26.1.26

Basta de ordens de Washington, disse a presidente da Venezuela.

 A captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026 e a ascensão de Delcy Rodríguez à presidência interina abriram um capítulo imprevisível na história da América Latina. Para o seu blog, aqui está uma proposta de resenha que analisa a postura dela e o jogo de xadrez com Washington.


🇻🇪 Venezuela 2026: Delcy Rodríguez e o Malabarismo entre a Soberania e a Submissão

O que estamos assistindo na Venezuela hoje é um drama político de alta voltagem. Menos de um mês após a operação militar dos EUA que levou Nicolás Maduro para o Brooklyn, a presidente interina Delcy Rodríguez tenta equilibrar o país em uma corda bamba perigosa. Sua declaração de hoje — "Basta de ordens de Washington" — soa menos como um grito de guerra e mais como uma manobra de sobrevivência política.

A Estratégia do Discurso

Ao discursar para petroleiros em Anzoátegui, Delcy faz o que o chavismo sempre fez melhor: apelar ao sentimento nacionalista. Ao afirmar que a política venezuelana deve resolver seus próprios conflitos, ela tenta:

  1. Conter a insatisfação militar: Mantendo a retórica anti-imperialista, ela assegura o apoio da cúpula das Forças Armadas.

  2. Diferenciar-se de uma "marionete": Mesmo com Donald Trump afirmando que os EUA "governam" a Venezuela no momento, Delcy precisa mostrar que ainda existe um governo nacional funcional.

O Paradoxo de Janeiro

O que torna a análise fascinante (e preocupante) é a contradição. Enquanto brada contra as ordens americanas, o governo interino de Rodríguez tem sido o mais "colaborativo" em anos:

  • Libertação de Presos: Mais de 100 presos políticos foram soltos nas últimas 48 horas como um aceno à comunidade internacional.

  • Diálogo com Trump: Existe um convite para Delcy visitar a Casa Branca, algo impensável há três meses.

Conclusão: Um Futuro sob Condição

A verdade é que Delcy Rodríguez governa sob uma sombra pesada. De um lado, o Tribunal Supremo deu a ela um mandato de 90 dias; do outro, Trump já avisou que ela pagará um "preço muito alto" caso não coopere com a transição.

A resiliência do chavismo está sendo testada em sua forma mais pragmática. Se esse "basta" de hoje é o início de uma resistência real ou apenas um roteiro para manter a dignidade enquanto negocia uma saída definitiva, só os próximos meses dirão. Por enquanto, a Venezuela continua sendo o tabuleiro de um jogo onde os jogadores locais parecem ter cada vez menos peças.


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