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Implore

 — Por que você me reconheceu não é mesmo?

— Por favor me solta eu não conto para ninguém, esta doendo, sei que ele pagou. Pelo amor de Deus não faça isto!

Olhava para o breu da noite e entendia que precisava fazer o que estava naquele lugar para terminar o serviço. Mata-la.

Se ela soubesse que no manual do crime, não se deve reconhecer o sequestrador ela nunca diria que me conhecia e estaria viva para contar o livramento que passou.

Parei o carro, no lugar determinado. Era ali a desova onde terminaria com aquilo. O dinheiro do resgate foi pago. Um dedo numa caixa é bem convincente.

Ela suplicava pela vida. Eu precisava ser prático.
Coloquei-a, dentro daqueles pneus. Era sádico precisava ver ela implorar pela vida.

Ela estava suja suada  com cortes e arranhões. Depois de ter matado meus dois comparsas e estar com o dinheiro do resgate no porta-malas.      
     Precisava acabar com aquilo.


— Onde estou? Ela não via nada, afinal o capuz quase a sufocava.
Eu disse:
— Numa mata qualquer, sabe rezar, orar, se souber faça-o, pois já estou indo embora e você vai também.

Tirei o trinta e oito do porta-luvas do carro. Ela se contorcia envolta àqueles pneus. Tirei o galão de gasolina e molhei-a. Fiquei com raiva, pois não pude fumar meu cigarro naquele momento estava com muita vontade de dar aquela tragada.


— Seu Jorge, eu lhe imploro não me mate sou jovem, preciso da tua piedade.

Fui e sentei um pouco para escutar os gritos de desespero daquela moça, naquele lugar de esquecimento. Ninguém iria a ater a eles. 

O trinta e oito estava com duas balas somente. O suficiente.
Agora de frente a ela, coloco a arma dentro da sua boca. A adrenalina e o choro eram testemunhas do meu ato cruel.

Disse-lhe. — Implore...

— Seu Jorge não me mate, você tem o dinheiro, meu pai pagou, deixe-me viver.

Tirei a arma.

Caminhei um pouco junto ao carro.

Dei o tiro. Não pareceu fatal. Joguei o isqueiro acesso. A moça se contorcia e o fogo tomava conta.

Fiquei com raiva por ter perdido o meu isqueiro. Fiquei sentando tentando sintonizar alguma rádio, sem sucesso era longe.

Voltei e via olhos saírem, pele sapecar e um cheiro de churrasco que impregnou no meu corpo. Atirei na têmpora. Fiquei com sangue e fuligem na mão.

Acordei, não era um sonho era a realidade do meu crime. A moça, até hoje não foi encontrada. Meu (micro-ondas) foi bastante eficiente. Ela me reconheceu. Logo precisei matá-la. Entretanto, ela me persegue e o tempo não deixa eu esquecer daquele dia.


Notas do autor:
Este conto é especulativo, sobre o que ocorreu com uma pessoa famosa que desapareceu faz bastante tempo.


A porta para o inferno

 Era uma vez um menininho

Que era atormentado todas as noites
Com o sumiço do seu Pai

Já se passaram anos
E nada de descobrir o paradeiro do ente querido.

A investigação concluiu que
Somente uma coisa encontraram
Do jovem Pai
Um dedo
Em um lugar bem peculiar
Embaixo da cama

Com o tempo a mãe do menino morreu
Desgosto e tristeza assombraram o lugar
A casa se tornava fria e o ranger do vento dizia todas as noites

Tem algo estranho aqui.

O menininho crescia cuidado
Pelos avós

A única coisa que não abriu mão
Foi de dormir
Na cama de casal dos pai

Certa noite ele ouviu um barulho
Que lhe intrigou
Ele fechou os olhos
Não queria ver

Mas algo estranho estava prestes a surgir.



O Terceiro banco da Praça

Nunca compreendi o porquê aquilo ocorreu, todavia aconteceu. Nossa relação era boa, às vezes ele corria atrás de mim com uma vara, destas que se arranca de árvores ipês, sapecava no fogo era eu correndo para não apanhar do pai. Antes ele me batesse...


Meus irmãos também, aquela escadinha clássica, a de trocar de roupa quando o calcanhar aparece. — Sabe?

A nossa família era boa, a mãe parecia gostar muito dele. Nunca entendi qual a razão daquilo!

Ele ficava, horas olhando de modo vago para o horizonte ao entardecer. A mãe falava:

— Maldita pinga. Ele gostava de um gole, assim era o comentário. Era o modo de anestesiar a vida puxada de pedreiro. Isto que falavam.

Eu não! – pensava – E me esforçava para ir para a escola.

Na roça tornava-se quase xingamento quem se empenhava nos estudos.

Quando íamos para a cidade, ele sentava no banco da praça e ficava daquele jeito estranho. A mãe sempre aperreava ele. Dando cascudo na cabeça.

Não entendia o motivo dele ficar aluado. — Entende?

Crescíamos, a mãe cada vez mais cabisbaixa, parece que o Pai não alegrava ela quanto deveria. A minha avó sempre dizia.

— Larga deste traste!

Traste, era de doer escutar aquilo, afinal era o meu pai! Esta certo que arrumar cerca e fazer casebres aqui e ali não era o que se esperava de quem morava na roça.

Ele não gostava de carpina, nem de cuidar dos porcos. Não tinha futuro nossa vida. Mal dava para se alimentar.

Era muita correria.

— Eu? A vergonha da família, minha mão não tinha calo, meus irmãos ajudavam. E meu pai sumia, às vezes.
— É a pinga!

A vida foi passando e certo dia, fomos com muito custo comprar mantimento. Ele foi lá no banco da praça. O terceiro. E sentou.

O olhar parecia bobo. Não piscava.
A mãe chamou ele.
Ele não escutou. Ela começou a se desesperar.
Ele sumiu correu.
Minha mãe procurou. Procuramos e nada!

Meu pai tinha sumido.

Voltamos, a sogra disse:
— É um aluado, é de família, o avô era assim também.
Aquilo doeu na minha alma, o fato de ser aluado e de família, como uma doença maldita, era o meu pai um doente.

Fomos assuntar, o pai não era pinguço não; o dono do bar das redondezas, disse que ele não bebia um gole. Nada. Era calado e estranho.

Passou uma semana e nada do pai voltar para a casa.

Minha mãe foi buscar seu homem, e encontrou-o na praça sentado no banco, agora tinha barba na cara e parecia todo mijado.

A mãe chamou ele. Pediu perdão, chorou. Ficamos com a tia olhando de longe. Era muita judiação. Do mesmo modo que antes ele correu. Estávamos desesperados. O pai não era o mesmo.

O tempo passou, o pai sumiu, aquela praça ficou vazia, eu procurava ele e nada! Fomos e fazemos o relato na polícia do desaparecido. Ele teria morrido atropelado, nas correrias da sandice, por certo.

O tempo passou. Casei constitui família, agora na cidade, deixei o campo, a roça não era para mim.

Minha mulher era bem compreensível, aceitava meu jeito calado, não gostava de gente, era casa, serviço e só.

