BLOG DO WALDRYANO

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Novo Lar

Novo lar
Escrito por: Waldryano (waldryano)
 Scfi

Estou aqui sentado
Olho para o espelho
Vejo escuridão
Sim é o reflexo
Da janela
Do universo
Meu lar

E por saber que
Não poderei voltar
Choro

Quanto era bonita a Terra
A água que saia
Dos rios
Da minha cidade
E a própria terra do chão
Que um dia pisei

Tudo acabou!

A guerra
O ego
E por fim 
A destruição

Tudo perdido
Para sempre

No esquecimento 
Da minha infância

Sim entrei aqui
Quando era uma criança
E à Terra

É somente
Lembrança

Ao olhar neste espelho

Vejo meu corpo
Velho
Cansado

Esperar a minha vez

Volto a janela
Olho 

Por um momento
E teria de passar 
Pelo protocolo.

— Malditos protocolos.

Todavia sei
Que o meu futuro
Já não me pertence
Logo...

— Waldryano, membro número 12zw47

Chegou o grande dia
— Estás preparado?

Falava com uma inteligência artificial

"— Quem estaria?"

E ela continuou: 
— Vejo uma pequena alteração
Na sua pupila
Precisarei aplicar
Alguma medicação?

No ato respondi:
— Não!

— Então adentre na
Câmera do Éden

E rápido…

A inteligência mudou para um membro do exército

Era o terceiro ato.

Adentrei.

Outros como eu
Adentraram também

Foi assustador

Todavia já tinha meus
90 anos

E precisava
Passar pela reciclagem

Jovens

Precisam levar
A nave 

Ao nosso
Novo lar.

ficção científica

Nunca te vi sempre te amei




Rio de Janeiro 
6 de outubro de 1960

Ela estava de pé
Eu estava sentado

Saiu um, dois, três
E ela sentou ao meu lado

Pediu com educação licença
Eu escutei uma anja a falar

Meu coração palpitou
Queria tanto conversar

Era ela o grande amor da minha vida?

Cada curva, cada volta
Meu corpo encostava ao dela
Eu sentia o seu calor
E o seu perfume que se perdia na janela...

Comecei a admirar a sua boca,
Ela guardou algo na bolsa 
Iria me falar?

Meu coração queria sair pela boca
Eu a amei em cada respirar
Ela perguntou bem bobo:

— Parece que eu te conheço de algum lugar

Meu Deus, era o código que eu precisava para um galanteio começar!

Seus lábios
Ela umidecia
E eu olhava fixamente para eles

Ela disse deste modo:
— Estou ficando envergonhada

Eu lancei a pérola mais louca da minha vida

— Um beija, eu só quero um beijo seu

Ela levantou-se
Puxou a cordinha

Olhou no fundo dos meus olhos
Era uma deusa tinha sardas no rosto e um perfume inebriante

Me beijou

O constrangimento foi tão grande
O motorista que nos observava de longe sorriu

Abriu a porta
Ela desceu dizendo

— Adeus; amei te conhecer

Dias a fio
Peguei a mesma condução
Queria de todos os modos
Reencontrar a moça que roubou o meu primeiro beijo

As vezes penso que ela era uma anja
Que desceu do céu só pra me beijar

Nunca mais fui beijado tanto era o meu desejo e amor
Triste fim não encontrá-la
Todavia, guardo-a eternamente
Na memória o gosto doce daqueles lábios.



Rio de Janeiro 
6 de Fevereiro de 1961

Demorou tanto tempo, tinha meus desesseis, fiquei casto ao amor

   Esperava
 Esperava
Esperava 

Queria encontrar 
o mesmo desejo
O mesmo gosto
A mesma essência e nada



Rio de Janeiro
Agosto de 1962

Outro dia, entrei na condução
Queria de ônibus
Encontrar uma explicação
Olhei de longe

Vi ela então
Pedi pro motorista
 saltar me da embarcação

Corri, como corri
Corri pra ela 

Segurei-lhe
A mão

Ao ver bem a moça
Era idêntica
Mas não era ela não

Pedi perdão pelo equívoco

Ela,
Não sei quem
Foi ela
Que roubou o meu coração.


Pequena Pesquisa: O Rio daquele tempo, tinha em alguns pontos Bondes e por outros lugares ônibus. Abraços do Wal...

