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O Sexto sentido


Ethan, um adolescente inteligente e sensível, está lidando com a ausência do pai, que desapareceu misteriosamente há alguns anos. Desde então, Ethan se isolou do mundo e se tornou um solitário recluso. Seu único conforto é sua mãe amorosa, que faz tudo o que pode para ajudá-lo.

Um dia, Ethan começa a ver coisas estranhas. Ele vê sombras se movendo pelo canto do olho e ouve sussurros que parecem vir do nada. Ele tenta ignorar essas sensações, mas elas continuam a persegui-lo.

Até que um dia, ele conhece um psicólogo infantil chamado Dr. Malcolm Crowe. Crowe é gentil e compreensivo, e começa a trabalhar com Ethan para ajudá-lo a lidar com seus medos e ansiedades. Mas à medida que as sessões avançam, Ethan começa a suspeitar que algo está errado com Crowe. Ele começa a notar que Crowe nunca tira o casaco, mesmo em dias quentes de verão, e que ele parece sempre triste e distante.

Quando Ethan finalmente confronta Crowe, o psicólogo revela que ele próprio está morto há anos, e que Ethan tem o dom de ver espíritos presos na Terra. O pai de Ethan é um desses espíritos, e Crowe está tentando ajudá-lo a se comunicar com seu filho para poder finalmente encontrar a paz.

Ethan fica chocado com a revelação, mas começa a trabalhar com Crowe para descobrir o que seu pai quer lhe dizer. Eles descobrem que o pai de Ethan tinha muitos arrependimentos em sua vida, e que estava se sentindo muito culpado por deixar Ethan e sua mãe. Mas, através das sessões com Crowe, Ethan finalmente consegue perdoar seu pai e encontrar a paz que tanto procurava.

A lição de moral que Ethan aprende é que o perdão é uma parte crucial da cura emocional. Ele aprende que é possível superar a dor e a tristeza, mesmo quando parece impossível. E, acima de tudo, ele aprende que nunca está sozinho - sempre há alguém que está disposto a ajudá-lo a encontrar seu caminho de volta para a luz.

À medida que Ethan continua a trabalhar com Crowe e a se conectar com seu pai, ele começa a perceber que algo sinistro está acontecendo ao seu redor. Ele começa a ver sombras mais sombrias e a ouvir vozes mais aterrorizantes.

Crowe tenta convencer Ethan de que essas sensações são apenas manifestações do seu medo e ansiedade, mas Ethan sabe haver algo mais na jogada.

Eventualmente, Ethan descobre que Crowe está preso em um estado de purgatório, incapaz de seguir para o além. Crowe tem sido atormentado por espíritos malignos, e Ethan percebe que ele é a única esperança de Crowe para escapar desse tormento.

Com a ajuda de seu pai e outras almas benevolentes, Ethan luta para salvar Crowe e expulsar as forças do mal que o cercam. Mas, no final, o preço que ele paga por sua coragem e sacrifício é alto demais.

Ethan morre tentando salvar Crowe, mas sua alma é finalmente liberta e encontra a paz que tanto procurava. A mãe de Ethan e Crowe são deixados para lidar com a perda de Ethan e para se consolar com a esperança de que ele finalmente encontrou a paz no além.

A lição de moral final é que a coragem e a compaixão são virtudes valiosas, mas que às vezes a vida exige um preço alto demais. Mesmo quando tudo parece perdido, devemos encontrar forças para seguir e manter a esperança viva, mesmo em face da adversidade mais sombria.

Nunca te vi sempre te amei




Rio de Janeiro 
6 de outubro de 1960

Ela estava de pé
Eu estava sentado

Saiu um, dois, três
E ela sentou ao meu lado

Pediu com educação licença
Eu escutei uma anja a falar

Meu coração palpitou
Queria tanto conversar

Era ela o grande amor da minha vida?

Cada curva, cada volta
Meu corpo encostava ao dela
Eu sentia o seu calor
E o seu perfume que se perdia na janela...

Comecei a admirar a sua boca,
Ela guardou algo na bolsa 
Iria me falar?

Meu coração queria sair pela boca
Eu a amei em cada respirar
Ela perguntou bem bobo:

— Parece que eu te conheço de algum lugar

Meu Deus, era o código que eu precisava para um galanteio começar!

Seus lábios
Ela umidecia
E eu olhava fixamente para eles

Ela disse deste modo:
— Estou ficando envergonhada

Eu lancei a pérola mais louca da minha vida

— Um beija, eu só quero um beijo seu

Ela levantou-se
Puxou a cordinha

Olhou no fundo dos meus olhos
Era uma deusa tinha sardas no rosto e um perfume inebriante

Me beijou

O constrangimento foi tão grande
O motorista que nos observava de longe sorriu

Abriu a porta
Ela desceu dizendo

— Adeus; amei te conhecer

Dias a fio
Peguei a mesma condução
Queria de todos os modos
Reencontrar a moça que roubou o meu primeiro beijo

As vezes penso que ela era uma anja
Que desceu do céu só pra me beijar

Nunca mais fui beijado tanto era o meu desejo e amor
Triste fim não encontrá-la
Todavia, guardo-a eternamente
Na memória o gosto doce daqueles lábios.