Certo dia sentei no banco da praça, parecia ter visto o meu pai, era quase uma certeza, mas não era, outro senhor talvez, não era ele.

Todas as tardes, voltava na esperança de vê-lo. Homem feito aceitava até mesmo levar umas varadas, só para ter meu pai comigo de volta.

A mulher não compreendia o meu sentar na praça.
Nunca contei como meu pai sumiu. Era vergonha para mim, contar que era filho de um aluado.

Acordava com zumbidos inexplicáveis. Precisava ficar sozinho para assuntar.
Um dia peguei meu carro e fui numa cidade vizinha. Era irresistível sentar no banco daquela praça. Sentei.







Fotos: Pixabay comum Creative Leroy_Skalstad
 




Nota do autor:

Um daqueles contos que estava relutando em escrever, baseado em Menino do Engenho, livro de José Lins do Rego e no conto, A terceira Margem do Rio,  João Guimarães Rosa. Seria um conto Drama ou terror Psicológico. Doenças hereditárias deixam qualquer pessoa apavorada, poderia explorar mais as partes psicológicas by Clarice Lispector, todavia, penso que estar de bom-tom este conto. Passei-lhe a régua.

Quer saber a minha motivação a escrever este conto? Leia aqui


A noiva

— Quem iremos atender hoje? Olhava para o relógio, precisava ser rápida. Pois gostaria de sair com o meu novo namorado. Ele era meio gordo antipático, porém, tinha boa pegada e era disto que me importava.


— Uma moça bem elegante, ela é bem bonita, sabia? A minha assistente queria de todos os modos contar sobre a vida das clientes, eu não gostava, preferia fazer o meu serviço; e só.

Nós duas sozinhas com a cliente, realmente, muito bonita e jovem. Olhei para a foto. Que belos traços. Peguei a minha bolsa de maquiagem. Acendi um cigarro e comecei o trabalho.

A minha assistente inexperiente não sabia controlar-se, logo, me deixou sozinha. Eu pedi para ela buscar a roupa que a cliente iria vestir.

Ela foi dizendo: — Num instante só.

Comecei a passar o pó no rosto da bela moça, fiquei feliz, pois era um achado uma cliente com tanta beleza. Olhei para o relógio. Cruel como sempre, passava depressa, precisava me arrumar também. Enquanto fazia a maquiagem dela, fazia a minha. A pele dela nova, a minha nem tanto. As marcas do tempo implacáveis e os pés de galinha também. Passei uma base, depois um prime. Nela caia bem. Nem mim, será? Olhei no espelho gostei do resultado. Era um momento especial, o meu novo namorado, merecia, a propósito: — Será que trouxe aquele perfume que impregna o ambiente todo. Precisava.

Olhei novamente para o relógio, estava quase na hora. O cigarro estava em bituquinha, que raiva não ter comprado outro maço.

A assistente, que parecia haver morrido, voltou com a roupa. Dentro de um plástico, um belo vestido de noiva.

Pensei: "Que bonito, será que eu ainda vestiria um vestido deste?" Tanto que queria, no entanto, a vida sempre deu uma rasteira em mim. Ela me olhou e disse:

— Credo tira isto.

Eu pensei: — Meu Deus que abusada, a maquiagem era de uma boa marca. Parecia que estava tirando com a minha cara aquela novata.

— De quem? Dela ou de mim?

— Claro que é de você, ela esta maravilhosa, olha a roupa que ela vai vestir! Um vestido de noiva!

Olhei para ela realmente estava deslumbrante com a maquiagem, os traços do rosto bem desenhados, e o rímel, passei bem certo, bem de leve, e a pele da moça ajudou bastante; Um pêssego. O batom de um rosinha irradiante para deixar ela irresistível. Precisava.

Olhei para o espelho tentando certificar que a ajudante estava com a razão ou não. Realmente agora olhando com calma eu estava uma espantalha.

— É guria, eu estou a própria Emília do sítio do pica pau amarelo.

Ela já esticando a roupa para vestir.

Eu olhei novamente para o relógio enquanto lavava o rosto tirando todo o meu esforço desnecessário. Estava realmente atrasada, este tempo que não para!

— Você termina com ela. Eu preciso me aprontar, vou sair com o boy novo.

— Eu? Com ela?

— Claro queridinha... Tá bom eu me apronto aqui mesmo. Seja rápida com ela aí. Ficou linda a maquiagem não é?

A novata toda desajeitada esticava a roupa vestindo na moça.

— Nem precisa abotoar isto aí, amarra. Novata!

Terminava de colocar a meia calça, e já tinha me pestiado com aquele perfume. E não encontrava de jeito nenhum o brinco. "Que raiva."

Fui no espelho e observei que as marcas do tempo não me deixavam tão feia assim. Amarrei o cabelo, e me sentia uma Dumba com aquela orelha de abano.

A cliente estava bela, nossa parte tínhamos feito. Pensei. "Ninguém esta vendo, e provavelmente não fará falta." Tirei o brinco dela, era uma singela pérola. E disse pra assistente.

— Quando terminar solta o cabelo, e deixa bem espalhado que ninguém vê.

Olhava para o corpo dela, que busto, e que pele.

— Mas não combina com o vestido, sempre se amarra o cabelo com vestido de noiva.

Retirei do plástico o véu, era lindo e singelo.

— Bobagens não precisa mesmo. Ela vai ficar linda de qualquer jeito. Entrega a cliente, que eu preciso ir, deixa a chave com o Jorge; Tchau.

Dentro do carro do Meu namorado, já estávamos indo para o bar, após iriamos ir para a nossa primeira noite de amor. Assim esperava, estava precisando.

Passamos com o carro na frente do meu serviço. O meu boy (que não é tão boy assim convenhamos) comentou.

— Coitada, tão bela a mocinha que morreu, iria casar esta semana.

Realmente era uma movimentação atípica, parecia que a cidade inteira estava naquele velório.

Eu tirei o espelho da bolsa, enquanto ele diminua a velocidade pra ver o fuzue que se instaurava na frente daquela praça.

Tentei nem olhar para o lado.

— Como que você consegue, disse ele.

Continuava passando o batom na boca. respondi-o

— Consegue o quê? Há a gente se acostuma, já não sou mais uma mocinha, e são tantos. Esta até que era bonitinha, foi fácil preparar para o velório.

Guardei o batom olhei para ele. Um gato, pensei: "Estou precisando."

Coloquei as mãos nas pernas dele, que deu uma risada.

Acelera aí, que eu quero me divertir. Estou viva!

Ele retribuiu o agrado, me dando um beijo quente de língua na boca.

Me olhando nos olhos disse:

— Belos brincos.

Eu respondi: — Você achou?

Fiquei com aquilo na cabeça, sabe, soltei os cabelos, e me acabei na pista, parecia uma mocinha de vinte e tantos anos, ele, dava risadas sentado no bar, fomos para a nossa noitada. "Que lord e que gato." Sabe tratar uma loba igual a mim.

