uma das mãos no meu ombro, e obrigou-me a estar sentado. Cuidei que ia dizer alguma cousa; mas estremeceu, como se tivesse um arrepio de frio voltou as costas e foi sentar-se na cadeira, onde me achara lendo. Dali relanceou a vista pelo espelho, que ficava por cima do canapé, falou de duas gravuras que pendiam da parede. 

— Estes quadros estão ficando velhos. Já pedi a Chiquinho para comprar outros. 

Chiquinho era o marido. Os quadros falavam do principal negócio deste homem. Um representava "Cleópatra"; não me recordo o assunto do outro, mas eram mulheres. Vulgares ambos; naquele tempo não me pareciam feios. 

— São bonitos, disse eu. 

— Bonitos são; mas estão manchados. E depois francamente, eu preferia duas imagens, duas santas. Estas são mais próprias para sala de rapaz ou de barbeiro. 

— De barbeiro? A senhora nunca foi a casa de barbeiro. 

— Mas imagino que os fregueses, enquanto esperam, falam de moças e namoros, e naturalmente o dono da casa alegra a vista deles com figuras bonitas. Em casa de família é que não acho próprio. É o que eu penso, mas eu penso muita cousa assim esquisita. Seja o que for, não gosto dos quadros. Eu tenho uma Nossa Senhora da Conceição, minha madrinha, muito bonita; mas é de escultura, não se pode pôr na parede, nem eu quero. Está no meu oratório.

A idéia do oratório trouxe-me a da missa, lembrou-me que podia ser tarde e quis dizê-lo. Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ela contava, com doçura, com graça, com tal moleza que trazia preguiça à minha alma e fazia esquecer a missa e a igreja. Falava das suas devoções de menina e moça. Em seguida referia umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscências de Paquetá, tudo de mistura, quase sem interrupção. Quando cansou do passado, falou do presente, dos negócios da casa, das canseiras de família, que lhe diziam ser muitas, antes de casar, mas não eram nada. Não me contou, mas eu sabia que casara aos vinte e sete anos. 

Já agora não trocava de lugar, como a princípio, e quase não saíra da mesma atitude. Não tinha os grandes olhos compridos, e entrou a olhar à toa para as paredes. 

— Precisamos mudar o papel da sala, disse daí a pouco, como se falasse consigo. 

Concordei, para dizer alguma cousa, para sair da espécie de sono magnético, ou o que quer que era que me tolhia a língua e os sentidos. Queria e não queria acabar a conversação; fazia esforço para arredar os olhos dela, e arredava-os por um sentimento de respeito; mas a idéia de parecer que era aborrecimento, quando não era, levava-me os olhos outra vez para Conceição. A conversa ia morrendo. Na rua, o silêncio era completo. 

Chegamos a ficar por algum tempo, — não posso dizer quanto, — inteiramente calados. O rumor único e escasso, era um roer de camundongo no gabinete, que me acordou daquela espécie de sonolência; quis falar dele, mas não achei modo. Conceição parecia estar devaneando. Subitamente, ouvi uma pancada na janela, do lado de fora, e uma voz que bradava: "Missa do galo! missa do galo!" 

— Aí está o companheiro, disse ela levantando-se. Tem graça; você é que ficou de ir acordá-lo, ele é que vem acordar você. Vá, que hão de ser horas; adeus.

— Já serão horas? perguntei. 

— Naturalmente 

— Missa do galo! — repetiram de fora, batendo. 

— Vá, vá, não se faça esperar. A culpa foi minha. Adeus até amanhã. 

E com o mesmo balanço do corpo, Conceição enfiou pelo corredor dentro, pisando mansinho. Saí à rua e achei o vizinho que esperava. Guiamos dali para a igreja. Durante a missa, a figura de Conceição interpôs-se mais de uma vez, entre mim e o padre; fique isto à conta dos meus dezessete anos. Na manhã seguinte, ao almoço falei da missa do galo e da gente que estava na igreja sem excitar a curiosidade de Conceição. Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo Ano-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido.
Crônicas de um Velho Jovem 

Viagem no tempo: A mãe de Hitler



Dês de que conseguimos manipular a matéria escura, foi possível fazer uma passagem temporal até lugares remotos, através das coordenadas pré dispostas pela história.