Rio de Janeiro 
6 de Fevereiro de 1961

Demorou tanto tempo, tinha meus desesseis, fiquei casto ao amor

   Esperava
 Esperava
Esperava 

Queria encontrar 
o mesmo desejo
O mesmo gosto
A mesma essência e nada



Rio de Janeiro
Agosto de 1962

Outro dia, entrei na condução
Queria de ônibus
Encontrar uma explicação
Olhei de longe

Vi ela então
Pedi pro motorista
 saltar me da embarcação

Corri, como corri
Corri pra ela 

Segurei-lhe
A mão

Ao ver bem a moça
Era idêntica
Mas não era ela não

Pedi perdão pelo equívoco

Ela,
Não sei quem
Foi ela
Que roubou o meu coração.


Pequena Pesquisa: O Rio daquele tempo, tinha em alguns pontos Bondes e por outros lugares ônibus. Abraços do Wal...

O crime do Professor de Português


O Crime do Professor de Português





Na escola, eu fazia as redações, e entregava para a professora os olhos de jabuticaba focavam na reação dela era inevitável observar ela lendo com aqueles óculos sendo ajeitado aqui e ali, e na esperança daquela caneta vermelha não permear o meu texto.

Era uma criança, mudavam as professoras, todavia as expressões sempre eram as mesmas. Aquela correção que ninguém quer passar e todos passam, os olhares dela para o tecer do texto e a minha ligeira esperança de ser brilhante naquilo que mais amo fazer: Escrever.

Poderia te contar que o destaque era fenomenal e os alunos aplaudiam de pé meus textos, amava as histórias tipo: Era uma vez, entretanto precisava, as vezes , argumentar. E era eu argumentando!

Precisava aprender a Norma Culta e era eu cultuando o nosso jiló de cada dia. Era eu sonhando em ser um professor de Português. E este sonho chegou depois de vários anos de: Ensaios, Resenhas, Palestras e Seminários estou eu aqui iniciando o Estágio para ser o que eu tanto sonhava ser: Um professor de Português, tipo o Pascoale sabe? Ou um educador tal qual Paulo Freire.

A gente sonha, corre atrás e a gente realiza.

Realizei outro sonho que era comprar a minha motinha, a vida é aquela correria e as aulas fracionadas fazem a gente querer aproveitar o momento da melhor forma possível. Após o termino do Estágio tive que marcar aula em diversos lugares diferentes desta cidadezinha do interior.

As piores eram sem dúvida as da noite. Não que eu não ame trabalhar de noite. Mas era por conta daquele cachorro. Cachorro maldito, Cachorro perseguidor de motos vermelhas. Por qual razão fui eu escolher a moto vermelha? Logo esta cor que atrai estes animaizinhos que precisam provar a sua coragem e determinação correndo para devorar a perna de um desavisado?

A casa que aluguei para morar nesta cidadezinha, cujo a qual, consegui as minhas tão almejadas aulas é assim: Dois cômodos um banheiro, terreiro bom cheio de terra vermelha e alguns vizinhos mexeriqueiros que adoram cuidar da vida dos outros.

A propósito é um destes vizinhos o dono do cão que chupa manga todos os dias correndo nas noites de correria de um novato da peleja.

Minha rotina de chegada na casa sempre foi esta. Desviar do cachorro. Deixar a bolsa na mesa (cheias de provas para corrigir, depois corrijo, vou ser feliz) E ligar o computador e sonhar em ser um escritor! 

De professor de Português para escritor parece-me um divisor de águas intransponível todavia serei eu o escritor da minha história, logo, praticar, praticar e quando cansado praticar.

Pense amigos que até mesmo as luzes acesas incomodam os incomodados do muro ao lado. Quando desligo a luz para enfim ir dormir, sempre olho para a janela e vejo o velho dono daquele cachorro. Parece que não tem nada o que fazer do que ficar a observar a vida alheia?

— Vai cuidar do teu cachorro infeliz!

Nas escolas aquela velha rotina, entro na sala dos professores, tomo o café frio, dou aquela revisada básica no plano de aula (chato isto preciso apresentar todo o santo dia o meu plano de aula para o pedagogo chefe afim da aprovação) e vou para a sala de aula. Observo olhares, contenho algazarras e sou eu agora o professor de Português.

Quando passo a atividade para aquela manada de adolescentes desenfreados se entreterem é o momento que eu sonho. O Sonho é simples, que os ponteiros do relógio corram não sigam o modo natural, quero chegar em casa deixar a bolsa na mesa e escrever, sim, amo escrever.

Terminado a sessão educa os ineducáveis, ligo a minha motinha (que cor mesmo?) e acelero nas estradas desertas das vinte duas horas, passo alguns sinais vermelhos, afim de chegar rápido para o meu céu na terra. Hoje foi aqueles dias tudo parecia dar errado, aos mortos e feridos estou chegando ao lar, aí sim o professor aqui fica feliz.

Tristeza, o cachorro veio de modo voraz, tentei desviar, fui com um chute, precisava defender-me da queda (prestações para pagar sabe?) e o que mais temia, ou queria sei lá, aconteceu.

Parei a moto e fui ver, um vira lata morto era aquele cachorro com os olhos esbugalhados no chão. Fiquei a observar os últimos contorceres da vítima, até passou o sentimento de dó daquele animal.

Estaria eu tirando a vida de um ser vivo. Pareceu-me desta maneira, a você leitor pense que foi um acidente de trânsito, porém a mim, foi o mais cruel dos assassinatos.

Pensei agora ser eu o protagonista das piores histórias de assassinos que eu prontamente criava nas noites geladas e felizes do muquifo que chamo de lar.

Olhei para os lados, parecia também ter a necessidade de não ter cumplíce o meu devaneio da calada da noite.
Não tinha.

A evidência do meu crime estava estirado no chão. Era o assassino e a vítima, era a morte e a vida, era eu e o cão.