Antes de ir dormir, olhei para o meu rosto em frente ao espelho. Realmente aqueles brincos tinham caído bem em mim. O sentimento de culpa me fez pensar naquela moça. Coitada! Quando ganhara aqueles brincos? Seria da mãe dela ou do noivo? Deitei na cama.

Olhava para o teto, o sono não vinha.

"Seria o velório de manhãzinha?" Provavelmente seria, ouvi dizer que estariam esperando uns parentes pra finalizar o negócio. Lembro de ouvir o Jorge se queixando, o preguiça odeia acordar cedo.

Meu namorado dormia, pelado naquela cama de motel, olhei para aquele corpo, realmente era tudo e mais um pouco que as zinha falavam.

Cutuquei ele. Estava encasquetada.

— Vamos, já esta de manhã.

Ele olhou para o relógio, e disse. —Esquece, odeio acordar cedo, só saio daqui meio dia. Pensei: "Outro preguiçoso na minha vida."

Fui gentilmente e beijei ele pedi com agrado, sabia fazer bem as coisa da vida. E ele entendeu perfeitamente que precisava me agradar.

— Amanhã eu te retribuo, é que preciso voltar no serviço, esqueci algo lá.

Ele se esticava, vestindo as calças, o malandro estava sem cueca, calças jeans vestidas, ajudei ele ajeitar a camisa, alisando-o e beijando o seu pescoço.

Ele riu, e já ficou animado.

Eu disse: — Vamos, se desanima aí que precisamos ser rápidos.

Estava com ele nas mãos, o meu namorado, meio que retrucava dirigindo, disse qualquer coisa, como: Esqueci uma chave.

Chegando no velório, aquela choradeira clássica, estavam pra fechar o caixão. A mãe desesperada em prantos, passava mal e desmaiara. O noivo um frangote, no lado chorava igual bebê.

O Jorge, lá com o ajudante pegando a tampa. Já iriam fechar a bela noiva pra ir embora, para o cemitério.

Eu disse:

— Espere, espere!

O Jorge ficou horrorizado, com a minha intromissão. O noivo frangote, disse:

— Quem é ela?

Meu namorado ficou no carro não gostava de ver gente morta. Eu fui adentrando no salão da funerária. E o Jorge o respondeu:

— A maquiadora que fez a maquiagem da defunta. O noivo olhou ele com reprovação, enchendo de lágrimas os olhos. O Senhor sem noção mudou a frase para ser mais cortês: — Da sua noiva.

O noivo sem entender nada com a cena. Falou: — Deixe ela.

O Jorge fazia sinal que cortaria o meu pescoço, iria atrasar o negócio, e provavelmente precisava liberar o salão urgente, o dia estava ótimo.

Tirei da bolsa um pequeno estojo de maquiagem, a coisinha nem precisava. O noivo olhando desconfiado. Os familiares consternados com a cena. Coloquei os brincos na morta. E empurrei os cabelos para trás da cabeça, colocando novamente a renda entrelaçada no rosto tão jovial.

O noivo, que estava a caráter, ficou chorando, colocou a mão no bolso.

E agora ele disse-me: — Espere. Colocando o anel no dedo da moça. Pensei:

"Que disperdido." Fecharam e a levaram.

O Jorge de lado, bastante irritado com tudo aquilo, falou: — Depois você me explica este papelão!

Voltei para o carro, e disse pro Boy:

— Me leva pra casa. Sem entender nada, o gato me levou, chegando em casa, ele queria entrar, não deixei, fazendo aquele charminho gostoso tão importante dos primeiros encontros.

Ele falou: — Nossa, você esta sem os brincos, eu passei as mãos na orelha fingindo não ter percebido. E falei: — Acho que perdi, nem gostava deles mesmo.



A morte

 O motorista (vestia um casaco preto, cabelo preto, seus olhos eram vívidos e negros, mas o seu rosto era tão pálido que não combinava com o meio-dia daquele belo cenário) o Senhor que conduzia o seu carro pela aquela estrada deserta viu uma menina, com um ursinho em uma das mãos e a outra acenando pedindo carona. Pensou ser muito estranho, pois uma menina com fisionomia angelical estaria em uma estrada deserta estaria perdida: "Seria ela Madeleine Maccann?"

Ao parar o carro, sentiu umas poeiras que adentraram ao banco do passageiro. Ela lhe respondeu:
— Me leva? Preciso chegar a cidade mais próxima", disse a menina.

"Adentre", disse o motorista. Agora ambos estavam no carro era conduzido a toda velocidade ao longo da estrada que margeava aquela montanha.

"Muito obrigada", a garota disse com um beicinho engraçado, "mas você não tem medo de pegar pessoas desconhecidas ao longo do caminho?"

— Você não tem medo de te machucarem?. Eu e você estamos em uma estrada deserta!
A menina apertou o seu animal de estimação, lhe fazendo um carinho. O motorista olhou para o lado, tentando não ser tão evasivo com a pequena, continuava a observar a vastidão sem fim que parecia-lhe aquela estrada. Ela com uma voz infantil e inocente disse:

— Não estou com medo.

— E se eu quisesse te roubar, terias medo, confesse você esta com medo?

— Eu não tenho medo. Falava a frágil garota, brincando com as orelhas do seu urso de pelúcia.

O Senhor estava persistente em dar uma lição para aquela garotinha de não pegar carona com estranhos:
— E se por algum acaso eu te matasse?

— Eu não tenho medo. Falava categórica, não esboçando reação, perante ao confronto de ser assediada pelo estranho motorista.

— Não? O motorista acelerava agora afim de fazer aquela menina esboçar alguma reação.

— Deixe-me apresentar-me - disse a menina, que tinha olhos grandes, límpidos e imaginativos e depois, com uma risada, fingiu uma voz cavernosa. Eu sou a Morte, la Mu-er-te.

O motorista sorriu misteriosamente.

Na próxima curva, o carro quebrou. O motorista decidiu ir aliviar-se em meio a poeira daquela velha estrada. A mesma garota estava morta entre as pedras. Mesmo inebriado pelo susto do que acabara de presenciar. O motorista continuou a pé e quando ele chegou a um cacto, avistou o seu carro, precisava sair daquele local imediatamente, a menina estava sentada lá dentro no banco de passageiro. Seus olhos permaneciam aterrorizados em ver aquela que outrora viu morta, ela sorriu para ele e desapareceu.



A escolha

 Ela parou o carro estava decidida


Era madrugada

Estava só

Como sempre só

Olhou para a ponte de longe
Seria uma pequena caminhada
Até chegar ao seu destino

A morte

Estava decidida

Nada parecia fazer mais sentido
Iria tirar lhe a vida

A ideia era simples, se jogar na ponte a queda de uns 10 metros e o rio com uma correnteza cheia de pedras era o suficiente para trazer um alívio ao seu sofrimento

Coisas de criança lhe passou naquele instante
Algum momento quis ser equilibrista

E seria minha última tentativa...

Subi naquela passarela
Torcia que aparecesse alguém
Para me repor o juízo

Era só eu e a Lua

Senti medo
Quase cai de modo bobo

Não!

