22.11.22

Novo lar

— Mãe o que é asteroide? Lara cutucava a mãe, que como todo o habitante da Terra, não tirava os olhos da televisão, afinal, as notícias não eram das melhores.


"Filha você só tem seis anos, é melhor brincar e aproveitar bem os seus dias de criança."


Não entendia o porquê todos pareciam apreensivos, até que a mãe recebeu a carta. Foi um oficial do Governo que a trouxe, isto eu lembro. Apesar de ter seis anos de idade naquela época "Como não lembrar os olhos lacrimejados da minha mãe?"


"Filha você esta salva!" Ela sorriu pegou no meu colo e me abraçou.


Foi a última vez que eu vi a mamãe.


O caos se instaurou completamente na Terra, saques, arrombamentos e gritos desesperados eram ouvidos enquanto alguns privilegiados por sorteio estavam sendo guardados em bunkes de proteção. E outros jovens como eu, estavam indo passar por duas semanas de treinamento para a maior aventura da humanidade: Sobreviver.


— Vocês são crianças, todavia, também serão a esperança da humanidade. Eu só lembrava da mãe falar: "Independentemente do que acontecer, saiba que eu te amo, e é necessário você ir com eles, e nunca chore, sempre olhe nos olhos das pessoas com confiança que tudo dará certo".


As circunstâncias fizeram eu amadurecer prematuramente, também observava crianças da minha idade, serem excluídas da seleção por apresentarem comportamento inadequado. Eu era somente uma criança, mesmo passando todos os dias por psicólogos que analisavam o nosso modo de agir. Eu era somente uma criança!


Estava prestes a embarcar em uma nave espacial que iria desbravar um lugar longínquo não entendia muito do que se falava, e por que tanta a preocupação com um asteroide. Os dias estavam ficando negro isto é verdade.


Quando embarcamos, pessoas gritavam com filhos no colo querendo coloca-los no nosso êxodo. Estava vestida com uma roupa militar.


— Andem logo, já estamos atrasados ao nosso cronograma!


Eram várias espaço naves, lembro que foram cinco no total.


Não sei precisar quantas pessoas.

Só sei dizer que após estar aqui no espaço compreendi a gravidade do acontecimento. Assistido com apreensão por todos da nave. Antes de deitar naquela cápsula, e acordar já jovem.


Foi assim eu lembro:


No monitor uns cinco adultos que nos assistiam também, observavam à Terra de longe, já fazia duas semanas que estávamos no espaço. Era o tal do asteroide que estava indo a colidir ao nosso planeta Terra, no que comentavam na hora do refeitório ser o Armagedom. Entendi na prática do que se travava o Armagedom quando vi aqueles adultos chorarem e se desesperarem dizendo:


— Perda completa da Terra e somente resta nossa espaço nave.


Fomos os primeiros a embarcar e isto nos salvou, pois as outras quatro espaço naves foram atingidas por destroços e por uma certa onda, que não entendi bem do que se tratava. Nós sofremos com os destroços, todavia foi possível a restauração, em troca de vidas que se sacrificavam a cada mês que passava.


Antes de deitar naquela cápsula que eu não entendia bem do que se tratava.


O moço disse:


"Ficarão hibernando por 10 anos lembram dos vídeos do ursos que a Maria mostrou para vocês?" Maria era uma professora que cuidava de nós somente depois soube que ela era uma psicóloga.


"Quando acordarem terão atribuições aqui na Ragnarok, e serão importantes para o funcionamento do nosso novo lar."


E foram assim os meus dias:


Quando despertei daquele lugar já era uma adolescente de 16 anos, confesso que achei estranho acordar com aquele corpo. Maria já estava um pouco velha, e me explicou as minhas funções na nave. Explicou que seria a mecânica, depois de três meses de estudos tive que fazer vários reparos em diversos setores da Ragnarok, mostrou também o que eu tomei como guia para a minha vida.


A estrela guia.


— O nosso novo lar – assim falavam.


A Terra já não existia, somente lembranças eram passadas naquele telão no refeitório do que outrora fora a Terra.


Depois de um ano de atividades, agora entendendo melhor do que se travava, fui novamente para a minha cápsula criogênica, Maria sorriu ao fechar aquele compartimento de vidro e disse deste modo:


— Se vemos daqui dez anos.


E foram deste modo os meus dias.

