Retratos do Vapor: Fragmentos de uma Vida Operária
Hoje, dia 17 de dezembro de 2025, parei para rever um compilado de fotos antigas. São registros de 2016 e anos anteriores, época em que minha vida era ditada pelo ritmo de uma máquina de papel. Ao percorrer essas imagens, sinto que deixei um pouco de mim em cada um daqueles cenários.
As fotos são o testemunho fiel do meu antigo cotidiano:
A Luta Diária: A rebobinadeira que precisava ser vencida a cada turno.
O Labirinto: O porão que exigia limpeza constante e a complexa trajetória de canos que levavam o insumo até a área de trabalho.
O Preparo: O treinamento contínuo para interagir com o equipamento nos momentos críticos.
O Contraponto: O contraste brutal entre o ambiente de trabalho — quente e ruidoso — e o vestiário silencioso, onde o corpo finalmente encontrava descanso.
O Retorno: O cansaço compartilhado dentro do ônibus no caminho de volta para casa.
Certa vez, meu irmão trabalhou por uma semana nessa mesma indústria (a maior da cidade, com mais de dois mil funcionários) e descreveu o ambiente como um cenário de guerra das décadas de 1940 a 1960, comparando-o a usinas bélicas. Essa imagem nunca saiu da minha cabeça. Embora eu tenha saído da fábrica em 2022 e esteja há quase quatro anos trabalhando na prefeitura, o "estado de alerta" permanece. Até hoje, qualquer som de cavitação me causa um pânico imediato; é uma herança sonora que o tempo ainda não apagou.
Aos 42 anos, olho para essas fotos e vejo o quanto caminhei. Com a aposentadoria prevista para os 62, ainda tenho uma longa jornada pela frente, mas agora em águas mais calmas, longe do calor das máquinas e do estrondo do vapor.
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