Quero chegar no meio
E fazer o meu fim como desenhei

Equilibrar-me fará
Ser mais emocionante

Do que importa a emoção?

Minha mão agora esta reta
Ando feito um pêndulo

Tentando me equilibrar
Para dentro da ponte

Vejo tentar recomeçar
Aprender novamente amar

No meio desta passarela
Sinto me igual uma ginasta olímpica, concentrada
É a minha vida que esta em jogo

Olho pra baixo, a morte logo ali
O vento e o frio me faz querer pular

Do que importa tanto teatro?

Só se jogar e pronto esta feito

Dou um, dois, três passos

Olho para frente
Quase chegando ao meu destino

Sinto calafrios
Meu fim bem próximo

A madrugada é a minha última visão da vida

Equilibrar
Vai garota equilibra!

Confesso quase cai,
Mas realizei meu devaneio
Louco

Cheguei no meio daquela ponte

E fiz a melhor escolha: A vida
Não tive coragem

Nem sei se seria corajosa
De fazer;

Minha mãe sofrer
Meu pai sofrer
Minha filha sofrer

Meus problemas
Quem não os tem?

No meio daquela ponte
Eu sorri e vivi

O prólogo seria este;
Decidida
Já lá no meio
Fiz todos os cálculos absurdos
E estava pronta
Só Deus sabe como estava pronta

De repente surgiu um farol
Uma luz do nada
A salvadora

Desceu uma velha senhora
Parecia-me Deus
Perguntou o que estava fazendo
Ela viu meu choro
Me abraçou

Foi uma mãe pra mim aquele abraço

Como precisava daquele abraço

Aprendi a encarar de frente os meus demônios
E equilibrar de vez
As emoções.


O vinho


O vinho

Olhei no fundo dos olhos dele, estava sem compreender do que se tratava aquela comemoração. Ele sabe que eu sei que ele tem uma amante, e vou acabar com tudo isto de uma vez por todas.

Uma garrafa de um genuíno vinho do porto. Seria este o preço da hipocrisia? Seus olhos enganadores. Como fui uma tola! Já era certo que poderia ser em qualquer outro lugar, que colocaria um ponto final na nossa relação.

Mas Juan é muito inteligente, sabe que não sou do escândalo, logo esperarei o jantar, e em casa, colocarei este traidor para fora.
As pupilas de um mentiroso, expressões do cinismo que afrontam a minha moral. Agora com as provas poderei colocar o aproveitador no seu devido lugar.

Sou uma Dama da alta sociedade carioca, e este? Um pobre qualquer que eu dei o meu sobrenome, a minha fortuna e a minha vida. Metade de uma taça de vinho para finalizar a relação e retomar a viver.

— Amor, não era a hora do seu remédio? O “bom moço”, certamente querendo flertar com alguma dama deste restaurante, querendo que eu vá ao toalete. Mas vou, preciso retocar a maquiagem e compreender como devo tratar com o fim.

Ele olha para os lados e tenta deixar os belos cabelos cacheados ordenados. No pulso um belo relógio, que ofereci-lhe como presente de casamento ano passado. Pensei: Casamento? Eu não aceito este tipo de vida em que preciso dividir o que é meu. Ele é o meu bibelô, ou era, arranjo outro...

— Boa lembrança querido, você não se importa de ficar sozinho? Como sou boba mesmo em ser gentil com um cafajeste como o lobo que coloquei dentro da minha casa. — Seria a primeira amante? A segunda? Quantas seriam?

Deixei minha taça de vinho em cima daquela mesa bem disposta de um belo restaurante italiano, o bom que o dinheiro pode comprar. A última taça de vinho com ele? Certamente.

Já no toalete, depois de tomar o meu remédio, olho ao espelho e retoco a maquiagem, pois precisava estar apresentável para o fim. E ele? Entender que era ele que perderia: Os carros, os cartões e principalmente eu.

Por mais ingênua que eu seja, nossa separação será com comunhão de bens, um bom advogado colocará o aproveitador com uma mão na frente e outra atrás. É questão de quem paga.

Ainda no toalete, olho ao espelho e surge uma moça bem jovem. Pede o batom emprestado. Pensei: Que abuso? Onde esta novinha colocaria a boca para ter a ousadia de colocar o meu caro batom da Mac? Sem saber dizer não, deixo usar o meu batom.

Quando aqueles lábios novos passam a sua boca aveludada o meu batom, fico a pensar na amante do meu marido. Seria eu uma velha acabada, e ele precisaria ter suas noites de prazer na cama de uma ninfeta?

— Você esta tão pensativa – disse a loira que aparentava ter uns 17 anos, com um vestido bem colado ao corpo. Paro de olhar para a moça, realmente não era nada conveniente ficar comparando uma desconhecida com a minha algoz.

— Nada não querida, pode ficar pra você o batom, preciso voltar para a mesa pois o meu marido esta esperando ansioso. Parece que precisava mentir para a sociedade que tinha um casamento de fachada, até mesmo para uma menina em um toalete qualquer.

Ao voltar a mesa, parecia que o meu marido estava arrumando a minha taça, pois mexia nela. Eu queria tomar logo aquele vinho e sair urgentemente daquele local, olhar aquela jovem no banheiro me fez compreender qual seria a minha vingança, meu próximo "bibelô", um garotão, só por desforra.

Sentei na cadeira. Olhava para ele, que parecia observar a taça de vinho. Eu olhava a taça dele, um bom vinho isto era, o nosso último vinho em casa, lhe demonstraria toda a verdade e colocaria todas as cartas na mesa, deste modo terminaria a minha relação.

— Vamos embora Juan – agora estava começando a ficar transtornada. Ele com uma calma assustadora entrelaçou os dedos nas mãos e disse:
— Antes finalize a taça de vinho.

Foi o que eu fiz. Tomei aquele líquido em um gole só. O gosto me pareceu salubre e aos poucos, minha visão começou a ficar turva, olhava na mesa da frente a loirinha com um velho, outras pessoas que parecia conhecer, o garçom e veio a escuridão.

Quando abri os olhos estava em uma escuridão assustadora. Onde seria este local? entendia que estava presa, e era uma caixa, a escuridão sufocava. Comecei a gritar:

— Me tire daqui!

Arranhava a tampa daquele local inóspito, tentava inutilmente me mover, estava deitada, e agora entendia do que se tratava, era um caixão e eu dentro dele.

Arranhava o teto daquele lugar que eu nunca imaginava estar. Tentava me desvencilhar de flores e de um tecido fino que me prendia a aquele lugar...

— Meu Deus me tire daqui!

Meu corpo foi enfraquecendo minhas pernas doíam de tanto bater e chutar, e entendi que era o fim.
...

Tempos depois por uma denúncia anônima, fizeram autópsia na Dama carioca que morreu de forma misteriosa.

Um velho Senhor esperava a sua prostituta para uma noitada, e observou um jovem vistoso colocar algo na bebida da mulher, demorou dias para tomar coragem de denunciar. Leu que a causa da morte da Dama era ataque cardíaco por causas desconhecida.