Eu, Amélia Sanchez, estou fazendo este relato, da minha tentativa de desenvolver uma coordenada precisa, para enfim fazer a passagem pela fenda que a matéria escura manipulável do nosso laboratório, pareceu-nos possível de controle.

Para manipular tal preciosidade foi disponibilizado um laboratório de pesquisa, em uma redondeza entre a Jordânia e o Mar Morto. O Estado de Israel, que financia a pesquisa, não nos permite aferir precisamente a localização, posso lhe garantir, é bem frio e profundo onde descrevo a você.

Das várias tentativas para precisar uma passagem coerente. A de ontem demonstrou maior acuracidade. Nossa Equipe precisa de um voluntário para transpor a fenda, e enfim: Matar Adolf Hitler.

Serei eu esta voluntária, não posso ofertar a outra pessoa senão a mim tal incumbência, afinal, pode-se desintegrar, tal qual aconteceu com as cobaias por erros de precisão. Preciso confiar na minha pesquisa. Agora estaremos prestes a mudar a história da humanidade.

Dia 354 no alojamento Joseph, hoje é o grande dia, a matéria escura encontra-se instabilizada, podendo finalmente aferir um percurso. Nos dias que antecederam foi possível desenvolver a localização exata para a passagem, acertado também preceitos de espaço e velocidade.

A passagem será assistida em secreto por representantes do governo de Israel e Estados Unidos, nosso objetivo de matar Adolf Hitler já estão quase sendo concretizadas!

Já estou pronta, tive aulas de etiqueta e comportamento para saber me portar nesta Época tão inóspita e primitiva. Março de 1888 Braunau Áustria. Meu macacão ionizado permitirá a passagem no espaço tempo desta bolha gravitacional que acaba de se formar na frente deste bunker subterrâneo. Confesso que apesar de estar preparada psicologicamente para a passagem, sinto um calafrio inexplicável na espinha.

Antes de entrar nesta bolha retiro com cuidado a estrela de Davi que guardo como pingente no pescoço, beijando-o. Sei que como uma cientista renomada deveria ser neutra perante a religião, todavia sinto que preciso fazer justiça ao meu povo, e hoje a história será reescrita pelos dedos de uma mulher.

Mais uma vez, o meu percurso é repassado. Ao fazer a passagem precisarei ser rápida terei somente 6 horas, antes da desintegração total do meu corpo, se eu não retornar a fenda. A fenda se abre, beijo mais uma vez minha estrela, tiro a foto de Klara Hitler, meu alvo. Preciso mata-la no momento do parto.

Olho para trás, todos me observam daquela redoma de vidro, que é blindada da radiação. Minha roupa ionizada, permite-me a permanência. Olho mais uma vez para trás, penso em desistir, meu marido de longe, faz um sinal para eu ir, Sim serei eu a fazer a história ser reescrita.

Coloco a mão, deveria pular, mas não tenho coragem, através das cobaias sei perfeitamente o efeito que estou sentindo. Um formigamento, ficar entre a fenda e a ponto alvo poderá afetar meu corpo progressivamente e de modo irreversível. Entendo que preciso fazer o impulso e se jogar.

Jogo me ao desconhecido. Meus olhos se fecham e já não vejo nada, coloco as mãos na minha estrela, como um amuleto. Tento abrir meus olhos e não consigo o sentimento é de total descontrole, parece que meus órgãos internos querem explodir neste envolto que me parece uma gelatina negra.

Choques... Meu Deus a fase dos choques! impulsos elétricos acometem o meu corpo. A roupa ionizada absorve grande parte, todavia, ainda os sinto.

A Luz... Meu Deus a luz! preciso fazer um impulso e chegar àquela luz, a passagem se abriu. Não é mito preciso de todos os modos chegar na luz.

Coloco a minha mão e ela transpõe a passagem, sim estou no outro lado do espaço tempo, prestes a fazer a minha missão. Fecho os olhos estou exausta, tantos treinamentos para suportar a passagem de nada servirão, pois meu corpo doí, preciso descansar.

Abro meus olhos.

Estou em uma casa antiga. Teria acertado as coordenadas? Precisava ter acertado. Que dor de cabeça, e o meu corpo? Parece que colidi com um carro, tudo dói, preciso fechar os olhos e descansar.