Ao acordar aprendia novas funções e vivia plenamente naquela escuridão o ano de fixação que outrora era importante viver. Recebia várias injeções e todos os dias era analisada com os amigos. Parecíamos ratos de laboratório, tal qual dos desenhos de infância na Terra.


O médico sempre falava.


"Esta tudo bem? Vocês são a esperança da humanidade." Era um fardo muito grande ser a esperança da humanidade.


Quando despertei aos meus 26 anos.

Nós mulheres, tivemos que gerar um filho, e isto tornou-se estranho. Pois, precisava viver um ano fazendo tantas coisas, e com um peso a mais para suportar.


Éramos vinte seis mulheres.


— Sobre o Amor? Sei que existe relação entre homem e mulher, mas para nós nunca foi permitido, pois, nosso tempo era escasso e no final de um ano precisávamos voltar àquela cápsula.


"Chorei quando tive que deixar uma criança de três meses."


Confesso que lembrava da mãe todas às vezes que via aquele menininho tão lindo.


Maria já velha dizia-nos:

"Não se preocupem, ele aprenderá com o tempo o que é ser um ser humano no espaço."

E foi assim os nossos anos:


Quando tive trinta e seis;

Quarenta e seis;

Cinquenta e seis;

Sessenta e seis;

Setenta e seis;


Oitenta e seis, o tempo passou. Agora o meu corpo já não é tão jovem. Nunca conheci o meu filho, não foi  permitido. Quando chegou o meu oitavo ciclo, descobri que a Estrela guia. Cuja qual eu tanto queria chegar. Nunca seria o meu novo sol e nem conheceria o meu novo lar.


Alguns enlouqueceram no processo. Não eu.


Tive que suportar todos os anos até chegar o momento de saber. Que sim, fiz parte daquela história, e graças a minha vida e ao meu esforço. Ragnarok chegará ao seu novo lar.



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Este e mais contos Geek você encontra no meu novo blog: 

https://contosgeek.blogspot.com/

21.11.22

Copa do mundo

Copa do mundo rolando e eu ganhei a minha camisa de amigo secreto, quem será que ganhará esta copa? 
 

Palavras ao Vento

Palavras ao vento

Causa em mim um lamento

Pois são palavras

São


Palavras ao vento

Se vão da mesma proporção

Que eu coloco ao mundo


Destas palavras ao vento

Se vão de modo vão

Então


Triste fim Waldryano

Poderia guardar as palavras

Todavia as soltou ao vento


Vá!

Busque!

Cada palavra e tente retornar

Ao seu mesmo lugar

Não palavras ao vento são...



Manuscrito de um viajante do tempo

 Meu pai sempre com uma obsessão por relógios antigos e viagem no tempo. Eu por Edgar Allan Poe. Ele um relojoeiro, de antiguidades, e eu prestes a me formar em Física.

A minha infância inteira observei meu pai dentro daquela oficina, antiga e empoeirada, montando preciosidades que não contrastam com o nosso tempo.

No projetor que era representado na mesa, assistia minhas séries. A tristeza de crescer sem um pai presente era suprida pela vida stream e também por livros, que lia no meu outro projetor holográfico, que outrora utilizava na mão.

— Filho, já vai substituir estes aparelhos obsoletos, pelos Nanobots que o governo irá disponibilizar. Ouviu Miro?

Não adiantava, meu pai estava obcecado. Ele queria provar uma teoria maluca, que teve em um sonho: Uma máquina do tempo.

Antes de ir à escola passava na frente da sua oficina, que era em um cômodo da nossa casa. Tentava um sorriso, um esboço de sentimento. Nada. Ele ficava em devaneio na frente daquelas minúsculas peças.

— Só mais um rubi encaixado nesta engrenagem, alinhada com o balanço, eu sei que é isto eu vi!

Fiquei a observar a decepção.

— Droga!

E mais uma vez desmontava para montar de novo aquele relógio de bolso.

— Eu sei que é um alinhamento, ele disse. Me olhou de soslaio e voltou a sua intensa rotina de buscar por aquela utopia.

— Deixe-o, vá estudar, até parece que esta perdendo o juízo, minha mãe interrompeu.

O estudo me tornou em um Físico. Alinhamento de prisma foi o meu trabalho de conclusão de curso. Quando retornei da capital já era homem feito e o conceito Nanobots foi implantado à população.