Pensei naqueles seriados de televisão, pegaria eu um giz da minha caixinha e desenharia o corpo no chão para a evidência?

Pensei rápido, precisava era sumir com aquele animal do meio da estrada, antes que aparecesse alguém para apontar de dedo.

— Olhe o assassino do cão!

Foi o que fiz, abri a caçambinha da moto e coloquei a criaturinha dentro dela, espremi, olhava para os lados, escutei um crécri, e fechei o assento.

Estava eu perfeitamente escondendo o cadáver daquele animal dentro da minha moto que ainda estava pagando em suaves prestações.

Ao parar para abrir o portão quem eu vejo? O vizinho. Nunca faço isto, porém devido as circunstancias fiz. Cumprimentei-o. Parecia apreensivo? O que acontecera com o seu animal de estimação já era evidente?

Escutei calado o velho a chamar o cão, provavelmente era a hora da ração. Eu imaginava o que fazer com o corpo que estava esfriando dentro da caçambinha.

Eu de professor a assassino. 

Olhei pelo vão da janela disfarçado, precisava deixar o velho pensar que era algo natural ao meu dia, afinal, ele observara o meu cotidiano, que era ligar o pc e ir dormir altas horas, todavia a curiosidade de saber o que o velho assuntava era maior.

O velho com uma lanterna esquadrinhava cada centímetro daquela rua que adentrava a nossa casa. 
Eu pensei: Amanhã sumo com o corpo.
Fui deitar, tentava dormir e nada, a judiação era tamanha. O velho começava a chamar pelo nome do cão, e o animalzinho. Sei bem, não iria responder.

Pensei agora o quão monstro fui, tirei do velho coitado a companhia, naquela noite ele não iria ficar observando a minha janela, pois teria algo para se preocupar.

Três horas da madrugada, ligo a luz e vou corrigir algumas atividades, estava por motivos obveis sem sono.

Na quietude da madrugada, alguém bate na porta. Olho para o visor e era o velho. Tal qual o desespero dele de ir me importunar. Fiquei gelado e frio. o velho bateu mais uma vez, sabia que estava acordado, a luz me denunciava.

Fui no banheiro lavei o rosto e precisava treinar a expressão de dissimulação. peguei a toalha e fui abrir a porta.

— Boa noite vizinho, vi que o moço esta acordado. Será que tú não vistes o meu  Totózinho. Os olhos dele estavam lacrimejados.
— Não, não vi. enxugando o cabelo para fingir um álibi.
— Mas moço, todas as noites o Totózinho corre atrás da tua moto quando esta chegando em casa. Olhei para o velho, para ele era comum o meu sofrimento diário de desvencilhar daquele animal.
— Pois é, engraçado hoje não o vi, agora preciso ir dormir, não sei se o Senhor sabe, sou um professor de Português, passar bem.

Fui fechando a porta com o velho falando um: Mas...

No dia seguinte acordei cedo e fui na loja da esquina, um agro e comprei uma pá, e algumas mudas de flor.
O velho me observava.

Nunca fui de jardinagem e precisei, faltar um dia de trabalho para dar um trato no meu terreiro.
O velho me observava.

Confesso a você leitor, o animal estava pingando a sangue e precisava me livrar do animal urgentemente e seria uma cova rasa o fim daquela indigesta situação.
Todavia o velho não parava de observar o que eu fazia.

Carpi fiz as plantações e disfarçadamente abri uma cova rasa. Suava, era homem das letras e não de calejar as mãos.

— Olá vizinho, nada do Totó né? De folga? Não vai dar aula? Disse que daria aula? Sempre deixa a moto pra fora agora deixou-a para dentro da tua casa?
O Senhor estava desconfiado era evidente e o meu segredo parecia ser revelado se eu abrisse a boca.
— Sim, hoje terei hora atividade e nada mais, por isto pensei em deixar este quintal mais bonito. Boa sorte com o seu cão.
— Obrigado. Ele respondeu e fui entrando para casa, pensava que a ideia de enterrar o defunto já era, afinal o velho não saia da minha cola.

Precisava ser prático e sumir com o animal que provavelmente começaria a cheirar mal. Abri a caçambinha e estava lá o dito, todo quebrado, e jazia babas pela boca. Duro, parecia uma pedra.

Peguei um lençol e  enrolei o animalzinho. Era eu e o cão e um vizinho desconfiado.

Limpei tudo coloquei o embrulho na caçambinha. Liguei a moto e sai. Na subida daquela pequena cidade era possível ver um panorama de tudo um pouco. A igrejinha, as ruas e as escolas. Arrumei meu óculos, e abri a caçamba. Estava lá o embrulho.

Pensei a minha burrice de deixar a pá em casa. Porém não poderia sair com uma pá sem levantar suspeitas.
Escondi o animal no pé de uma árvore, sentei um pouco e pensei o que fazer.
Sentei na moto e fui buscar a minha pá, agora iria sem a moto, somente terminar o serviço.

Ao entrar em casa vi que a terra estava fofa, não tinha lidado naqueles lugares. Pensei na hora que o velho desconfiado foi dar um confere dele no meu lote. Era tarde e precisava resolver o meu crime.

— Boa tarde vizinho nada do Totózinho não é?
— Nada, com licença, vou levar a pá para um amigo que emprestei, terminei por aqui, engraçado a terra parece que esta mais fofa? Agora era eu questionando o velho para ver a sua reação.
— Impressão tua deve de ser que tu não sabe de lidar com jardinagem somente.