Abro novamente, estou em uma cama, parece que as minhas roupas se foram, preciso descobrir onde esta o meu macacão. Meu tempo esta correndo, se quiser que a missão tenha sucesso, não permito-me descansar. Quem abre a porta?

Ela a mulher alvo com o seu perfeito alemão.
— Schließlich wachte das Mädchen auf!

Era ela Klara, ligeiramente grávida prestes a dar a luz a Adolf Hitler. Precisava levantar da minha cama urgentemente e matá-la.




A Semente

Vida na prostituição tem destas coisas. Por mais que você tente se precaver, uma ou outra vez você falha.

Dizia a minha cafetã, que tanto preservava pela nossa "integridade" queria moças belas e sem barriga para poder servir aos clientes.

— Você esta atrasada não é? Eu sei, amiga, não adianta esconder você esta grávida - dizia a minha companheira de quarto neste bordel.

E foram meses e meses escondendo o inevitável, realmente era gravidez. Tentei de todos os modos abortar por conta própria, mas não consegui.

Agora com o endereço em mãos e uma gestação de três meses, preciso resolver este problema e urgente, a vida de prostituta não pode ser paralisada por uma barriga.

Olho para a fila e já esta chegando a minha vez. Espero que seja rápido e indolor.
Quando entrei na Clínica clandestina assustei com o modo que tratam as moças, é o que tenho para pagar, mas precisava ser tão rústico isto?

Fiz uns exames, e a hora do aborto chegou. Preciso ser rápida, a noite necessito voltar a atender os clientes e a minha cafetina não precisa saber do meu deslize.

O Doutor olhou para o meu exame, conversou com duas pessoas e me convidou para entrar em outra sala.

— Eita, isto não esta me cheirando coisa boa não. 
— Espere aqui, seu caso é um pouco diferente das demais.

Ao adentrar sentei no sofá que era branco e agora parecia-me em outra Clínica, bem mais moderna do que o muquifo que eu estava.
Uma mulher muito elegante com corte de cabelo channel veio e disse-me:

— Sua genética é rara mocinha, auto imune de várias doenças inclusive venéreas, até mesmo a Aids e o Ebola você é auto imune.

Eu sabia que não pegava resfriado fácil, todavia, Aids? Era demais.
Eu só quero abortar esta criança e voltar para o meu bordel senhorita. E já paguei o procedimento, logo, faça-o preciso voltar para o meu trampo.

— Você gosta de dinheiro não é?
— Claro, é necessário.
— Você nos venderia a sua criança?
— Vender criança? Seria a maluca uma fumante ou drogada? Precisava tirar de mim logo isto aqui.
— Não estou interessada, preciso tirar. O povinho que eu lido, não admite barriga, viu? E até podem me matar, povinho de gueto é deste tipo. Preciso fazer logo o procedimento.

Ela sorriu, veio e passou a mão no meu cabelo, que estava detonado devido a tanta tinta que eu colocava nele.

— É pra tirar queridinha, mas vivo seu filho para um experimento.





Foi assustador! O que veio depois? Meu filho foi retirado de mim, voltei ilesa para o bordel, e parecia que nem tinha passado por aquela espécie de sucção. Estava com o corpo tão bem delineado quanto dos dias de que não estava embuxada.

Entretanto eu acompanhei o processo e vezes por semana visitava um  laboratório, afim de observar o meu embrião crescer.

— Seu filho é a esperança da humanidade, dizia a Doutora que se afeiçoou por mim.
​​​​​​​
Olhava na redoma de vidro meu filho tomando líquidos que eram para ser dados pelo meu ventre.

Depois de todos os testes, fui liberada, meu filho e mais alguns filhos de: prostitutas, mulheres camponesas, e diversas outra mulheres do mundo. Foram "embrionados" naquele laboratório.

O anúncio veio. E assustou a todos os moradores da Terra. A rota de colisão era inevitável.

Os embriões foram lançados ao espaço no projeto Gênesis. Somente crianças com uma genética privilegiada sobreviveriam a criogênia.

Iriam desbravar o Universo até o seu local destino. Um planeta que já estava sendo disposto para os novos moradores.

Robôs artificias, com a tecnologia de impressão 3D faziam a nova casa, no local distante.