Na autópsia os legistas constataram ser um caso de envenenamento, somente não compreenderam os arranhados na tampa do caixão e os dedos machucados da Jovem Senhora.

[revisado 13-03-2021]

Notas do autor:
Baseado nesta música da Avril Lavigne:

<Avril Lavigne - I Fell In Love With The Devil (Official Video) - YouTube>

O açougueiro


O cenário, coisa e tal, um açougue em um hipermercado fenomenal
Ele, atende a mais um cliente, ciente que ela vem
Ela entra no hipermercado, iria passear no hortifrute
Os bifes bem cortados, rentes e precisos, a shaila para afiar e o cliente agradar
Ela virá?
Ela passeia na espera, precisa escolher
Ele atende outro cliente, o horizonte da fila, a sua ex não aparecerá?
O corpo da moça pede bons cortes de carne pro final de semana, vou ir lá comprar, meu ex? Somente observar?
O açougueiro corta mais um file, limpa as mãos sujas de sangue no avental
Ela virá?
Felicidade aos clientes, um açougueiro tão prestativo, corta bem as peças
Faz bem o seu papel
Todavia, sofre em esperar a amada
Que outrora o abandonou
Mas a esperança não morre facil, tal qual um boi ao matadouro
Ela veio, ele observou-a de longe, sorriu, limpou o avental, observou que estava bem aplumado, precisava ganhar o seu coração com o olhar e voltar a sonhar
A fila é não é grande três pessoas, os colegas entendiam que ela seria atendida por ele
Ele olha todo esperançoso seria a volta de um grande amor?
— Boa noite, seu açougueiro, um quilo de carret bem fininho igual somente você sabe cortar
— Sorriu? Sim ela sorriu provocou, e ele gostou
— Boa noite senhorita, com certeza vou caprichar
Vai e liga a serra fita
A carne iria cortar
Repito
A carne iria cortar
Um quilo do material seria uns 15 bistecas de meio centimetro cada
Igual ela sempre gostava
Isto era facil acertar
A cada deslize daquela máquina o açougueiro sonhava
Observava
Ela iria gostar?
Ele iria agradar?
O corte se dá rente, os companheiros olham assustado
Era muito perto dos dedos danados
Que o mais experiente
Estava a chegar
Ele? Sonhava acordado
Já estava no oitavo pedaço
Quando alguém por detrás a veio engatar
Os olhos do açougueiro ficaram fixo estáticos, um malandro
Com sua ex veio a ficar
E ela sorria a gostar
Ele seria um estranho qualquer a provocar?
O açougueiro descuidou
Da sua mão o carret escapou
E o dedo lhe veio a amputar
O desespero tomou conta do local
Era algo assustador ou fenomenal?
O pedaço mutilado rolou e caiu nas carnes que moidas seriam pelo outro companheiro
A mulher, colocou a mão na boca
Saiu do local igual uma louca
Nunca que iria imaginar
Que o assanhar algo tão medonho iria provocar
O gerente, competente que só Chegou
um pano branco no vidro colocou
E o açougueiro com ambulância retirou
O açougue, com cloro lavou
E falou:
— Vamos, vamos a meta alcançar
O Buguinho, melhor vai ficar
O açougueiro?
Só, na estatística entrou
Nove dedos nas mãos ficou
E a sua ex, novamente ganhou
De judiação, do que acontecimento ela o fitou
E o amor, daquele casal continuou.


Escrito por Waldryano

Click e Leia também: A costureira

O Vinho


Olhei no fundo dos olhos dele, estava sem compreender do que se tratava aquela comemoração. Ele sabe que eu sei que ele tem uma amante, e vou acabar com tudo isto de uma vez por todas.

Uma garrafa de um genuíno vinho do porto. Seria este o preço da hipocrisia. Seus olhos enganadores, como fui uma tola. Poderia ser em qualquer outro lugar, que colocaria um ponto final na nossa relação.

Mas Juan é muito inteligente, sabe que não sou do escândalo, logo esperarei o jantar, e em casa, colocarei este traidor para fora.

Estas íris, e as pupilas de um mentiroso, as expressões do cinismo afrontam a minha moral, agora com as provas poderei colocar este aproveitador no seu devido lugar.

Sou uma Dama da alta sociedade carioca, e este? Um pobre qualquer que eu dei o meu sobrenome, a minha fortuna e a minha vida.
Metade de uma taça de vinho de vinho para finalizar a relação e retomar minha vida.

— Amor, não era a hora do seu remédio?
O bom vivant, certamente querendo flertar com alguma dama deste restaurante, querendo que eu vá ao toalet. Mas vou, preciso retocar a maquiagem e compreender como tratar com o fim.

Ele olha para os lados e tenta deixar os belos cabelos cacheados ordenados, no pulso um belo rolex, que ofereci-lhe como presente de casamento ano passado.
— Casamento? Eu não aceito este tipo de vida em que preciso dividir o que é meu. Ele é o meu bibelot, ou era, arranjo outro...

— Boa lembrança querido, você não se importa de ficar sozinho? Como sou boba mesmo em ser gentil com um cafajeste como o lobo que coloquei dentro da minha casa. — Seria a primeira amante? A segunda? Quantas teria?

Deixei minha taça de vinho em cima daquela mesa, bem disposta de um belo restaurante italiano, o bom que o dinheiro pode comprar, seria a última taça de vinho com ele? Certamente.

Já no toalet, depois de tomar meu remédio, olho-me no espelho, e retoco a maquiagem, precisava estar apresentável, para o gran finale, ele precisava entender que era ele que perderia. Os carros, os cartões e principalmente eu.

Por mais ingênua que sou, nossa separação será com comunhão de bens, um bom advogado colocará o aproveitador com uma mão na frente e outra atrás. É questão de quem paga, e o dinheiro que sou herdeira, o meu sobrenome, trás prestigio e confiabilidade.

Olhando-me ao espelho surge uma moça bem jovem, pede o batom emprestado. Pensei: "Que abuso? Onde esta novinha colocaria a boca para ter a ousadia de colocar o meu caro batom da Mac?" Sem saber dizer não deixo-a usar.

Quando aqueles lábios novos passam na sua boca aveludada o meu batom, fico a pensar na amante do meu marido. "Seria eu uma velha acabada, e ele precisaria ter suas noites de prazer na cama de uma ninfeta?"

— Você esta tão pensativa, disse a loira que aparentava ter uns 17 anos, com um vestido bem colado ao corpo.
Paro de olhar para a moça, realmente não era nada conveniente ficar comparando uma desconhecida com a minha algoz.

— Nada não querida, pode ficar pra você este batom, preciso voltar para a mesa que o meu marido esta esperando ansioso. Parece que precisava mentir para a sociedade que tinha um casamento de fachada, até mesmo para uma menina em um toalet qualquer.

Ao voltar a minha mesa, parecia que o meu marido estava arrumando a minha taça, pois mexia nela. Eu queria tomar logo aquele vinho e sair urgentemente daquele local, olhar aquela jovem no banheiro me fez compreender qual seria a minha vingança, meu próximo bon vivant, seria um garotão, só para a desforra.