Olhei para o velho intrometido, deixei a moto dentro da casa. Peguei a pá e fui fazer o meu caminho.
Sempre olhava para trás e para os lados, a desconfiança tomava conta de mim.

Cheguei no local de destino e comecei a cavar. Fiz a cova rasa, não sou bom para estas coisas. Resolvi o problema, joguei a pá no meio do mato e comecei a fazer o meu trajeto de volta.

Pensava naquele velho chorando a morte do cão. Pensava na minha cara olhando para as crianças na escola. Eu dando aula ensinando a eles serem cidadãos de bem, e eu estava sendo o criminoso, ocultando o crime.

Voltei na mata, achei a pá e fui desenterrar o defunto. Que o velho faça o velório conveniente, afinal era o seu companheiro o Totózinho.

Ao chegar em casa enrolado ao lençol cheio de terra, bati eu na porta do velho. Tinha que encará-lo e ser homem.

Eu disse:
— Tenho uma coisa para você, com o embrulho na mão.
Ele disse:
— Tenho uma coisa para você, professor, com um pisca da moto na mão.


► Nota 01: Este conto é a minha singela homenagem ao conto:
O crime do Professor de Matemática de Clarice Lispector.

► Nota 02: Dedico este conto ao meu amigo aqui do Recanto das Letras:
Leandro Severo.

Nota 03: Os meus textos encontram-se em constante revisão e reescrita, se observar algum erro releve-os, se for elegante envie mensagem para corrigi-lo. Coloco-me na condição de eterno aprendiz.
Conquista: O Conto foi o mais lido na categoria Contos, na semana que foi criado.

A Velha

A velha estava cochilando na cadeira de balanço, a cabeça caindo ligeiramente sobre o ombro.
A respiração era irregular, agitada, expectante...
Os globos oculares moviam-se imprevisíveis sob as pálpebras meio fechadas. Sua boca teve um leve sorriso que às vezes se transformou em uma careta de desgosto e, estranhamente, iluminou seu rosto fazendo com que ele se parecesse uma menina irritada.
Uma onda de calor inundou seu corpo. A cadeira de balanço moveu ritmicamente...
A cena era observada no dia de réveillon. Havia festas na cidade e como toda a virada de ano havia aqui e ali pessoas felizes a gritar:
— Feliz ano novo! A vizinhança era de uma juventude feliz... Na rua passou um carro, estavam dentro dele, cinco jovens, duas mulheres e três homens, aparentemente possuíam entre 18 e 25 anos.
Bebedeira era observada, A velha estava pescando o sono, os remédios a faziam sentir de modo estranho os fogos daquele momento festivo. Muitas pessoas estão a lançar foguetes rojões e outras pirotecnias pela tradição do momento.
— Ótima oportunidade.
O carro acelera, as latinhas de cerveja são atiradas para fora, e em meio ao frenesi do momento a moça grita: — Feliz ano novo! – dando um beijo regado a cerveja no namorado eles estão no banco de trás, e uma moça é a vela da história, passou solteira o ano pela feiura aparente, mais um foguete, no entanto, parecia um barulho estranho, mesmo em meio a tantos barulhos aleatórios poderia distinguir que não era um rojão como os demais.
— Ótima oportunidade.
E foi certeiro, o jovem que estava no volante agora não consegue manter a direção, claro na temporã, quem resiste? Os gritos foram ouvidos em segundos, pois na frente havia um poste, e a casa da velha. A velha acordou.

A Tecelã

 Ela segue mais uma noite sem se alimentar. Pacientemente estira-se pela relva, subindo pelo tronco onde começará a tecer. Precisa iniciar a fazer o casulo para postar neste local os ovos, da sua ninhada. Mas a fome é grande.


— Nesta noite terá sorte e conseguirá ficar intacta a noite inteira no tronco de árvore?

— Nenhum morcego, ou outro importuno, destruirá o seu trabalho meticuloso?

Ainda é tarde. O anoitecer com suas mariposas, grilos e moscas é a esperança do alimento farto. E começa a tecelagem. Fio a fio sai fino e espesso do corpo da árdua trabalhadora. A forma esférica é perfeitamente traçada, antes do anoitecer. Com o tempo toma forma. O desenho bem trançado, de uma armadilha perspicaz.

Agora só resta esperar.

Esperar.

No meu radar posso pressentir qualquer movimento. Enquanto isto vou criando o meu casulo. Minha ninhada precisará nascer. E esta perto o momento da desova. Sinto um balançar no fio fino da minha seda bem trançada.

— Tão cedo?

Com que sorte vou passar esta noite? Por certo alimentada.

— Um gafanhoto? Alimento apetitoso. Preciso deixa-lo se retorcer melhor, o próprio desespero desta vítima será a sua desgraça!

Pronto! Entro em ação enrolando-o com as minhas meticulosas patas em um casulo sufocante, para enfim sugar o seu néctar, a seiva do meu alimento. Uma, duas, três... Muitas voltas, e finalmente ficará bem compactado.

Agora só resta morrer aos poucos. Enquanto isto, terei o alimento que preciso para eclodir no meu casulo os ovos da minha postagem.

Alguns dias se passaram, a mãe aranha com toda a paciência do mundo espera nascer as pequenas aranhas. Que precisam de alimento para sobreviver num ambiente tão hostil.

Demora um pouco mas nascem. Uma a uma, e se achegam a mamãe altruísta. A mordem. Sugando o néctar que será sua seiva nutritiva para poder sobreviver.

O sacrifício é válido.

Uma morrerá para que várias sobrevivam. Depois de crescidas elas vão para o seu caminho incerto da mata. Tecer suas armadilhas, amadurecer, procriar, eclodir e num final o último ato, o do sacrifício, em prol da própria existência da sua prole.