Quando o grande dia do Apocalipse da Terra chegou, eu sorri, pois soube que através do meu filho, a vida continuaria.



Cloverfield Paradox

 Cloverfield Paradox

Notas do autor:
Para iniciar o meu Micro conto, baseado em um filme, nem tanto famoso, porem a mim conceitual, vou descrever umas pesquisas, do que ao longo do corpo do texto, (será rápido e breve) falo destes conceitos. (fusão atomica já esta sendo testada por países como China, USA e Coreia do Sul.
Meu exercício ao escrever FC e confesso a você leitor estar aprendendo. É observar conceitos e aplica-los em uma narrativa. Neste Micro conto vou utilizar de 3 conceitos segue:


01. Propulsão, fusão nuclear
Para sustentar um reator de fusão, o plasma de hidrogênio utilizado como combustível deve ser confinado. A mais promissora forma de configuração para este confinamento é o chamado tokamak , uma forma de confinamento magnético de fusão nuclear. Atualmente, os geradores do tipo tokamak pesam mais ou menos como um navio petroleiro

Em resumo é: O Sol no seu interior, faz-se o processo de Fusão nuclear, um propulsor nuclear faria o que o Sol faz para gerar energia. (resumidamente).





2. Elevador Espacial

Um elevador espacial é uma estrutura teórica destinada a transportar carga da superfície de um planeta para o espaço.

A proposta mais comum trata de um cabo, ou fita, que vai da superfície do planeta até além da órbita geossíncrona. O cabo seria mantido em posição pela força centrífuga resultante da rotação do planeta. A carga seria então colocada em órbita por veículos que subiriam e desceriam pelo cabo, sem precisar de motores de foguete para tal. Este tipo de estrutura permitiria que grandes quantidades de carga e pessoal fossem colocados em órbita a uma fração do custo de colocar uma carga em órbita usando métodos tradicionais.


O terceiro conceito eu não vou contar, vou deixar como exercício para você leitor. Bora ler o micro conto?


Título: Cloverfield Paradox

Vivemos em meio ao caos, nossa energia já era. Claro, sugamos todo o combustível fóssil da Terra.

Eu, Jonatham Smith, irei ao espaço. Na nossa equipe; a solução para o caos aqui instaurado.

O Elevador Espacial foi necessário, afinal o que iremos desbravar:

— É ousado,
— É revolucionário,
Entretanto, nossas vidas depende disto; então:
— É necessário.

Quando eu estiver em orbita, precisarei unir-me a equipe de cientistas para o dia D da humanidade.

Foram décadas de uma construção constante. Agora o propulsor irá fazer a fusão nuclear, energia limpa e inesgotável. Os problemas que destoam um caos coletivo finalmente tornar-se-á coisa do passado.

— Minha função? Acompanhar a partida do reator que por motivos óbvios foi feito em local seguro: No espaço.

No conforto da minha cadeira, já na Estação Espacial internacional. Monitoro de longe os preparativos.
— Os preparativos? Amplamente simulado o gatilho inicial. Nada pode dar errado. Nada! ...
— Acalme-se Smith - dizia um companheiro ao lado — Iremos ganhar a nossa gratificação pelo serviço de alta periculosidade. Isto é certo.

Os painéis de controle mostravam as coordenadas.
A gravidade artificial oferece-me a falsa sensação de conforto.

Contagem regressiva. Anos de treinamento, tudo certo, preciso de auto controle. “Como a fusão de dois átomos de deritério poderia deixar-me a ponto de ter um ataque de nervos?”

Contagem regressiva para o gatilho: Tokamaki.
— Dez, nove, oito, sete, seis (esperem algo esta Errado) cinco, quatro, três (Meu Deus, abortar a partida) dois um.

A luz;
O clarão e o calor...

O insuportável ao ser humano... Estou morto, eu sei, eu sinto e isto é certo... “Mas como posso pensar se estou morto?”

Olho para a frente. A escuridão do espaço esta no mesmo lugar.
O reator não.
Meu corpo e a Estação Espacial, estão perfeitos!
No entanto os tripulantes sumiram...

Olho ao vidro que reflete o meu rosto, no meu até então confortável banco e leio com perfeição. E isto faz eu entrar em desespero. Como em um espelho o meu reflexo. Com letras perfeitas, leio: NASA.