Sentei na cadeira, olhava para ele, que parecia observar a taça de vinho, eu olhava a taça dele, um bom vinho isto era, o nosso último vinho em casa, lhe demonstraria toda a verdade, colocaria todas as cartas na mesa e terminaria a minha relação.

— Vamos embora, Juan, agora estava começando a ficar transtornada.
Ele com uma calma assustadora entrelaçou os dedos nas mãos e disse:

— Antes finalize a taça de vinho.

Foi o que eu fiz. Tomei aquele líquido em um gole só. O gosto me pareceu salubre e aos poucos minha visão começou a ficar turva, olhava na mesa da frente a loirinha com um velho, outras pessoas que parecia conhecer, o garçom e me veio a escuridão.


Quando abri os olhos estava em uma escuridão assustadora. "— Onde seria este local?" entendia que estava presa, e era uma caixa, a escuridão me sufocava. Comecei a gritar: — Me tire daqui, arranhava a tampa daquele local inóspito, tentava inutilmente me mover, estava deitada, e agora entendia do que se tratava, era um caixão eu estava dentro de um caixão.

Arranhava o teto daquele lugar que eu nunca imaginava estar. Tentava me desvencilhar de flores e de um tecido fino que me prendia a aquele lugar... "— Meu Deus me tire daqui!" Meu corpo foi enfraquecendo minhas pernas doíam de tanto bater e chutar, e entendi que era o fim.


Tempos depois por uma denúncia anônima, fizeram autópsia na Dama carioca que morreu de forma misteriosa.

Um velho Senhor esperava a sua prostituta para uma noitada, e observou um jovem vistoso colocar algo na bebida da mulher, demorou dias para tomar coragem de denunciar, leu que a causa da morte da Dama era ataque cardíaco por causas desconhecida.

Na autópsia os legistas constataram ser um caso de envenenamento, somente não compreenderam os arranhados na tampa do caixão e os dedos machucados da Jovem Senhora.

Escrito por Waldryano

Observação: Inspiração para o conto,
Clipe da Avril Lavigne I Fell In Love With The Devil
Imagens pixabay
 