Era uma nanotecnologia que inseriria ao cidadão a uma Neuronet. Para isto, era aplicada na corrente sanguínea uma microscópica tecnologia através de um transmissor temporal (nas têmporas). Deste modo, tu terias a possibilidade de utilizar um sensor na pupila, que lhe traria informações advindas de Neuronet.

Agora eu era um cara moderno, estava conectado; minhas leituras e experiências estavam turbinadas!

— Meu pai? Bem, não aceitou a tecnologia, e o seu objetivo de vida, utópico, até mesmo neste tempo de progresso. Foi deslocado a um manicômio onde pessoas que não se adaptavam ao novo eram enviadas. Mas não era somente a adaptação que lhe fez ir para lá. Era a obsessão por raridade, e por um sonho que como disse era um sonho: Viajar no tempo.

Olho na mesa, permanecia naquele local o transmissor temporal que ele não aceitou, guardei no bolso, iria vender, e ganhar algum crédito adiante.

Fui a sua oficina. Olhei com nostalgia e busquei aquele relógio de bolso antigo que ele tanto trabalhara, pois iria levar comigo. Minha mãe já não estava entre nós. Precisava seguir meu rumo.

Encontrei e guardei as peças. Por tanto observar saberia montar e iria guardar para recordar.

Em casa, antes de dormir, minha obsessão por Poe continuava. Tentei dormir, mas o sono não vinha. E eu fazia várias leituras. — E como eu as fazia! Tentava entender o porquê de alguém tão talentoso nunca ter escrito um romance?

Neste instante, no meu apartamento, utilizo o meu visor óptico escolhendo um arquivo de informações, iria lidar com o relógio. Não encontrei, era muito obsoleto. Nem na Neuronet encontrava algo para fazer tal proeza.

Sentei à mesa e desmontei-o completamente. Peças minúsculas e um pequeno rubi. Lembrei-me do meu artigo. Alinhamento de prismas. "Vou montar e colocar os meus conceitos em ação como um souvenir neste relógio.", pensei. Deste modo, no meu novo emprego iria olhar para o relógio e para o meu trabalho de conclusão. Lembrarei, assim, de fatos importantes para minha vida.

Saí e busquei duas gemas pequenas. Era o que faltava.

— Agora um rubi, um diamante e uma esmeralda.

Comecei montar as peças daquele minúsculo quebra cabeça, o visor óptico ajudou, pois acessei uma lente de aumento microscópica e com muito cuidado coloquei o balanço.

Feito isso, bastava colocar o meu conceito de alinhamento de prisma em Ação. Segundo meu estudo, formular um alinhamento entre três pedras e em um momento exato de feixe de luz tornaria uma fusão de espectros, trazendo, deste modo, uma passagem temporal. Os cálculos foram convincentes, a ponto de receber nota máxima no curso. Todavia era agora que iria colocar em prática.

— Pronto! O alinhamento foi feito, um triângulo exato, montado naquele relógio. Precisava de mais cálculos para saber qual seria o momento exato do feixe de luz solar deveria reincidir naquele relógio com o meu conceito inserido nele.

Dormi. Fui ao meu novo emprego, havia muita coisa burocrática e comecei a pensar naquele relógio em casa. "Serei eu o próximo obcecado por relógios antigos e máquinas do tempo?", pensava.

— Máquinas do tempo?

Deixei o meu trabalho de lado, fui ao banheiro, acessei a Neuronet, e comecei a fazer cálculos. Revisei todo o meu artigo e fiquei entusiasmado, pareceu-me que as informações fluíram.

— Preciso visitá-lo.

E fui.

Era um local horrendo, as pessoas ficavam expostas em jaulas cibernéticas. Meu pai estava lá, mas não me reconheceu.

— Eu tenho certeza, eu sonhei, é possível, balbuciava ele.

Já em casa, triste, voltei a ler Poe, tentando esquecer a cena. Coloquei a mão no bolso, ainda estava lá o aparelho temporal que meu pai não instalou e pequenas gemas que sobraram.

Acessei a sala e voltei ao meu projeto de alinhamento do prisma.

— Era um feixe de luz, em um momento exato, era este o enigma. E tinha absoluta certeza que descobrira a charada.

— Acertei! Quando exatos ao meio dia coloquei aquele triângulo com um calculo perfeito, tanto das gemas como do tamanho em si, esperando que o que tanto estudara, fizesse efeito.