Baseado no filme: #cloverfieldparadox
Fonte das pesquisas e imagens, Wikipédia

O Canário



Um conto inédito sobre a pandemia.




O Canário 
Um conto escrito por Waldryano



Minha vida, como posso sobreviver. Só quarenta anos. Quarentena. É demais para a minha cabeça o silêncio de uma casa, preciso respirar. Entretanto, até mesmo o respirar não é tão aceitável. Afinal, máscaras sufocam. E gaiolas prendem. Deste modo.

Foi assim que eu o conheci, estava a espairecer, mesmo sem poder, passeando em uma rua deserta, poucas lojas abertas, somente as essenciais. Um agro é algo essencial. Então, foi neste lugar que ao passar, o vi.

Estava preso tal como eu na minha máscara. Era belo, cantava. Olhava para o seu horizonte cantando. Pensei assim: "— Te quero!"

O meu querer era egoísta. Um pássaro com sua jovialidade e plumagem de um amarelo vívido ficaria bem na minha sacada. A tristeza de uma quarentena sem ninguém, seria substituída por um companheiro fiel e verdadeiro.

Perguntei ao dono quanto era o preço. A venda casada de sempre a gaiola e o pássaro. Ele foi para o depósito buscar o alpiste. E ele me olhou e disse:

— Irás me levar?

Olhei para os lados. Procurando quem falava, certamente não era um pássaro, como poderia?

— Ei, rapaz estou falando com você, já estou entediado de olhar para estas paredes, preciso de mais espaço. Aquele gato não para de miar, o cachorro fica a latir. Não aguento mais ficar aqui preso me leve!

O dono do Agro voltou com o pacote de alpiste. Ele me analisou e viu um fio de suor cair pela têmpora e perguntou:

— Esta tudo bem contigo?

Respondi, rapidamente:

— Sim, sim. Peguei a gaiola, o pássaro e o alpiste. O homem pediu para eu passar álcool em gel na mão. Não entendi, este desespero de passar álcool em gel, no caso daquele estabelecimento o dono obrigava colocar na saída do local. Voltando de modo rápido para a minha casa não encontrava ninguém, realmente a minha saída parecia totalmente desnecessária.

— Mas quem aguenta? Confesso que no caminho olhava para a gaiola tentando compreender o porquê daquela fala estranha e sem nexo. Não ouvi fala, e sim um tentar cantar do canário assustado.

Quando dentro do carro, o guarda averiguou a placa, era a permitida para o rodízio a impar, tudo certo, mediu minha temperatura, realmente não estava com febre. Olhei para trás no banco e o pássaro continuava quieto. 

Na portaria o seu Jorge, zelador e observador disse:

— Morador novo!

Saí do carro, peguei a gaiola com o pássaro e o pacote de alpiste.

Antes de subir para o meu andar, o zelador veio com mais álcool em gel, e relembrou me que precisava arrumar a máscara.
Depois de deixá-lo, observei que o zeloso foi limpar tudo que eu tocara.

No corredor, a senhora que não lembro o nome, abriu rapidamente a porta, ao observar que não era o possível entregador que esperava fechou se para dentro do seu apartamento. Senti o barulho, e o pássaro também se agitou. Falei assim:

— Calma sua casa é logo ali.

Confesso que esperei dialogar com ele de novo. Pareceu-me real a nossa conversa anterior, estávamos sozinhos, ele sem problema nenhum poderia concordar comigo e dizer: "Velha chata", mas nada, eram somente piados e um pular de puleirinho ao puleirinho. Já estava em casa.

Entrei deixei o pacote de alpiste no sofá, e a gaiola na mesa, precisava encontrar o local correto para o novo morador. Abri as janelas, o cheiro de mofo impregnava o ambiente. Pensei:

"— Posso deixá-lo aqui na cozinha, o lugar mais habitado da casa." Neste instante lembrei que precisava perder a minha barriga. 

Foi a decisão mais acertada. Com furadeira em mãos fiz a colocação do parafuso. Quando escutou o barulho o pássaro se agitava assustado. Vi que lhe faltava água, fui lá e coloquei. Ao terminar e posicioná-lo na parede, enfim, fui fazer algo para comer.