A porta para o inferno

 Era uma vez um menininho

Que era atormentado todas as noites
Com o sumiço do seu Pai

Já se passaram anos
E nada de descobrir o paradeiro do ente querido.

A investigação concluiu que
Somente uma coisa encontraram
Do jovem Pai
Um dedo
Em um lugar bem peculiar
Embaixo da cama

Com o tempo a mãe do menino morreu
Desgosto e tristeza assombraram o lugar
A casa se tornava fria e o ranger do vento dizia todas as noites

Tem algo estranho aqui.

O menininho crescia cuidado
Pelos avós

A única coisa que não abriu mão
Foi de dormir
Na cama de casal dos pai

Certa noite ele ouviu um barulho
Que lhe intrigou
Ele fechou os olhos
Não queria ver

Mas algo estranho estava prestes a surgir.



A noiva

 Eu envolto ao meu véu branco

Estou indo,
De encontro do meu amado
Ele já me espera
Belo, na frente
Da grande plateia
Testemunhas do meu ato
Que oficializa o nosso amor
— Tremes tanto minha filha?
Meu pai, com seu braço seguro
Me leva ao altar
Este espartilho me sufoca
Este sapato me aperta
— Calma filha, ainda não tocou a marcha nupcial
— Minha maquiagem pai?
— Você esta linda, minha garotinha, estou lhe entregando para vida!

— Para pai, sem drama, senão eu borro a maquiagem, Não quer que de linda eu seja a palhaça do meu casamento.

Sentia o braço firme do meu pai,
Os zunzunzuns dos convidados

A marcha tocou
Era o meu momento de entrar

Meu coração queria sair pela boca,
Meu pé doía pelos calos de um belo sapato novo
E este espartilho, por que não fiz um regiminho?

Meu Deus, todos vieram
Todos me veem

Minha mãe,
Papai falou baixinho
— Calma minha menina, lembra da maquiagem

E eu vou
Passo a passo

Ele me olha
O que será que esta pensando?
Meu Deus, como eu o Amo

O sim esta bem ali
Na beira do altar.




(leia  parte dois)
O noivo
😊👞👔

A escolha

 Ela parou o carro estava decidida


Era madrugada

Estava só

Como sempre só

Olhou para a ponte de longe
Seria uma pequena caminhada
Até chegar ao seu destino

A morte

Estava decidida

Nada parecia fazer mais sentido
Iria tirar lhe a vida

A ideia era simples, se jogar na ponte a queda de uns 10 metros e o rio com uma correnteza cheia de pedras era o suficiente para trazer um alívio ao seu sofrimento

Coisas de criança lhe passou naquele instante
Algum momento quis ser equilibrista

E seria minha última tentativa...

Subi naquela passarela
Torcia que aparecesse alguém
Para me repor o juízo

Era só eu e a Lua

Senti medo
Quase cai de modo bobo

Não!

Quero chegar no meio
E fazer o meu fim como desenhei

Equilibrar-me fará
Ser mais emocionante

Do que importa a emoção?

Minha mão agora esta reta
Ando feito um pêndulo

Tentando me equilibrar
Para dentro da ponte

Vejo tentar recomeçar
Aprender novamente amar

No meio desta passarela
Sinto me igual uma ginasta olímpica, concentrada
É a minha vida que esta em jogo

Olho pra baixo, a morte logo ali
O vento e o frio me faz querer pular

Do que importa tanto teatro?

Só se jogar e pronto esta feito

Dou um, dois, três passos

Olho para frente
Quase chegando ao meu destino

Sinto calafrios
Meu fim bem próximo

A madrugada é a minha última visão da vida

Equilibrar
Vai garota equilibra!

Confesso quase cai,
Mas realizei meu devaneio
Louco

Cheguei no meio daquela ponte

E fiz a melhor escolha: A vida
Não tive coragem

Nem sei se seria corajosa
De fazer;

Minha mãe sofrer
Meu pai sofrer
Minha filha sofrer

Meus problemas
Quem não os tem?

No meio daquela ponte
Eu sorri e vivi

O prólogo seria este;
Decidida
Já lá no meio
Fiz todos os cálculos absurdos
E estava pronta
Só Deus sabe como estava pronta

De repente surgiu um farol
Uma luz do nada
A salvadora

Desceu uma velha senhora
Parecia-me Deus
Perguntou o que estava fazendo
Ela viu meu choro
Me abraçou

Foi uma mãe pra mim aquele abraço

Como precisava daquele abraço

Aprendi a encarar de frente os meus demônios
E equilibrar de vez
As emoções.