E fez.

Na parede daquela sala. Uma espécie de arco-íris abriu-se. E nele um vulto escuro. Peguei aquele relógio vintage e coloquei duas horas atrás.

— É isto!

Entrei naquele prisma e voltei para exatamente duas horas antes dos acontecimentos! Só que eu precisava ser mais preciso. Voltei ao relógio, mas dessa vez coloquei um calendário milenar e informações de localização. Sofri dias com isto, pois eram peças pequenas e uma engrenagem analógica. Tive que criar com uma impressora 3D muitas peças, até faltei ao trabalho.

— Do que importava? Era ousado e fantástico o conceito. A minha obsessão por Poe, era tão grande que a data foi no seu tempo. Ao colocar longitude e latitude, iria para o local onde queria.

Abri o prisma. Precisava me jogar, sem saber exatamente se estaria correto. Poderia morrer ao lançar-me naquela parede! Mas, se deu certo anteriormente... Precisava tentar.

E deste modo fui conhecer Edgar Allan Poe!


01


Quando me joguei naquela fenda nunca imaginei o que iria acontecer.      Estava agora em meio a um temporal de imagens e sentia meu corpo reluzir, coisas de segundos, que me pareceram horas.

Notei que estava em queda livre. Quando caí, acordei um mendigo daquele local. Era uma rua, mais precisamente um beco.

— Não se pode nem dormir sossegado!

Era noite. Iluminava a cidade algumas candeias que não representava o todo da cidade. Era um breu.

— Tu caíste do céu? Disse o mendigo que parecia bêbado. — Ah, deixa pra lá, bebi demais preciso dormir.

Meu corpo estava dolorido. Levantei e observei que a minha roupa não era apropriada, uma espécie de elastano térmica, que se adaptava ao ambiente. Precisava sair daquele local, mas com aquela roupa não.

O mendigo continuava a dormir.

Eu averiguei que meu relógio de bolso estava intacto, e no outro bolso estava com o projeto temporal do meu pai e algumas pequenas gemas extras que tinha trazido comigo. No meu tempo o diamante era manipulado, sendo corriqueiro e muito utilizado em equipamentos tecnológicos, bem como outras gemas também.

Olhei aquele mendigo fedido e entendi ser aquela, a roupa perfeita para perambular por aquele local em busca de Poe. Com muito custo acordei o tal.

— Preciso das tuas roupas. Trocaria por isto?

— Vale algum, este cristal?

— É um diamante, e dos bons, disse, aproximando-me do seu ouvido, que fedia a alguma bebida daquela época.

Tive que ficar pelado e ver aquele ser bizarro na sua intimidade. Quando ele vestiu as minhas roupas sentiu um estranhamento, pois ela aderira a pele de modo perfeito.

— Epa, coisa de bruxo isto! Disse o mendigo. Saiu com o cristal, que estaria com a vida ganha; beberia até morrer de cirrose e desfrutaria de belas mulheres.

Agora eu caminhava sem sentido certo, estava me habituando com a temperatura. Era bem estranho sentir frio e a roupa estava rasgada, suja e fedia a rato podre.

Pelos meus estudos, estava perto da casa do Poe. Meu plano era encontrar com ele, dar-lhe uma sugestão de livro, ou até mesmo oferecer-lhe a oportunidade de ir ao futuro para encontrar algo interessante para narrar, e voltar para o meu emprego chato de repartição.

Em uma taverna próxima, ouço socos, garrafas quebrando e muita confusão.    Logo depois vejo uma correria com um homem usando um sobretudo preto e chapéu da moda. Senti medo! Peguei aquela coberta, deitei no chão, me cobri e fiquei a espionar o sucedido.

Eu, com os 22 anos de idade, e olhei para o relógio averiguando a data, adentrei na Neuronet que misteriosamente funcionava, acessando meu sensor óptico e fiz alguns cálculos. Edgar Allan Poe estaria com vinte e cinco, era um jovem assim que eu encontraria.

A gritaria continuava. Parei de acessar, achei que poderia arrancar suspeitas. O tumulto estava vindo para o meu lado.

— Peguem este patife ladrão – alguém de sobretudo preto estava sendo jogado justamente onde eu estava.

Quando olhei, meu mundo que já estava bem abalado desmoronou. Eu o imaginava a partir de fotos, mas na minha frente, com um pequeno sangramento no supercílio, vi alguém muito parecido a mim.