A água fervia, olhei o pássaro que ficou quieto em todo o tempo. Eu pensava, que loucura da minha parte:  "— Um canário, seria ele um cantor, realmente?" Não era silvestre, pois tinha um anel de identificação na pata.

Coloquei o macarrão no prato e comecei a brincar com a comida, olhava de modo curioso para o pássaro. Então o diálogo começou.

— Nossa, amigo, sua casa cheira a mofo. E não acredito que vai me deixar neste lugar.

Agora prometi para mim mesmo que não iria respondê-lo afinal, era fruto da minha imaginação tudo aquilo.

— Que foi, ficou mudo, converse comigo, não me tirou daquele Agro para viver neste isolamento e ainda cheirando a mofo.
Vencido pela situação perguntei ao pássaro.

— Tudo bem onde quer ficar?

— Claro que é na tua sacada! Que ideia, deixar-me neste local? Por qual razão? Sou um pássaro preciso de ar livre, e fiquei vários meses dentro daquela loja, necessito ver o azul do céu e o frescor das manhãs. Tem gato aqui perto?

Ri da situação e respondi:

— Não, não tem.

Ele mexia o bico de modo convincente, era mesmo um pássaro falante. Não estava louco.

Fui à sacada, fiz o furo, ele pulava desesperado, tudo normal a um pássaro, coloquei ele na sacada em um local onde ele poderia ver o céu azul e que se chovesse não o molharia. Resolvido a situação.
Perguntei-lhe.

— Esta bom?

Desta vez, o canário voltou a sua canarisse de sempre, cantando e piando, um canto de um pássaro feliz. Nada de fala. Eu precisava dormir, era sem dúvida o cansaço do dia a dia.

Depois de tomar um remédio para dormir, o dia acordou, o céu estava azul, as pessoas estavam nas suas casas e o novo morador do meu apartamento certamente estaria na minha sacada. Como imaginava estar.

— Que nada! A gaiola estava aberta. Provavelmente na hora que coloquei a água deixei mal fechada. Inevitável voltaria a minha solidão habitual.

Quando fiz a minha, vídeo chamada diária com a mãe, a falta de assunto fez eu contar do pássaro. E confesso que até pensei em comentar do diálogo irreverente que tive. Refiz meus pensamentos, era algo que precisava levar para o túmulo.

Duas semanas se passaram, e a minha esperança ao ver a sacada era de estar novamente com o companheiro que outrora tive aqueles diálogos.

Liberaram passear no parque. Foi coisa que fiz no mesmo instante. Mesmo com a máscara sufocante, o colesterol alto e uma pança para perder fizeram-me retornar a ser “fitness”.

Ao acelerar o passo sozinho em uma árvore, estava o belo canário. Parei e fiquei a olhar. Sem dúvida era ele. 

Continuei a minha caminhada como se nada tivesse observado. 

Ele bateu asas e foi na árvore a frente.

— Não vai me dar bolas só porque bati asas e voei?

Ignorei precisava tomar água, não era comigo, estava normal e aquilo era uma fantasia louca da minha cabeça.

 — Preciso te agradecer, você me trouxe a liberdade, tirou-me daquele local que estava me matando, livrou-me daquele gato insuportável e fez eu ver o céu azul novamente. 

Disse-lhe assim:

— Tudo bem, agora deixe-me com a minha caminhada, tive o meu prejuízo com você, agora precisarei se livrar daquela gaiola.

O pássaro voltou ao seu normal, cantou e voou. Nunca mais o vi. Nunca contei meu diálogo para ninguém.

(Escrita corrida, sem revisão.)
(Primeira revisão.)


Agora terminado, posso contar, que é uma releitura do Conto: "Ideias de Canário, do Machado de Assis", neste, trabalhei o isolamento social atual que aprisiona tal qual um canário dentro de uma gaiola. Para manter a prática. Também me baseei no conto da Cristina Gaspar, onde há uma espécie de realismo fantástico, tal qual neste.
 