A Casa Assombrada

Escrito por Lucas José

Um casal brasileiro comprara uma casa velha em uma rua chamada: “Seringal do Rio Verde”, em São Paulo. Eles queriam parar de pagar aluguel e comprar uma casa própria, mas a única que eles conseguiram comprar estava muito velha e caindo aos pedaços, há muito tempo ninguém morava lá e não se sabe o que aconteceu com os antigos moradores daquela casa. Laura e Miguel, o casal, foram visitar a casa para dar uma olhada e tomarem uma primeira impressão, antes de se mudarem para aquele lugar, pois estavam morando de favor na casa dos pais de Laura.
— Parece uma mansão antiga que está caindo aos pedaços, uma mansão do século 17. — Diz Laura. — Não sei se fizemos bem em comprar esta casa.
— Tá brincando! Pelo preço que pagamos, eu compraria até o antigo velho oeste. — Diz Miguel. — Não há nada que uma boa reforma para deixar esta casa como nova, uma mãozinha de tinta aqui, outra mãozinha ali e alguns móveis novos e num passe de mágica, esta mansão velha vira um lindo castelo.
— E o número da casa, Miguel, tenho mau pressentimento, quem coloca o número 666 numa casa sabendo que é um número amaldiçoado?
— Não é amaldiçoado, é só um número, como todos os outros, isso não tem nada a ver.
— Você não sabe que todas as casas que tem esse número, é amaldiçoada?
— Laura, onde você ouviu essa palhaçada?
— É sério, estudos comprovam que esse número atrai coisas negativas, e se fosse você, não brincaria com essas coisas.
— Isso é superstição, e eu não acredito em superstições.
O casal dá uma olhada na cozinha, na sala e no banheiro, e quando subiram numa escada para chegarem em um dos quartos de cima, a escada rangia transmitindo um som barulhento que incomodava os ouvidos deles. Eles entraram em um dos quartos e nela havia uma cama de casal desarrumada, uma cadeira ao lado da cama, próximo a uma escrivaninha e acima desta, havia um abajur. Eles começaram a se beijar e deitaram na cama desarrumada.
— Vamos comemorar, aqui em nossa casa, nossa primeira casa. — Diz Miguel.
Enquanto se beijavam, a cadeira se move alguns centímetros de lugar fazendo barulho. Eles olham para a cadeira.
— Essa cadeira se moveu! — Diz Laura assustada.
— Eu não vi nada. – Diz Miguel.
— Mas tenho certeza que você ouviu alguma coisa.
O abajur começa a acender e apagar constantemente.
— O que é isso! O que está acontecendo?! — Laura estava ficando mais assustada.
— Não deve ser nada, o abajur deve estar ligado na tomada e a luz está perdendo força, eu vou desligar.
Miguel vai desligar o abajur da tomada, mas quando vê, o fio do abajur não estava conectado na tomada.
— Deve ter uma explicação lógica e racional para isso. – Disse ele.
— Estou ficando com medo! — Diz Laura.
— Isso não deve ser nada.
— Eu quero ir embora.
— Já está muito tarde para ir embora, vamos fazer o seguinte, a gente dorme aqui hoje, e amanhã a gente vai, depois veremos o que vamos fazer com esta casa, tudo bem?
— Já que eu não tenho outra escolha. — Disse Laura.
Laura e Miguel dormem aquela noite naquela casa, na manhã seguinte os dois acordam e Miguel é o primeiro a levantar da cama, ele vai ao banheiro escovar os dentes, pega a escova e coloca a pasta, começa a escovar, abre a torneira e enxagua a boca, volta a escovar deixando a torneira aberta, enquanto olhava no espelho, a água caia da torneira, ele molha a escova, olhando para o espelho e volta a escovar, depois abre a boca para ver os dentes no espelho e nota que seus dentes estavam vermelhos, olha para a escova e a parte com a qual escovara estava vermelha, olha para a torneira, sangue caia no lugar de água.
— Mas que coisa bizarra é essa?! — Perguntou.
Miguel ouve um grito, era Laura, ele corre para ver o que está havendo, e encontra Laura de pé segurando um porta-retratos quebrado, com uma das mãos em sua boca, ela olhava horrorizada para o chão, ele chega mais perto para ver o que é, havia sangue sobre o chão debaixo da cama, e um cadáver exalava um cheiro fétido demais para o olfato humano suportar.
— Que porra é essa! — Diz Miguel.
— Não sei, eu comecei a sentir um cheiro ruim de repente e levantei da cama, peguei este porta-retratos que estava no chão, quando vi sangue no chão e gritei de medo! — Diz Laura.
— Tem uma pessoa morta debaixo da cama, como a gente não notou isso antes, e pelo que parece, esse corpo está aí há anos, senti só esse cheiro, que horrível, como não percebemos isso antes?!
— Não sei Miguel, não sei, esse corpo deve ter aparecido aí de repente.
— De repente! Não, deve ter outra explicação mais satisfatória.
— Eu acho melhor a gente ir embora.
— Vamos ter que chamar a polícia.
— E se eles pensarem que fomos nós que matamos, Miguel?
— Se a gente não contar nada, é aí que vão suspeitar de nós.
Laura e Miguel correram para sair daquela casa, mas as portas e janelas haviam sido trancadas, e eles não conseguiam sair.
— Merda! Estamos trancados, mas que droga! — Miguel estava indignado.
O casal começara a ter visões, visões do passado, eles estavam vendo em sua frente como se vissem um holograma, as pessoas que moravam na antiga casa sendo atacadas por um fantasma. O pai de família foi morto, várias facas que surgiam do nada eram arremessadas em direção a ele, matando-o, várias facas cravando seu corpo, sangrando até a morte. A mãe foi morta, fogo surgiu caindo do teto atingindo-a, matando-a instantaneamente.
A garotinha, filha do casal, foi morta, no quarto de seus pais, cobras subiram em seu corpo e mordiam sua cabeça fazendo-a sangrar muito e gritar de terror, dor, muita dor e o veneno das cobras em seu sangue, não demorou muito para exalar o seu último suspiro, seu corpo foi arrastado para debaixo da cama, o filho mais velho foi morto na cozinha, um disco afiado foi arremessado em direção a ele, cortando sua cabeça, que fora colocada dentro da geladeira. Uma imagem de uma figura humanoide com mãos afiadas e olhos vermelhos que brilhavam na escuridão surgiu no campo de visão de Laura e Miguel, a criatura sorriu mostrando seus dentes afiados, e desaparece. As portas e janelas foram abertas.
— Mas que diabo foi isso?! — Diz Miguel.
— E você pergunta pra mim, como se eu soubesse de alguma coisa.
— É um fantasma! Esta casa é assombrada.
— Agora você acredita em fantasmas, eu te avisei que casas com o número 666 eram amaldiçoadas, você não me ouviu.
— Vamos embora daqui, Laura, antes que seja tarde demais.
Laura e Miguel saíram correndo dali, chamaram a polícia, eles não acreditaram que na casa havia um fantasma, mas quando ouviram falar dos corpos mortos na casa, arregalaram os olhos, mas só mandaram um policial para verificar a casa e ver se havia mesmo pessoas mortas por lá.
— Toma cuidado, policial. — Diz Laura.
O policial Ricardo entrara na casa com sua arma em mãos, pronto para usar a qualquer momento. Ele entra na cozinha abrindo a geladeira, e encontra uma cabeça humana cortada, como havia dito o casal para os policiais, continua andando pela casa e entra em um dos quartos, e encontrou dois corpos, um deles estava carbonizado e outro cheio de facas espalhadas pelo corpo, novamente andou entrando em outro quarto procurando por algo suspeito, olhou debaixo da cama, sangue no chão e um cadáver fétido, macilento. Aquilo era demais para o policial que mesmo pela experiência, não tinha visto nada parecido com aquilo. Ele ia embora quando tentou abrir a porta para sair, mas estava trancada.
— Ei, vocês, abram esta porta!
Uma risada o policial ouve, ele vira o rosto olhando para o ser a sua frente.
— Você? Mas não pode ser! Eu matei você!
Um homem estava à frente dele, rindo de seu infortúnio.
— Eu voltei, Ricardo, voltei dos mortos só para te levar comigo para o inferno! Há há há...
— Ítalo, seu assassino desgraçado, não adiantou ter matado a minha mulher, também tinha que ter matado a minha filha, seu filho da puta, você tirou tudo de mim, tirou tudo o que eu amava, seu desgraçado, volta para o inferno!
O policial Ricardo atira em Ítalo, mas as balas atravessaram o seu corpo.
— Por acaso não sabe que os mortos não morrem duas vezes?
Empunhando uma faca em mãos, Ítalo aponta-a para Ricardo.
— Lembra desta faca, Ricardo? É a mesma faca que usei para esfaquear a sua mulher e a sua filha, olha só, ainda tem o sangue delas aqui.
— Seu desgraçado!
Ricardo corre em direção à Ítalo para golpeá-lo, mas seu corpo atravessa o dele. Uma garotinha que aparentava ter mais ou menos 6 anos aparece toda ensanguentada.
— Papai!
— Filha, é você? Clarinha, minha filha!
A menina chega perto dele e morde o seu braço, Ricardo tenta afastar a criatura, mas sua mão atravessa o corpo dela enquanto ela o morde arrancando pedaço de sua pele.
— Você não é minha filha, é uma alma penada!