— Poe, ladrão de cartas, vai ter que pagar — o outro dizia.

Olhos assustados agora viam duas pessoas muito parecidas.

— Bruxaria — gritou um, de longe. Ao escutarem um bater de asas de longe, todos saíram correndo.

Estávamos eu e ele frente a frente.


02


Quando os vândalos se dispersaram entendi, ao ver em um telhado próximo, um corvo com olhos vívidos que pousou e ficou a nos observar. Poe sentava na rua, colocando a mão no machucado. Tinha um olhar sombrio e assustador.

— Este animal me persegue – pegou um lenço no bolso e olhou para a ave. — Nunca mais serei o mesmo depois deste corte.

Ele me olhava, mas não sei se havia percebido a semelhança.

— O que foi? Parece que viu um fantasma! O que é isto? — Esqueci-me de disfarçar o projetil que me permitia acessar a neuronet. — És mudo ou o quê? Salvaste a minha vida, merece um rum.

Fomos a casa dele e tive outro encontro que arrepiou meus braços por completo. Um gato, com um instinto assustador, me olhou, passou as patas em mim e voltou ao seu dono.

— Parece que ela gostou de você. Ele sentou na cadeira e acendeu um cachimbo. — Fale alguma coisa, és mudo?

Serviu-me uma bebida. Em um gole só tentei digeri-la. Cuspi, no futuro não era permitido álcool, ainda mais com aquele teor. A gata preta miou e Poe, já recuperado do ferimento, riu. Eu disse:

— Meu Deus! – eu disse.

— Pelo menos não é mudo – respondeu.

— O que quer de mim?

— Sou do futuro, vim ajudar-te com o seu livro.


03


Pensei que o homem me chamaria de louco ou coisa assim.

— Como? — disse ele, tragando seu cachimbo.

— Será que até no futuro aquele cretino do Rufus fala de mim? Sou contista, não preciso escrever textos longos para deixar cravado na mente dos leitores meu conceito de arte.

— A propósito, o que é isto? Apontou para meu projétil transmissor que estava inserido na minha têmpora.

— É difícil explicar, mas trouxe um extra. Quer usar? – eu respondi.

— É uma a espécie de ópio, que causa alucinação? Pode parecer-te estranho, e a sua conversa me deixa confuso, no entanto, preciso criar, e escrevo de madrugada, não posso estar alucinado, nem sóbrio.

— Quer usar? — repeti. — Com este dispositivo poderás ter todo acesso de informação da Neuronet.

— Neuronet?

Pensei no tempo de Poe. Mesmo que brilhante seria muito complexo explicar conceitos de navegação digital.

— Use-o, parecerá uma sanguessuga fixada na sua testa num primeiro momento, depois sentirá algo estranho, e logo após a magia acontece. Com seus olhos poderá acessar informações de tempos futuros.

Poe levantou, parou de tragar o cachimbo, pegou o transmissor, e disse:

— Dê-me isto aqui, não tenho medo nem de cemitério, quiçá de uma sanguessuga, seu bruxo. E colocou-o.

Sentou naquela cadeira novamente. Sua pupila dilatou e logo após o sensor óptico estava instalado. Poe ficou em transe, o gato miava desesperado. O felino me olhou com olhos vorazes. E se aproximou me de um modo ameaçador. Poe estava degustando de todo o conhecimento de um futuro distante, e aquele gato afiando as garras naquela madeira, vindo em minha direção.


04


Quando o Gato estava se achegando, senti que a morte estava próxima. Aquele gato seria um ser maligno que cravaria suas unhas no meu pescoço por ter feito mal ao seu dono?

Allan saiu do seu transe, de modo assustadoramente natural.

— Catarine, não faça mal ao moço — disse ele. A propósito me dê o seu dispositivo de viagem no tempo, li os manuscritos que você esta escrevendo. Estava narrando a minha aventura, desde que comecei estas viagens. Realmente, seria bom conhecer o futuro com a tua bruxaria.

 Dei-lhe o relógio. Ele olhou falando...

— Tão moderno este aparelho – falou enquanto olhava o objeto. Clicou no botão, girou a coroa e foi. O gato deu duas miadas, o suficiente para voltar. Com o cabelo despenteado e com um rosto esbranquiçado. O excêntrico entoou:

— Vai embora, preciso criar.