Conto da Cristina Gaspar Macaco Branco <leia aqui>
Conto do Machado de Assis, Ideias de Canário <leia aqui>

Revisão, considerações:

Confesso que sempre escrevi contos aqui de modo corrido, quando vem a ideia sento e escrevo somente. Depois volto com calma leio e releio e vou aparando as arestas. Mas tempos atrás recebi um comentário um tanto quanto grosseiro de um usuário. Não vou citá-lo, pois não posso ser grosso quanto ele. Todavia não escrever no escopo do meu texto o que me incomodou faz eu ficar triste, logo, tenha um pouquinho de paciência que o raciocínio é bom e a revisão aqui citada, também se faz na arte de escrever um texto.

Primeiro: Meu principal vício de linguagem na escrita sem dúvidas é o gerúndio, meu modo de escrever vem muito da língua falada, e como diria Fernanda montenegro e o professor Paschoale. Suma com este gerúndio daí:
Gerúndio é: "Falando, cantando, cagando" essas coisas.

Segundo: Me deixou ou deixou-me? Eis a questão... Li que deslocar o pronome "me" é um erro gramatical. Logo estou sempre tentando não deslocar. Meu norte para isto são as leituras de textos discursivos da internet. Tal como o G1 e a CNN que leio e realmente não vejo o: "Me deixou" deste modo entendo que é um erro e sempre que possível volto e corrijo isto. Citado aqui o meu vício de linguagem com o pronome obliquo, mas na minha revisão aqui do texto: O Canário, tive dificuldades com o pronome átono. 
 Então:


Abro uma aspas aqui para você leitor ver o quão é dificil gabaritar o português, mesmo tendo o apreço pela NC.

A acentuação das formas verbais ligadas a pronomes pessoais oblíquos átonos em posição enclítica causa muitas dúvidas entre os falantes. A ênclise não é a forma de colocação pronominal mais usada pelos falantes, que privilegiam o uso da próclise. Assim, o seu uso não aparece como algo natural, com construções frásicas usadas diariamente, mas sim como algo estranho, pertencente a uma linguagem muito formal. 
As formas verbais terminadas em -r, -s ou -z podem ser ou não acentuadas quando ligadas a pronomes oblíquos átonos, que assumem as formas lo, la, los, las.
Ama-lo ou amá-lo? Devolve-lo ou devolvê-lo? Deixa-lo ou deixá-lo?
Amá-lo e ama-lo, devolvê-lo e devolve-lo, deixá-lo e deixa-lo são construções corretas, mas que se referem a formas verbais diferentes, que devem ser usadas em situações diferentes, apresentando pronuncias diferentes.
Amá-lo é a junção do pronome oblíquo átono o à forma do verbo amar no infinitivo: amar + o = amá-lo. A sílaba tônica é má: aMÁ-lo.
Ama-lo é a junção do pronome oblíquo átono o à forma do verbo amar na 2.ª pessoa do singular o presente do indicativo: amas + o = ama-lo. A sílaba tônica é o primeiro a: Ama-lo.
Essa diferença na acentuação da forma no infinitivo e da forma na 2.ª pessoa do singular do presente do indicativo pode ser estabelecida entre diversos verbos.