Recadinho do Autor:
Este conto faz parte da minha coletânea de contos infantis que se encontra todos aqui no recanto das letras. Leia procurando no meu perfil.
Passa lá e leia, deixa um recadinho, que ficarei feliz!


Conto, personagem Cachorro - O que foi que eu fiz
Conto, personagem Gato - A morte mora ao lado
Conto, personagem Corvo - O feitiço
Conto, personagem Pato - O Nascimento
Conto, personagem Cavalo - Ajudar
Conto, personagem Aranha - A tecelã
Conto, personagem Rato - Abdução
Conto, personagem Pombo - Meu protetor
Conto, personagem Papagaio - Papagaio de pirata


A noiva

 Eu envolto ao meu véu branco

Estou indo,
De encontro do meu amado
Ele já me espera
Belo, na frente
Da grande plateia
Testemunhas do meu ato
Que oficializa o nosso amor
— Tremes tanto minha filha?
Meu pai, com seu braço seguro
Me leva ao altar
Este espartilho me sufoca
Este sapato me aperta
— Calma filha, ainda não tocou a marcha nupcial
— Minha maquiagem pai?
— Você esta linda, minha garotinha, estou lhe entregando para vida!

— Para pai, sem drama, senão eu borro a maquiagem, Não quer que de linda eu seja a palhaça do meu casamento.

Sentia o braço firme do meu pai,
Os zunzunzuns dos convidados

A marcha tocou
Era o meu momento de entrar

Meu coração queria sair pela boca,
Meu pé doía pelos calos de um belo sapato novo
E este espartilho, por que não fiz um regiminho?

Meu Deus, todos vieram
Todos me veem

Minha mãe,
Papai falou baixinho
— Calma minha menina, lembra da maquiagem

E eu vou
Passo a passo

Ele me olha
O que será que esta pensando?
Meu Deus, como eu o Amo

O sim esta bem ali
Na beira do altar.




(leia  parte dois)
O noivo
😊👞👔

A mulher do açougueiro

Jorge, encontra-se no seu estabelecimento comercial, em cima é a sua casa, e abaixo o seu açougue, mora num sobrado se assim você permitir imaginar, a cidade de interior, bem pouquinhos habitantes, ele conhece todo mundo que mora por perto, e todos o tem como; o Buguinho do açougue, sempre foi assim e a vidinha pacata e monótona continuava como sempre foi.

Nunca que os vizinhos do Buguinho imaginavam como ele conseguiu conquistar aquele “pedaço de carne” que era a sua mulher Mercedez.
Provocante das ancas largas, um remelexo natural, e um olhar angelical, fruto daqueles olhos azuis-celestes que atraiam os homens para aquele estabelecimento de esquina.
Enquanto o Buguinho passava a faca, na chaila, para deste modo deixar bem afiadinha, e desta maneira ir cortando os bifes de coxão mole para mais um cliente.
Mercedez ficava na varanda da casa tomando uma fresca expondo a figura para quem quer que passasse por ali.
Ela tinha um olhar distante, parecia sempre a procura de alguém.
O seu homem, não era corpulento e sim pequeno, mas sabia coisas do trato que a fizeram cair na sua lábia.
Ela não gostava muito da carne, o cheiro de açougue não lhe agradava muito. Até tentou ficar no mercadinho no caixa. Não deu muito certo. Buguinho a tinha como um bibelozinho sempre assim. Não se importava.
A vidinha monótona era sempre a mesma. Era Buguinho desossando um traseiro, separando as partes pra freguesia.
Era coxão mole, era patinho a posta branca e a posta vermelha.
Cortava-se um contra-filé como ninguém. O povo gostava dele. Pois, o pequeno estava sempre atencioso com a freguesia.
E lhe perguntavam.
— Como vai à dona Mercedez?
Vai bem, esta meio resfriada estes dias, por isto agora se encontra-na em cima cuidando da casa.
— Ah! bão, me vê um quilo de carne moída.
E ia o Buguinho para a câmara fria pegar os pedaços de músculos para moer.
— Faz tempo que não vejo ela, disse uma senhora que todas as tardes, vinha buscar a carne pra sopa, família grande precisava daquele reforço no mantimento.
— Lhe garanto que esta bem.
Buguinho sentia uma paz no ar, lá em cima estava silencioso. Certo que a Mercedez estava bem.
Esqueci de lhe contar, na frente do estabelecimento tinha um bar, daqueles botequins de fim de tarde. A visão que os grotescos pedreiros e peões tinham era a bela morena dos olhos azuis tinham. Naquelas bandas, homem que é homem olhava sempre pra cima. Ver a anja da varanda.
O Senhor da frente antes de fechar o estabelecimento, perguntou ao Buguinho.
— Boa tarde, como foram as vendas hoje?
— Muito bem! Obrigado. Parecia com pressa pra fechar e subir pra cima.
— A propósito num vejo a dona Mercedez estes dias, ela esta meia sumida. Disse o velho comerciante, escarrando no chão após ter terminado de varrer a sua fachada.
— Ela anda meio Gripada, daí não esta boa pra ficar vendo a vizinhança.
E fechava a cara, não era nada agradável ficar fazendo comercial da sua pequena.