A loba malvada

 Depois de uma noite tórrida de amor

Ele olhou para ela
Antes de ascender o cigarro
Ela perguntou:

— Você realmente é bom no amor
Mas me conta como foi a sua primeira vez Richard Gere (apelido carinhoso que ela dera a ele)

– Será?

– Conta vai, e deixe este cigarro, sou toda ouvidos.

— Então lá vai...

Era uma vez um moço com seus dezesseis anos, franzino inexperiente
Querendo Amar

– Para vai, você inexperiente?

— Sim um dia eu fui

Ela olhava para ele e passava a mão no seu peito com alguns grisalhos, e deu uma mordidinha na orelha dele e disse;

– Continua:

— Então este jovem
franzino e espinhento
Que era Eu.
Queria se aventurar na arte do amor

— E tinha uma loba

– Uma loba? Nossa continua que está ficando bom

— Sim uma loba,
A vizinha que morava ao lado
Envolta ao pecado
Com os seus quarenta anos...

– Interessante, continua por favor!

– Será? Ei, tenho vergonha, pois era um frangote.

— Continua senão vou embora, disse ela agora um pouco ríspida.

— Está bem...

A vizinha ao lado estava só
O marido foi trabalhar

E ela bateu na minha porta
Seus olhos aguçados me devoravam

"Moço preciso de um favor seu"

"Um... um favor?"

Tremi igual uma vara verde, era uma Senhora feita e eu um jovenzinho

Entrei

A desculpa era um cano vazando na pia

Quando estava lá dentro ela falou para conhecer o  quarto

Tremi

Antes pedi para ir ao banheiro
Estava me mijando todo de nervoso...

— De nervoso? Você? Risos...

— Sim jovens são inexperientes ficam nervosos

Quando adentro ao quarto

Só vejo uma cama
Um abajur a meia luz
E sabia perfeitamente quem estava lá:

— A loba!

E embaixo do cetim escarlate estaria prestes a devorar me

A companheira riu e disse:

– Serio que foi assim?

— Sem tirar nenhuma vírgula...

E começou nossa conversa canastra

Eu nervoso

Ela cheio de desejo

Falei a ela:

"Nossa que olhos grandes você tem
Ela exagerava na maquiagem, cílios postiços lhe davam um olhar sedutor"

"É para te ver melhor"

"Nossa, que orelha bonita a sua"
Ela estava com um brinco redondo, parecia de ouro, lhe deixava "sexy"...

"É para escutar que você me quer"

Nestas horas o instinto de homem falou mais alto

E adentrei ao cetim escarlate

Aquela loba dominadora
Fez me homem

Nunca vou esquecer

O caçador

– O caçador? Como assim? Você está contando a sua primeira vez
Ou está misturando as coisas?

— Calma, linda do Papai — passava as mãos no cabelo e já estava me animando, afinal
A noite e uma criança.

O caçador desta história
É o marido

— O marido? Meu Deus me conta

Então, a campainha tocou
Ela escutou a voz

Por sorte esquecerá a chave

Ela com um robe vermelho
Eu com meu coração palpitando
Ela não sabia o que fazer (mentira parecia acostumada)

"Rápido, rápido para baixo da cama"

Depois de ser devorado
Por aquela loba feroz
Ainda estava anestesiado
E indignado com o meu desempenho
De coelho

– De coelho? – risos - nunca, você é um dom Ruan na cama

— Nem sempre, aquela Loba  ensinou-me a arte do amor...

— Continua, vai...

Eu embaixo da cama
E ela recebendo o marido

Ela tinha sua lábia de loba
O marido desconfiado

Eu tremia todo
Por certo 
Morreria depois de desvirginado

— Pare, foi assim mesmo?
— Claro sem tirar nenhuma vírgula

Escutei toda a safadeza
De um caçador

Que estava sendo caçado
Por uma loba cruel

Ela sabia devorar um homem
Minha amada atual dizia:
– O quê é isto alguma indireta, gatoso?

— Me chame de lobão que fico feliz..