O gato parecia um felino e o dono já estava entendendo que lhe parecia um tormento qualquer ver-se duplicado e conversar coisas totalmente sem sentido com um estranho. Retirou o projétil.

— E leve a sua sanguessuga com você.

Quando voltei, corri ler o romance que escreveu. Decepcionei-me! Com todo o conhecimento em mãos, a oportunidade de viajar para qualquer momento do futuro... O rapaz se viu motivado a narrar um fato real que aconteceu cinquenta anos depois da sua morte?

Ele era muito parecido comigo, isto me deixava intrigado.

Precisava visitá-lo mais uma vez, somente mais uma vez, para seguir a minha vida.

Ele estava lá. Eu compreendi do quem se tratava e de um modo bastante ameaçador. Agora, com a consciência em si, meu pai falou:

— Me dê o relógio, eu preciso voltar!

Era ele, meu pai era Edgar Allan Poe. Dei-lhe o relógio e ele se despediu-se de mim com um olhar triste.

— Eu? Fui preso naquele manicômio por infligir às leis da Neuronet. Descobriram que de algum modo fiquei off-line do sistema. Restando somente o tempo de colocar meus manuscritos em um arquivo criptografar e lança-lo na Neuronet. Depois veio aquela injeção...


2300 palavras

Conto de ficção científica steam punk

Autor; Waldryano


Este conto ficou em 6º lugar no concurso scfi-fi Wattpad oficial Abril 2018

Agradecimentos:

Antes de Mais nada, Gostaria de Citar.

O conto faz referência em forma de homenagem a três contos de Poe:


O Corvo

O Gato Preto

Manuscrito encontrado numa garrafa



18.11.22

Bird Box [ impressões]

 Crítica e Resenha: Bird Box

Filme: Netflix


Olá; Eu, como muitos por aí, estou nesta de espreguiçar no sofá e ficar a ver as recomendações da Netflix e Bora ver.

E fui eu assistir a um filme original Netflix o tal do Bird Box (Caixa de passarinho)...


Confesso que brilhou meus olhinhos em visualizar a Sandra Bullock por lá.


Simpatizo com ela dês do Miss Simpatia, ou do Gravidade. Boa atriz pra mim ela retrata bem uma americana e é agradável a sua atuação, sempre. Ou seja, parece me que qualquer filme dela por mais que seja tosco pra crítica do blábláblá pra mim é um ótimo entretenimento. E eu queria me jogar no sofá e não ficar pensando em termos técnicos coisa e tal, queria ver uma história e só. E fui me aventurar. Um filme pós apocalíptico, algo alucinógeno esta assolando o mundo. Todos que veem sem venda nos olhos são movidos por um surto suicida. E poucos conseguem se safar (lembra bem os Power Ranger que tudo acontecia na Alameda dos Anjos?) Ou o Jaspion que tudo acontece em Tóquio. O filme pra mim passou uma perspectiva bem digamos regional.


E vai a nossa heroína grávida tentar se salvar do surto. Entra numa casa onde todos os Power Ranger estão. Exemplo: O Japonês, o Negro, o Velho, a gorda, e o casalzinho testosterona (tipo todos os que vão assistir precisam se sentir representados tá? E estão todos sem saber o que fazer. E começam a deduzir que é olhar que faz acontecer o surto, logo, por isto vendam os olhos e cobrem as cortinas (by: "Os Outros" da mulher que não podia deixar os filhos ver luz). Já esta sacada do desconhecido, me deixou interessado. Claro que todos os personagens iriam morrer um por um até Restar somente a Sandra não é?


E Claro que adentrariam dentro de um supermercado abandonado pra fazer uma comprinha sem pagar:

Tipo o caos;

Uma boa ideia;

Um filme rápido.


Ela vai e ganha o filho em meio ao caos, o clichezão fez outra ganhar o filho junto dela. Dois personagens deram a luz enquanto os outros eram assassinados por um maluco. Muito clichê, coisa que deu certo ali usa aqui. Mas é isto leitor, é pra espreguiçar no sofá e assistir sem pensar muito. Eu ficava pensando ao assistir o filme...


Numa situação assim, acho que haveria pessoas ferindo os olhos para ficar cego.


E também morando em subterrâneos;

Não entendi animais sofreram com este caos?