+++

Terminado o expediente, Buguinho fechou as portas do estabelecimento. Guardou cada pedaço de carne do balcão, na câmara fria, ficou feliz que não sobrou muita coisa, enquanto o ajudante terminava de limpar com água e alvejante o chão, pra ficar limpinho e sair qualquer mau cheiro.
O ajudante era um rapazote meio estranho sempre quieto, tinha uns dezesseis anos, era prestativo, mas sempre quieto, era trabalhador isto que importava.
Buguinho tirou o avental e pediu pro moleque limpar. Fez a contabilidade do dia, tirou algum pra sair com Mercedez e dispensou o rapaz.
Subindo para cima de cara já achou estranho a Mercedez não vir recebe-lo.
— Será que estou fedendo a sangue?
— Será que ela nunca vai se acostumar?
Foi no quarto e ela estava sentada na cama fazendo crochê.
Ele fez um gesto que iria se limpar, ela fez uma carinha de repugnância com o cheiro.
Ele pegou um par de roupa limpa, caprichada da moda, e uma toalha de banho.
Foi pro banho, tirar a craca do corpo, se lavou, se lavou, no entanto, o cheiro ficava impregnado em cada poro do seu corpo, e isto era um problema.
Se secando, viu que cheirava ainda, e estava também preocupado com as roupas brancas que naquele dia estavam um pouco sujas de sangue. Pensou em ajudar a pequena, que parecia cri-cri com algo. Levou-as para o tanque e colocou-as de molho.
Lavando-as esfregando-as. Era evidente que não tinha jeito com aquele esfrega, esfrega.
Ela falou de longe:
— Deixa de molho, amanhã as ponho pra guará.
Buguinho pensou… Ela esta estranha mesmo…
Terminado, voltou ao banheiro fez a barba, e se encheu de loção.
Engraxou a botinha, e deixou um brilho só.
Entrou no quarto e disse.
— Muié, larga deste crochê, amanha termina. Ele falou assim pois, sabia que ela era meio que obcecada com começar e terminar suas intermináveis toalhinhas, era um hobby que o irritava porém, deixava era a sua felicidade fazer aquele artesanato.
Ela colocou a agulha no novelo e sorriu.
Agora sim o Buguinho ficou feliz pois, o sorriso da Mercedez era maravilhoso, ela mesmo gripada e chororó era um anjo lindo que o deixava feliz.
— Sim, vamos para uma Festa que tem na Praça, lá na rua da igreja. Quero passear e ver os amigos.
Levantou igual criança. Dizendo: — Claro, claro, em dois toques me troco, até me sinto melhorzinha. E correu pro baú buscar um vestido da moda do interior.

+++

Casais passeavam na praça da cidade, era uma bela noite, não estava muito frio, era uma temperatura agradável, as luzes amarelas de lâmpadas incandescentes dava um ar de conforto aconchegante àquele local.
Buguinho e Mercedez, de mãos dadas estavam agora passeando pela redondeza.
O açougueiro era sorrateiro com qualquer um que olhasse o seu pitel. Estufava o peito e tentava ficar ereto. De nada adiantava, Mercedez eram centímetros a mais que ele e isto o incomodava a sua virilidade.
— Por que tanto perfume?
Ela continuava como se não tivesse ouvido a questão. Ignorando por completo.
— Quero maçã do amor. Compra amor! Ele parou na barraca da maçã.
Ele continuava a cuidar da mulher com os olhos. Mas aquele vestido estava deslumbrante, Buguinho olhou e sentiu um certo incomodo, o decote demonstrava mais do que ele achava correto mostrar. Ele comprou a maçã deu para ela e perguntou.
— Trouxe a manta?
Ela disse: — Trouxe sim a minha manta de crochê, daqui a pouco eu coloco, estou um pouco com calor, o sereno não chegou ainda.
E veio a mordida na maçã. Buguinho ficou a olhar, os lábios da mulher sendo sujo com aquele caramelado, ela lambeu o caramelo com a língua umedecendo a boca, que parecia estar com batom e forte. Buguinho sentiu um certo desejo, olhou para o lado e viu um grupo de três rapazes olhando a sua mulher, pareciam comentar.
Ela veio e beijou o marido. Ele sentiu o gosto doce da maçã. Ela agora chegou perto da orelha dele. E cochichou. — Eu passei este perfume de lavanda para você meu gostoso. Mas o olhar dela foi para os três rapazes. Buguinho não observou isto. Estava mais atento com o cochicho que se tornou uma mordidinha provocante na orelha. Buguinho arrepiou. Era apelação.
Ele falou: — Pare aqui não é lugar, tem gente olhando.
A Dona parecia ter saído do seu estado de êxtase. Os olhos não eram mais vorazes, e os rapazes se dispersaram. Buguinho acariciou sua orelha, sentia o melado do doce.
Continuaram o passeio, algo inesperado iria acontecer.