A noite continuou com suas premissas
Aquele casal estava a ponto de bala

Depois da segunda vez da noite

A mocinha disse:

— Preciso ir, a mãe não pode saber que não estou em casa, e vai que ela liga na casa da minha amiga. Daí a casa cai.

O Senhor, belo tal qual o Richard Gere
Veste a roupa, mas a tempo de pedir:

— Você amanhã vem com aquela 
Fantasia linda?

Claro meu lobo mau...


Abriu a carteira e viu a foto da sua mulher
Falecida
Sorriu

E disse a si mesmo:

"Nossos 23 anos de diferença nunca foram tanto assim."

A nostalgia lhe tocou

Passou-se 10 anos a  loba
Já tinha 50
Outrora tivera ele 27
Hoje 57.




Nota: Tinha colocado uma recomendação para maiores de 16 anos, todavia, há contos de terror com um tom bem mais ousado e o autor não coloca restrição. Sendo assim, penso eu que o conteúdo aqui esta, adequado a um leitor de N idades.

A costureira

 Ela mulher de prenda

Cuida dos filhos e das bainhas
Sempre deixa as roupas
Bem rente ao corpo
Com seus pontos precisos
Se fosse uma estilista seria de Alta costura.
Envolto a agulhas e máquinas

Ela costura

Um dia descobriu
Um batom no colarinho do marido
Foi ao acaso, um fio estava solto

Começou a assuntar
Com as mexeriqueiras descobriu
De quem se tratava
Azinha...

Mas o ódio era do marido
Sempre foi mulher
Prestativa, e do fogo

Por qual razão veio a galhar?

O homem estava dormindo

Ela chegou de mansinho

O ódio tomou conta dela
Iria se vingar

Na cama do casal pegou a tesoura
A do corte preciso
Seria este o material
Pra capar?

Ele roncava
Feito um porco

Ela olhava pro seu macho
E via a cena

Todas as mexeriqueiras
Bulinando-a na feira

Pensou:
– Não não vou capar
Sou boa na agulha
Vou furar

Ela tirou a mais fininha da almofadinha
Era aquela que iria usar

Ele roncava

Ela chegou o metalzinho
Bem de mansinho
Na pálpebra do olho
E pensava
O quanto seria bom
Furar os olhos
Daquele malandro

Ele puxou a coberta
Ela se assustou

O metal encostou
Saiu um pouco de sangue
O marido acordou
Ela saiu correndo
Era muita indignação
O marido foi na sala
Ela fazia crochê
Na dissimulação
Perguntou o que havia acontecido
Pois um mosquito lhe picou
A mulher deixou o novelo
Olhou pro marido
Colocou a língua pra estancar o sangue
Olhou no fundo dos olhos
Do safado e disse:
– Seu zoiudo!
Mas com Azinha
Ela usou a tesoura mesmo.


Novo lar

ficção científica

Estou aqui sentado
Olho para o espelho
Vejo escuridão
Sim é o reflexo
Da janela
Do universo
Meu lar

E por saber que
Não poderei voltar
Choro

Quanto era bonita a Terra
A água que saia
Dos rios
Da minha cidade
E a própria terra do chão
Que um dia pisei

Tudo acabou!

A guerra
O ego
E por fim 
A destruição

Tudo perdido
Para sempre

No esquecimento 
Da minha infância

Sim entrei aqui
Quando era uma criança
E à Terra

É somente
Lembrança

Ao olhar neste espelho

Vejo meu corpo
Velho
Cansado

Esperar a minha vez

Volto a janela
Olho 

Por um momento
E teria de passar 
Pelo protocolo.

— Malditos protocolos.

Todavia sei
Que o meu futuro
Já não me pertence
Logo...

— Waldryano, membro número 12zw47

Chegou o grande dia
— Estás preparado?

Falava com uma inteligência artificial

"— Quem estaria?"

E ela continuou: 
— Vejo uma pequena alteração
Na sua pupila
Precisarei aplicar
Alguma medicação?

No ato respondi:
— Não!

— Então adentre na
Câmera do Éden

E rápido…

A inteligência mudou para um membro do exército

Era o terceiro ato.

Adentrei.

Outros como eu
Adentraram também

Foi assustador

Todavia já tinha meus
90 anos

E precisava
Passar pela reciclagem

Jovens

Precisam levar
A nave 

Ao nosso
Novo lar.
Escrito por: Waldryano