Fiquei na dúvida de várias coisas, e também com o final que fez retomada ao nome Bird Box. Mas recomendo, bom filme pra assistir.... Spoiler é o final não explica nada. Só nos últimos 5 minutos que há a explicação de como se salvar do caos.

Pra mim foi uma boa ideia, porem um roteiro preguiçoso, bem entreter mesmo.


Ah, usar criancinha é apelação Netflix... Fui assistir as diversas explicações a respeito do Filme. Primeiramente o filme é adaptação de um livro. Logo no livro por ser uma narrativa é bastante sensorial, ou seja, sensações dos personagens, e pensamentos é o ponto alto nele. Outra coisa é a mensagem que o livro ( e o filme) retratam. Por exemplo: A protagonista Malory era bastante reservada, até mesmo compras do supermercado era a sua irmã que fazia para ela. Há cenas do isolamento das pessoas, antes do caos.


Outro exemplo: É o conectado que faz as pessoas isolarem se sem saber.


Mas o Monstro ou o vento com folhas que dilatam a pupila. Este era o meu objeto investigativo que me fez escrever este post. Na internet, no youtube e na minha concepção, fala de um ser superior, ou extraterrestre, ou uma divindade, que possui um conhecimento que vai além do infinito, e para isto o cérebro humano não é apto de discernir. Logo o Caos. Seria uma resposta.


Mas o filme é uma interpretação pessoal. Poderia ser uma arma química? Mas se assim o fosse, se arrastraria pelo ar. Achei meio estranho um pequeno isolamento de uma toalha transpassada ou um cômodo isolado para poupar a pessoa de passar pelo processo de caos, logo a confusão mental e a morte.

Preferindo pensar que o que esta acarretando a esta população seria algo palpável, volto para espirito, ou um ser de outro planeta. Deste modo fico na dúvida, Como os animais suportariam a tal impacto. Os pássaros conseguem a sobreviver ao ataque? O resto do sistema como suportaria? 


Dentro da água peixes morreriam? Se quer uma coisa verossímil precisa ao menos citar. A referência ao monstro vê se nos desenhos do maluco. Lembrando que pessoas com desordem mental não sofrem com o tal monstro, afinal a desordem delas as tornam imunes. Nos desenhos parece me um conto de H. P Lovecraft. Seria uma inspiração ou referência? Então voltando ao filme, ele foi bem intimista e regional, mostrou a perspectiva de uma personagem, e a sua jornada em meio a sobreviver.

No entanto, o filme pra mim demonstra sensações e sentimentos humanos, e como a nossa mente suporta a pressão. Acho que esta seria a verdadeira mensagem do filme. O desconhecido é algo que nos trás medo.


A morte?

Vida em outros planetas?

Espíritos?


E saber que tudo isto esta logo ali, no entanto você de maneira nenhuma pode ver ou interagir? Seria algo bem mais proveitoso numa narrativa, pois expor em imagens seria algo bastante complicado. Quando leio ou li os contos deste autor que citei, me remetem a estes sentimentos, logo o filme possui esta pegada, o monstro (segundo vi pelos vídeos do youtube) até foi cogitado aparecer. No entanto, sabiamente tiraram, pois ao meu entendimento este monstro se faz na subconsciência de cada um.


Resenha escrita por Waldryano 

Reproduzido no Recanto das Letras

[texto revisado ]

16.11.22

Exception [impressões finais]

Exception

No futuro distante, a humanidade foi forçada a deixar a Terra e migrar para outra galáxia. Uma espaçonave é enviada para um novo planeta para terra formá-lo e a tripulação é criada uma a uma por uma impressa 3D biológica. No entanto, ocorre um erro fatal durante a criação de um dos membros. A tripulação então começa a se deparar com uma série de eventos imprevisíveis.


Nova série de anime da Netflix com a temática Ficção Científica: Estou assistindo e como homenagem, vou tentar criar um conto baseado nela. Será que consigo?


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Neste final de semana, consegui terminar esta série. Como todas as séries, eu vou ver o que a crítica tem a dizer sobre...


Quem desenhou os personagens, foi um artista responsável por vários clássicos do vídeo game. Final Fantasy, logo, o visual e traço, a mim, que me criei jogando final fantasy, foi agradável.


Gostei mesmo do plot (enredo) da série. Não foi explicado muito bem, porém a Terra já não existe, seres humanos estão viajando no espaço em um sono criogênico onde esperam chegar ao lugar que será o novo lar.