+++

Quando chegou em casa, ela já foi preparando a janta, ele foi tirar as botinas, e ver algo na tv. Não era muito tarde. O passeio terminou de forma estranha, Ela se queixou de indisposição, Buguinho desconfiado logo lhe perguntou.
— Esta nos dias?
Ela respondeu.
— Acho que estou. Aquele marido era um relógio e compreendia que não era os dias das regras dela, e olhou novamente pra ela. Mercedez disse já compreendendo que o marido não tinha aceito as desculpas.
— Nós mulheres somos assim mesmo, as vezes vem antes, por vezes atrasa. E o Buguinho olhou para ela aceitando as desculpas, (tentando ser convincente) respondeu.
— Serei o homem mais feliz deste mundo. Quando o nosso Buguinho Junior chegar.
Enquanto a Dona assuntava com as panelas, Buguinho tentava se distrair, não dava, o filme daqueles rapazes, lhe voltava forte na mente.
Estou lhe preparando, um bifinho amor, com um belo suco de laranja dizia ela.
Buguinho não estava com fome porém, fingia estar faminto.
Servido a mesa, um belo prato e um copo de suco de laranja do jeito que o marido gostava.
Ela puxou a cadeira, estava prestativa. E o perfume continuava no corpo.
Quando ele sentou, chegou sedutora aos ouvidos de novo.
— Tenha paciência, logo passa meu mal-estar, e poderemos ser um do outro.
Ele sentou, deu um sorriso para ela. E lançou a pergunta pra esposa.
— Amor, busca aquele crochê que você esta fazendo, eu quero ver.
Ela achou estranho a pergunta, Buguinho nunca ligava pra isto.
— Qual?
Ele respondeu que era aquele que parecia uma blusa verde. Ela foi.
Buguinho precisava ser rápido, nunca que ela iria encontrar tal crochê precisava tirar uma dúvida que tinha. Pegou rapidamente a comida do prato e colocou numa sacola. Ela falava lá dentro.
— Engraçado, eu não encontro aqui onde deixei.
Buguinho pega o suco, vai à cozinha e joga pelo ralo da pia.
Volta com um restinho no copo, somente.
— Nossa! amor, eu não consegui encontrar! Ele raspava alguns grãos de arroz do prato fingindo come-los.
— Amor, tenho que te confessar algo. Disse Buguinho. Eu derrubei um pouco de sangue da roupa nele, e tive que deixar lá pra lavar. Me perdoa?
Ela olhou brava pro marido. E tentava entender a brincadeira sem graça dele.
— Calma amor, só lhe quis fazer uma graça. A propósito a comida estava ótima!
Ela juntava a louça e disse.
— Toma todo o suco amor.
Ele falou: — Claro. E colocou o restante na boca, ela ficou observando ele tomar.
Ao ir pra cozinha, ela disse: — Vamos dormir cedo amor pois, estou bastante cansada.
Buguinho fez tal como a Mercedez o ordenara.
Deitou na cama, e o sono veio rápido, logo roncava de modo leve.
Mercedez esperava. E ele roncava de modo normal.
Ela se levantava da cama, vestia uma roupa que Buguinho não conhecia, cobria bem a bela lingerie que vestia por baixo.
Buguinho esperou a porta fechar para parar o fingimento.
Foi e viu a esposa sair sorrateira, já era madrugada.
O carro na esquina estava os três jovens homens feitos que levavam a sua esposa para alguma noitada.
Buguinho saiu bravo para dentro da câmara fria do seu açougue. Iria adiantar o lado, para o próximo dia. Entrou e começou a desossar um traseiro, com uma (faca) tipo punhal.
Separava as partes do boi, com a destreza de um açougueiro. Coxão duro, Patinho, Coxão mole, e com todo o cuidado a Alcatra. Limpava o suor do nervo que passava de saber que a mulher estava se divertindo pela madrugada.
Ao terminar olhou no relógio, precisava ser rápido, trocar de roupa, se limpar, esquentar-se e aguardar Mercedez voltar.

+++

No outro dia, a mesma dissimulação de sempre. Ela com um olhar de felicidade, fazia o café sorrindo, mesmo tendo voltado tarde. Buguinho demorava mais um pouquinho na cama, olhando para o teto, pensando como proceder neste dia.
Ao abrir o açougue, olhava os olhares para cima, Mercedez olhava ao horizonte, outro rapaz, certamente, teria que roncar de modo mais simétrico, para ela não desconfiar?
A cada corte de bife pra algum cliente, várias sensações lhe passavam. Seria o seu ajudante, mais um da lista de Mercedez? Tinha uma desconfiança, dormia como um porco todas as noites e a boca seca. Entre a desconfiança e o saber era uma ponte que ele não gostaria de atravessar.
Afiou o seu punhal e subiu.



Fim

1900 palavras. Conto de suspense. Autor; Waldryano

A morte mora ao lado

Todos os dias me levanto, e saio ao meu cenário habitual, em meio a lápides e placas fúnebres perambulo pelas manhãs e noites.


Eu domino este lugar. Um ou outro até aparecem de vez em quando, porém a minha escuridão e os meus olhos vorazes fazem com que eu seja o dominador deste nicho de localidade.

Mais um velório, eles são rápidos, ficam a observar descer o caixão, as vezes cai uma leve garoa, a propósito, moro perto do mar então chove bastante. Outros momentos há um calor que me faz sair procurar uma sombra.

A noite é a mesma coisa de sempre. Ratos perambulando aqui e ali, e eu pulando os muros e correndo entre o silêncio deste meu quintal.

Meu dono, trabalha bastante, fico sempre observando ele fazer aquelas covas fundas e incansável. Eu passo perto dele e ele me faz um carinho e só.

Vejo suor sair da sua testa. A noite ele dorme igual a um porco, tanta a canseira que lhe faz.

Tantas noites, que vejo mortos entrar neste meu quintal, pena que é rápido, logo, logo, colocam uma tampa, e depois eu passo somente pra beber da água dos vasinhos destas flores abandonadas aqui e ali.

No mais, eu sou o dono do pedaço.

Gato nenhum se atreve aqui, pois eu sou o vagabundo da área e tenho o meu terreiro pra caçar e brincar: — Por que não?

Entre mortos, lápides e placas fúnebres. Vivo a felicidade de um gato vagabundo, que volta para o seu dono só pra dizer : — Tou vivo!

