25.1.26

O Tabuleiro do Oriente Médio: Muito Além da Religião

 

O Tabuleiro do Oriente Médio: Muito Além da Religião

O Oriente Médio é frequentemente descrito como um barril de pólvora, mas para os analistas geopolíticos, ele se assemelha mais a um complexo tabuleiro de xadrez onde grandes potências locais e globais jogam partidas simultâneas. O que vemos nos jornais — guerras civis, revoltas e tensões diplomáticas — é a superfície de uma disputa profunda por hegemonia, recursos e sobrevivência estratégica.

1. A Luta pela Hegemonia Regional: Irã vs. Arábia Saudita

No coração de quase todos os conflitos modernos na região está a rivalidade entre Teerã e Riad. Esta não é apenas uma divisão religiosa entre xiitas e sunitas, mas uma disputa política de influência.

  • Guerras por Procuração (Proxy Wars): De que forma o conflito no Iêmen, na Síria e as crises no Líbano são reflexos dessa disputa.

  • O Arco de Influência: Como o Irã busca criar um corredor terrestre até o Mediterrâneo.

2. A Questão Israelense e o Novo Desenho de Alianças

A geopolítica do Oriente Médio mudou drasticamente com os Acordos de Abraão. Pela primeira vez, nações árabes começaram a normalizar relações com Israel, movidas por um inimigo comum (o Irã) e interesses econômicos em tecnologia.

  • O Dilema Palestino: Como a questão palestina permanece como um ponto central de instabilidade e um termômetro moral para o mundo árabe, apesar das novas alianças de Estado.

3. O Petróleo e a Transição Energética

Embora o mundo caminhe para a descarbonização, o petróleo do Golfo ainda é o sangue que corre nas veias da economia global.

  • A Estratégia Saudita: O plano "Vision 2030" de Mohammed bin Salman para reduzir a dependência do petróleo e transformar a Arábia Saudita em um hub financeiro e turístico.

  • Influência na OPEP+: Como o controle da oferta de petróleo ainda é a ferramenta mais poderosa de pressão política na região.

4. O Vácuo de Poder e a Presença das Grandes Potências

A gradual tentativa de "desengajamento" dos EUA da região deixou um vácuo que a Rússia (com sua forte presença na Síria) e a China (como mediadora diplomática, como visto na reaproximação entre Irã e Arábia Saudita) estão ansiosas para preencher.

"No Oriente Médio, o inimigo do meu inimigo é meu amigo... até que os interesses mudem."

Conclusão

Entender o Oriente Médio hoje exige olhar além dos estereótipos. É uma região em busca de uma nova identidade, equilibrando tradições milenares com a necessidade urgente de modernização econômica em um mundo que começa a olhar para além do petróleo.


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