Amá-lo e ama-lo
Amá-lo = amar o
    Mariana irá amar Lucas para sempre.
    Mariana irá amá-lo para sempre.
Ama-lo = amas o
    Tu amas o Lucas, não é Mariana?
    Tu ama-lo, não é Mariana?
Devolvê-lo e devolve-lo
Devolvê-lo = devolver o
    Você vai devolver o dinheiro?
    Você vai devolvê-lo?
Devolve-lo = devolves o 
    Tu devolves o dinheiro quando?
    Tu devolve-lo quando?
Deixá-lo e deixa-lo
Deixá-lo = deixar o
    Vou deixar o cabelo crescer muito.
    Vou deixá-lo crescer muito.
Deixa-lo = deixas o
    Tu deixas o cabelo crescer muito?
    Tu deixa-lo crescer muito?
Escrevê-lo e escreve-lo
Escrevê-lo = escrever o
    Luísa vai escrever o resumo da obra.
    Luísa vai escrevê-lo.
Escreve-lo = escreves o
    Luísa, escreves o resumo da obra?
    Luísa, escreve-lo?
Buscá-lo e busca-lo
Buscá-lo = buscar o
    É preciso ir buscar o André.
    É preciso ir buscá-lo.
Busca-lo = buscas o
    Tu buscas o André?
    Tu busca-lo?
Ajudá-lo e ajuda-lo
Ajudá-lo = ajudar o 
    Vou ajudar o Pedro a estudar.
    Vou ajudá-lo a estudar.
Ajuda-lo = ajudas o
    Tu ajudas o Pedro a estudar?
    Tu ajuda-lo a estudar?
Chamá-lo e chama-lo
Chamá-lo = chamar o
    Você vai chamar o diretor?
    Você vai chamá-lo?
Chama-lo = chamas o
    Paulo, tu chamas o diretor?
    Paulo, tu chama-lo?
Trazê-lo e traze-lo
Trazê-lo = trazer o
    É necessário trazer o pijama?
    É necessário trazê-lo?
Traze-lo = trazes o
    Primo, tu trazes o pijama?
    Primo, tu traze-lo?
Procurá-lo e procura-lo
Procurá-lo = procurar o
    Vamos procurar o livro?
    Vamos procurá-lo?
Procura-lo = procuras o
    Tu procuras o livro?
    Tu procura-lo?
Comprá-lo e compra-lo
Comprá-lo = comprar o
    Quero comprar o bolo hoje.
    Quero comprá-lo hoje.
Compra-lo = compras o
    Tu compras o bolo hoje?
    Tu compra-lo hoje?
     

Fechada aspas obrigado <Professora Flávia Neves>


Terceiro: Eu volto nos meus textos, pois gosto, não por que esta escrito em uma pedra que preciso voltar, afinal, textos na internet são quase como um: Esparecer, sei muito bem o qual crível passa um texto profissional. Então o ato de sentar aqui escrever é um divertimento e não algo de cobrança.

Este senhor que me incomodou com seu comentário bem mestre dos magos. Tinha seus 76 anos (acho) realmente fui à escrivaninha dele e fiz comentários gentis elogiando a narrativa dele. E o dito veio na minha, nem leu meu texto e soltou a sua metralhadora oportunista. Um óh. 
Fico bem preocupado com pessoas assim, a vida não lhe trouxe respeito e incentivo? Eu preciso ser perfeito de primeira para agradar uma pessoa que nem leu meu texto? Realmente é pequinez da parte de uma pessoa que precisa ter um legado a se deixar, o dele pra mim foi. Não o visite mais. O print censurado do caso. Eu como sou blogueirinho não poderia perder a oportunidade de escrever sobre ele. Pois sim, me incomodou. Li o perfil do dito, eu também fiz Letras Espanhol em faculdade pública, e daí?, precisamos ponderar bem nossas palavras ainda mais com outros escritores. Entendo que comentários são digamos uma continuidade do texto, logo cuidado amigos para não "cagar" no texto dos outros, se tiver algo a dizer, aqui há inbox use-o. Obrigado Recanto das letras por colocar moderação nos nossos textos.
Eu escrevo aqui, no blog tenho 3 romances do wattpad, sei que sim, é um erro não gabaritar o português pois nós somos disceminadores da Norma Culta, porém também sou uma pessoa que ama escrever com erros ou acertos sempre escreverei passado a regua amiguinho.... (ó meu Deus escrevi regua sem acento vou morrer. kkkk)

Versão com o print

E quarto para finalizar este pós escrita aqui, um momento que estou expondo o meu eu criativo.

Li e reli o conto do Machado de Assis várias vezes (vou reler novamente se for necessário) Meus textos sempre tendem a ser "rasos" todavia morro de medo de criar barriga por isto sempre moldo para ser rápido o escrito.
No texto molde para o meu. Um senhor especialista em pássaros adentra em uma loja do seu tempo e compra uma espécime, que começa a dialogar com o protagonista. E no final foge. Claro que com a profundidade filosofal de um texto Machado de Assis. Escreveu algo lindo se tiver oportunidade leia o conto que agrega. No meu, como já citei, quis trabalhar esta angústia atual e coletiva que todos estão sentido de viver em isolamento, alguns amplos outros nem tanto, mas todos estamos fora do nosso normal. E para todos os que passeiam e escrevem aqui. Tô cagando para teus erros de Pt me ofereçam um enredo fora da curva que terás o Wal como leitor fiel.
Abraços, fez-se necessário esta explicação pós texto.