Recadinho do Autor:
Este conto faz parte da minha coletânea de contos infantis que se encontra todos no recanto das letras. Leia procurando no meu perfil.
Passa lá e leia, deixa um recadinho, que ficarei feliz!




Conto, personagem Cachorro - O que foi que eu fiz
Conto, personagem Gato - A morte mora ao lado
Conto, personagem Corvo - O feitiço
Conto, personagem Pato - O Nascimento
Conto, personagem Cavalo - Ajudar
Conto, personagem Aranha - A tecelã
Conto, personagem Rato - Abdução
Conto, personagem Pombo - Meu protetor
Conto, personagem Papagaio - Papagaio de pirata

A loba malvada

 Depois de uma noite tórrida de amor

Ele olhou para ela
Antes de ascender o cigarro
Ela perguntou:

— Você realmente é bom no amor
Mas me conta como foi a sua primeira vez Richard Gere (apelido carinhoso que ela dera a ele)

– Será?

– Conta vai, e deixe este cigarro, sou toda ouvidos.

— Então lá vai...

Era uma vez um moço com seus dezesseis anos, franzino inexperiente
Querendo Amar

– Para vai, você inexperiente?

— Sim um dia eu fui

Ela olhava para ele e passava a mão no seu peito com alguns grisalhos, e deu uma mordidinha na orelha dele e disse;

– Continua:

— Então este jovem
franzino e espinhento
Que era Eu.
Queria se aventurar na arte do amor

— E tinha uma loba

– Uma loba? Nossa continua que está ficando bom

— Sim uma loba,
A vizinha que morava ao lado
Envolta ao pecado
Com os seus quarenta anos...

– Interessante, continua por favor!

– Será? Ei, tenho vergonha, pois era um frangote.

— Continua senão vou embora, disse ela agora um pouco ríspida.

— Está bem...

A vizinha ao lado estava só
O marido foi trabalhar

E ela bateu na minha porta
Seus olhos aguçados me devoravam

"Moço preciso de um favor seu"

"Um... um favor?"

Tremi igual uma vara verde, era uma Senhora feita e eu um jovenzinho

Entrei

A desculpa era um cano vazando na pia

Quando estava lá dentro ela falou para conhecer o  quarto

Tremi

Antes pedi para ir ao banheiro
Estava me mijando todo de nervoso...

— De nervoso? Você? Risos...

— Sim jovens são inexperientes ficam nervosos

Quando adentro ao quarto

Só vejo uma cama
Um abajur a meia luz
E sabia perfeitamente quem estava lá:

— A loba!

E embaixo do cetim escarlate estaria prestes a devorar me

A companheira riu e disse:

– Serio que foi assim?

— Sem tirar nenhuma vírgula...

E começou nossa conversa canastra

Eu nervoso

Ela cheio de desejo

Falei a ela:

"Nossa que olhos grandes você tem
Ela exagerava na maquiagem, cílios postiços lhe davam um olhar sedutor"

"É para te ver melhor"

"Nossa, que orelha bonita a sua"
Ela estava com um brinco redondo, parecia de ouro, lhe deixava "sexy"...

"É para escutar que você me quer"

Nestas horas o instinto de homem falou mais alto

E adentrei ao cetim escarlate

Aquela loba dominadora
Fez me homem

Nunca vou esquecer

O caçador

– O caçador? Como assim? Você está contando a sua primeira vez
Ou está misturando as coisas?

— Calma, linda do Papai — passava as mãos no cabelo e já estava me animando, afinal
A noite e uma criança.

O caçador desta história
É o marido

— O marido? Meu Deus me conta

Então, a campainha tocou
Ela escutou a voz

Por sorte esquecerá a chave

Ela com um robe vermelho
Eu com meu coração palpitando
Ela não sabia o que fazer (mentira parecia acostumada)

"Rápido, rápido para baixo da cama"

Depois de ser devorado
Por aquela loba feroz
Ainda estava anestesiado
E indignado com o meu desempenho
De coelho

– De coelho? – risos - nunca, você é um dom Ruan na cama

— Nem sempre, aquela Loba  ensinou-me a arte do amor...

— Continua, vai...

Eu embaixo da cama
E ela recebendo o marido

Ela tinha sua lábia de loba
O marido desconfiado

Eu tremia todo
Por certo 
Morreria depois de desvirginado

— Pare, foi assim mesmo?
— Claro sem tirar nenhuma vírgula

Escutei toda a safadeza
De um caçador

Que estava sendo caçado
Por uma loba cruel

Ela sabia devorar um homem
Minha amada atual dizia:
– O quê é isto alguma indireta, gatoso?

— Me chame de lobão que fico feliz..

A noite continuou com suas premissas
Aquele casal estava a ponto de bala

Depois da segunda vez da noite

A mocinha disse:

— Preciso ir, a mãe não pode saber que não estou em casa, e vai que ela liga na casa da minha amiga. Daí a casa cai.

O Senhor, belo tal qual o Richard Gere
Veste a roupa, mas a tempo de pedir:

— Você amanhã vem com aquela 
Fantasia linda?

Claro meu lobo mau...


Abriu a carteira e viu a foto da sua mulher
Falecida
Sorriu

E disse a si mesmo:

"Nossos 23 anos de diferença nunca foram tanto assim."

A nostalgia lhe tocou

Passou-se 10 anos a  loba
Já tinha 50
Outrora tivera ele 27
Hoje 57.




Nota: Tinha colocado uma recomendação para maiores de 16 anos, todavia, há contos de terror com um tom bem mais ousado e o autor não coloca restrição. Sendo assim, penso eu que o conteúdo aqui esta, adequado a um leitor de N idades.