A porta se abre sozinha e Ricardo corre às pressas para sair dali.
— Policial, encontrou alguma coisa? — Pergunta Miguel.
— O que aconteceu com seu braço? — Pergunta Laura.
— Essa casa, é maldita!
— Você não vai fazer nada? – Pergunta Miguel.
— Isso não é caso de polícia, vocês precisam chamar um padre, um exorcista!
O policial Ricardo corre o mais rápido que consegue para se afastar da casa assombrada.
— Aconteceu alguma coisa lá, Miguel, aconteceu alguma coisa, e agora o que vamos fazer?
— Ele disse que devíamos chamar um padre, então, é isso mesmo que vamos fazer, Laura, vamos chamar um padre.
Eles chamam um padre que os atendeu com muito custo, o padre já era uma pessoa de idade e não tinha coração para essas coisas, mas mesmo assim, ele foi atender ao pedido do casal que pedira para abençoar a casa.
O padre entra na casa com uma bíblia na mão direita, um crucifixo na mão esquerda e em seu bolso estava um frasco com água benta. O padre Daniel começa a aspergir água benta enquanto recitava salmos. Em seus olhos se passava uma imagem a qual ele não acreditava que estava vendo, lava começou a se formar do chão, e pessoas que estavam se afogando na lava gritavam de horror implorando por misericórdia.
— Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte não temeria mal algum porque tu estás comigo...
Uma risada demoníaca bem alta é escutada pelo padre, o diabo aparece em carne e osso, com seu rabo pontiagudo e seus chifres, todo vermelho, como se estivesse queimando de ódio, ele usava um tridente que estava em chamas e quando falava cuspia fogo com seu hálito de enxofre.
— Padre Daniel, venha se juntar a nós, no inferno, tem um lugar bem quente esperando por você...
O padre levanta o crucifixo em direção ao diabo.
— Eu não cairei nas artimanhas do diabo, é a luz do Senhor que conduz a minha vida, pelo poder da cruz do filho do Altíssimo, eu te denuncio, demônio, volte para onde jamais deveria ter saído, não volte mais a atormentar os vivos, dê paz para esse casal que clama em nome do Senhor, Deus do universo...
O fogo de enxofre desaparece e o diabo também se esvai pelo ar.
— Pelo poder da luz do Espírito Santo, eu te expulso em nome de Jesus Cristo...
De repente, quando se pensava que tudo já havia acabado, eis que surge uma figura humanoide obscura, uma criatura que parecia ter surgido das sombras, de olhos vermelhos que brilhavam na escuridão, com suas mãos afiadas e sua risada maquiavélica, mostrava seus dentes afiados e utilizava seu poder para intimidar o padre.
— Padre, nada do que fizer vai funcionar contra mim, eu não sou um demônio para ser exorcizado, desisti e vai embora enquanto eu ainda estou de bom humor, pouparei sua vida, que já é curta, não seria legal matar uma pessoa que já está quase morta, vai antes que eu me arrependa, e diga para aquele casal infeliz que esta casa é minha, e eu nunca sairei daqui!
A porta se abre, e o padre vai embora da casa.
— O que aconteceu lá, padre? — Pergunta Laura.
— Nada do que eu fiz surtiu efeito naquela criatura, e ela disse para vocês se mandarem porque ela não vai sair dessa casa.
— O que vamos fazer agora padre, o senhor era nossa única esperança. – Diz Miguel.
— Eu aconselho vocês chamarem pessoas paranormais, talvez elas entendam o que é essa criatura e o que ela quer com essa casa.
O padre vai embora com o rosto mostrando-se derrotado, incrédulo pelo que acabara de passar naquela casa, ele segue dizendo: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará...”
— E agora, Miguel?
— Você ouviu o padre, vamos chamar paranormais.
— Vamos desistir, não estou mais afim de morar nessa casa mesmo.
— Não Laura, nós pagamos por ela, então é nossa, temos o direito de morar aqui e pronto.
Miguel e Laura procuraram por pessoas que tinham contatos com paranormais, e conseguiram o contato de três pessoas paranormais, estes três são amigos, cientistas e pesquisadores do paranormal, a parapsicóloga Rosa Maria, e os doutores em ciências ocultas, Oliveira e Dario.
Eles aceitaram ajudar Miguel e Laura, assim, abrangeriam mais conteúdo para suas pesquisas e provar cientificamente que o sobrenatural é real. Entrando na casa com seus equipamentos, eles entraram otimistas que todo trabalho seria bem-sucedido. Arrumaram o equipamento tecnológico na entrada da casa, mas antes de começarem a procurar evidencias, o medidor de campos eletromagnéticos indicava uma presença estranha.
— O medidor está dando sinais de algo sobrenatural. — Diz Dario.
— Estranho, eu não sinto nenhuma presença. — Diz Rosa Maria.
Rosa Maria começa a sentir sensações de arrepio, e em sua mente se passa cenas do horror que ocorreu naquela casa com as pessoas que moraram ali.
— Há uma criatura sobrenatural por aqui, e ela matou as pessoas que moravam aqui, eu vi. — Diz Rosa Maria.
— Sua clarividência é a prova de que realmente há algo a mais do que a nossa realidade. — Diz Oliveira.
Os três ouvem gritos que atravessam as paredes daquela casa velha, e ficam assombrados.
— Se há um espírito errante morando nesta casa, apareça! — Grita Rosa Maria.
Um riso maquiavélico é ouvido por eles. Uma voz fala dentro da mente de Rosa Maria.
— “Saiam desta casa se não quiserem morrer...” — Disse a criatura.
— “Quem é você e o que você quer aqui? ” — Pergunta Rosa Maria.
— “Eu sou Morfeu, uma entidade maligna, sou a entidade-fantasma que assombra esta casa. Viajei pelos muitos universos assombrando todas as casas que eu encontrei e cheguei até aqui para assombrar esta casa, eu assusto quem atravessa o meu caminho, mas se insistem em ficar, eu mato com todo meu poder” – Disse a entidade.
— “Esta casa não é sua, saia daqui imediatamente.” – Disse Rosa Maria.
— “Último aviso, saiam daqui, antes que seja tarde demais para vocês. ” – Disse Morfeu.
Rosa Maria disse para seus dois amigos e colegas que acabara de conversar telepaticamente com uma entidade-fantasma.
— Pegue a câmera Dario e comece a gravar. — Disse Rosa Maria.
Dario pega a câmera e grava a casa, as portas abrem e fecham fazendo um barulho estrondoso. A câmera capta a imagem de uma criatura sombria de olhos vermelhos que brilhavam na escuridão, com suas mãos e dentes afiados, a criatura olha em direção aos três paranormais e abrindo suas asas negras solta um grito furioso.
— Vocês estão vendo isso! — Diz Dario.
— Eu estou vendo, que criatura horrível é essa? — Pergunta Oliveira.
— Ele disse que se chama Morfeu. – Diz Rosa Maria.
Aranhas e cobras passam pelo corpo de Oliveira que se assusta e balançando seu corpo, ele consegue se livrar desses animais. Algo pegajoso cai em cima de Rosa Maria.
— Meu Deus, o que é isso?
— Rosa Maria! — Grita Oliveira.
Oliveira toca na coisa pegajosa que cobrira todo o corpo de Rosa Maria.
— Isso aqui, é mel!
Abelhas voam e cobrem o corpo cheio de mel de Rosa Maria.
— Temos que sair daqui rápido! — Grita Oliveira.
Os pés de Dario ficam presos no chão e ele fica sem conseguir se mover.
— Oliveira, eu não consigo sair daqui. – Diz Dario.
Rostos deformados aparecem nas paredes da casa gritando por socorro.
— Mas o que é isso?! – Diz Oliveira.
Oliveira tenta abrir a porta, mas ela está trancada, ele olha para trás e vê uma múmia chegando perto, e cada vez mais perto a múmia se aproxima de Oliveira enquanto os rostos das paredes gritavam por socorro. Oliveira fecha os olhos esperando pela morte, e quando abre os olhos a múmia havia desaparecido, Dario consegue se libertar e a porta se abre sozinha.
— Vamos embora daqui! — Diz Oliveira.
— Mas e o equipamento? — Pergunta Dario.
— Dane-se o equipamento, vamos embora enquanto é tempo!
Oliveira e Dario tentam carregar Rosa Maria que estava cheia de mel e abelhas em volta do seu corpo, as abelhas picam as mãos deles, mas eles não desistem de levar sua amiga para fora daquela casa. Dario vê sua câmera explodir no chão.
— Droga, essa era a única prova que a gente tinha para provar o sobrenatural. – Diz Dario.
— Isso não importa agora. — Diz Oliveira.
Eles carregam Rosa Maria para fora da casa e a porta se fecha sozinha.
— O que estão esperando, chamem logo uma ambulância. — Disse Dario para Miguel e Laura.
Miguel pega o celular e liga para a ambulância. Rosa Maria é levada às pressas para o hospital.
Passaram-se três meses para que Rosa Maria pudesse se recuperar do trauma, e os médicos disseram que ela sobreviveu por um milagre. Rosa Maria, Oliveira e Dario continuaram com suas pesquisas, Miguel e Laura desistiram de morar na casa e tentaram vendê-la, mas sem sucesso, então eles continuaram morando com os pais de Laura. Enquanto os cadáveres das pessoas que moravam na casa continuaram lá, sem poder ter um enterro digno de uma despedida terrena. A entidade-fantasma intitulada Morfeu, continua morando naquela casa assombrada...