Ao ler, observei que o possível planeta habitável está a 587,1 anos-luz da Terra. 

É muito longe. Sei a grosso modo que estão quase conseguindo reatores de fusão nuclear já estão sendo estudados e a tentativa de controle desta fonte de energia. A partir daí, viagens em velocidades imensuráveis serão cogitadas. Todavia, ainda é algo impensável. Viajar na velocidade da luz, na melhor das hipóteses, seria 587 anos de viagem algo impensável. Então seria, capsula de criogenia com seres humanos para habitar tal planeta? A única hipótese possível.


Outro fato citado na série e amplamente difundida no universo Geek é a viagem em dobra. Daí outro impedimento surge nesta hipótese. Um ser humano suportaria uma viagem em dobra? onde o universo seria dobrado e o viajante poderia passar hipoteticamente por um buraco negro artificial. Na série não seria possível, entretanto, enviado uma nave de reconhecimento com a possibilidade de uma impressora 3d biológica.


Outro nome interessante citou a série. Impressora 3d biológica. No Campus party de 2022 tem desta. Imprime uma carne pasmem. Então já é algo discutível e mensurável de se enredar.


Na impressora que foi acionada ao chegar-se perto do planeta habitável que precisaria ser preparado para receber os seres humanos. Dentro de uma nave de reconhecimento foi ligada tal impressora que imprimiu a população responsável por tornar o planeta habitável, antes da chegada da nave mãe com os seres humanos reais. (estranho esta definição de imprimir cópias de seres humanos).


Na série, há conspiração, e ao final, somente 1 ser impresso fica disposto a povoar o novo mundo. Para que o novo planeta fosse possível a habitação, foi "extinto" os seres viventes daquele planeta. Uma espécie de algas vivas translucidas. E ao final da série, o planeta já habitável, seria povoado por impressos de animais e toda a vida devidamente catalogado e preservado em uma impressora 3d com o nome sugestível. Útero.


A ficção científica no modo literal, se alimenta de hipóteses e descobertas. Logo, eu que sou um Geek surfo nessa onda.




8.11.22

Visitar minha mãe

Ontem à tarde fui ao cemitério onde a minha mãe descansa. E, trouxe lhe flores rosas e roxas, confesso que não eram as mais bonitas, e olhando com mais detalhes pude perceber uma centena de parasitas inquietos e pegajosos as acompanhavam em seus caules. Imaginei a voz da minha mãe com um realismo que me emocionou enormemente: 

“Não importa Daniel”

“Fica calmo, esses bichinhos nem me percebem” 

Na minha memória a vi sorrindo, satisfeita. Lembro que a limpeza era algo que o preocupava muito, então lavei o mármore, varri e limpei o prato com uma flanela. Depois fiquei um momento em silêncio junto ao túmulo. Sabe intrépido leitor, sinto um tom desconfortável em falar com os mortos.

Porém, me esforcei, afinal já estava ali, e por um coletivo habitual, antes de sair eu disse a mim mesmo que me esforçaria para agir corretamente. Foram poucas palavras, abruptamente interrompidas por um: "Bem... Até breve" Sim, eu disse poucas palavras, "O que eu teria dito a ela em vida?" da mesma forma, com o mesmo tom de voz, contendo inutilmente alguns sentimentos. Então eu imaginei de novo, para ver, o rosto da minha mãe, protetor, feliz, jovem e bonito, e... Saí, porque como você sabe eu não tenho este hábito em falar com os mortos.

*Já retornando para minha casa, silenciosamente e só, de repente, um vento impetuoso surgiu. Era frio e desconfortável, senti entre algumas janelas da vizinhança  um sussurro cortante, minha mãe surgiu nítida na minha memória, e o frio se tornou em um suor, afinal, parecia que estava na frente da minha mãe e tudo agora começava a surtir sentido. Olhei para os lados na esperança de ver outras pessoas, e tirar-me daquele dejavu assustador. Não encontrei. Vi as formigas andarem pelo caule de uma árvore, que demonstrava estar morta.*

Apressei o passo, e o arrependimento de ir a pé naquele lugar inóspito fez eu concluir: "Preciso vir vê-la mais vezes."

*Ampliado e traduzido com reescrita criativa* "Conto: Blanca"  por: Waldryano.

©Daniel Cabaza < https://albalearning.com/audiolibros/varios/cabaza_blanca.html >

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