Como
vão vocês? Finalizando a parte teórica do nosso Guia de estudo literário
brasileiro. Hoje falaremos sobre o modernismo brasileiro, a primeira geração,
que também é conhecida como a pré-modernismo, foi aquela presente na Semana da
arte já conversamos sobre ela. Foi aquele momento onde se reuniram muitos
'pensantes' que buscavam a quebra daquela 'dependência' de inspirar-se no que
era criado na Europa, grande centro exportador de estilo até então. Foi
oferecido vários debates que surtiram efeito. Na segunda fase, acalmaram-se um
pouco os ânimos, mas os frutos vieram, muitos autores regionais se firmaram na
literatura. Na poesia destaque para a autora Cecília Meirelles que demonstrou
uma retomada ao simbolismo, com toque feminino, também é importante destacar
Carlos Drummond de Andrade neste período. A terceira Geração, a literatura
intimista e psicológica de Clarisse Lispector foi destaque e João Guimarães
Rosa aplicou estilismo na sua literatura regionalista. Surge o movimento
concretismo onde o texto poderia passar a mensagem através de sensações visuais.
Finalizamos nosso guia de teoria literária informativa sobre os períodos literários
brasileiro. Muita leitura, no entanto, é necessária, ao escrever entender o
progresso literário e como isto pode influenciar no nosso texto. Muitas vezes,
escrevemos e no nosso estilo existem muitos resquícios destes autores citados
ao longo do guia. São informações implícitas que agora você, com o conhecimento
aqui apresentado, podem aprimorar seu estilo e aplicar a partir de então uma
melhora textual.
O modernismo brasileiro foi
um amplo movimento cultural que repercutiu fortemente sobre a cena artística e
a sociedade brasileira na primeira metade do século XX, sobretudo no campo da
literatura e das artes plásticas. O movimento no Brasil foi desencadeado a
partir da assimilação de tendências culturais e artísticas lançadas pelas
vanguardas europeias no período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, como o
Cubismo e o Futurismo. As novas linguagens modernas colocadas pelos movimentos
artísticos e literários europeus foram aos poucos assimiladas pelo contexto
artístico brasileiro, mas colocando como enfoque elementos da cultura
brasileira. Considera-se a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, em
1922, como ponto de partida do modernismo no Brasil. Porém, nem todos os
participantes desse evento eram modernistas: Graça Aranha, um pré-modernista,
por exemplo, foi um dos oradores. Não sendo dominante desde o início, o
modernismo, com o tempo, suplantou os anteriores. Foi marcado, sobretudo, pela
liberdade de estilo e aproximação com a linguagem falada, sendo os da primeira
fase mais radicais em relação a esse marco. Didaticamente, divide-se o
Modernismo em três fases: a primeira fase, mais radical e fortemente oposta a
tudo que foi anterior, cheia de irreverência e escândalo; uma segunda mais
amena, que formou grandes romancistas e poetas; e uma terceira, também chamada
Pós-Modernismo por vários autores, que se opunha de certo modo a primeira e era
por isso ridicularizada com o apelido de Parnasianismo.
Primeira geração
(1922-1930)
O seu sentido
verdadeiramente específico. Porque, embora lançados inúmeros processos e ideias
novas, o movimento modernista foi essencialmente destruidor. “A Primeira Fase
do Modernismo foi caracterizada pela tentativa de definir e marcar posições,
sendo ela rica em manifestos e revistas de circulação efêmera. Foi o período
mais radical do movimento modernista, justamente em consequência da necessidade
de romper com todas as estruturas do passado. Daí o caráter anárquico dessa
primeira fase modernista e seu forte sentido destruidor, assim definido por
Mário de Andrade:”... Alastrou-se pelo Brasil o espírito destruidor do
movimento modernista. Havia a busca pelo moderno, original e polêmico, com o
nacionalismo em suas múltiplas facetas. A volta das origens, através da
valorização do indígena e a língua falada pelo povo, também foram abordados.
Contudo, o nacionalismo foi empregado de duas formas distintas: a crítica,
alinhado a esquerda política através da denúncia da realidade, e a ufanista,
exagerado e de extrema direita. Devido à necessidade de definições e de
rompimento com todas as estruturas do passado foi a fase mais radical,
assumindo um caráter anárquico e destruidor. Um mês depois da Semana de Arte
Moderna, o Brasil vivia dois momentos de grande importância política: as
eleições presidenciais e o congresso de fundação do Partido Comunista em
Niterói. Em 1926, surge o Partido Democrático, sendo Mário de Andrade um de
seus fundadores. A Ação Integralista Brasileira, movimento nacionalista
radical, também vai ser fundada, em 1932, por Plínio Salgado.
>Manifesto Pau Brasil,
Oswald de Andrade:
Escrito por Oswald de
Andrade e publicado inicialmente no Correio da Manhã. Em 1924, é republicado
como abertura do livro de poesias Pau-Brasil; Pé de Oswald. Apresenta uma
proposta de literatura vinculada à realidade brasileira, a partir de uma
redescoberta do Brasil. Este manifesto dizia que a arte brasileira deveria ser
de "exportação" tal qual o Pau-Brasil.
>Manifesto Regionalista:
De 1925 a 1930 foi um
período marcado pela difusão do Modernismo pelos estados brasileiros. Nesse
sentido, o Centro Regionalista do Nordeste (Recife), presidido por Gilberto
Freyre, busca desenvolver o sentimento de unidade do Nordeste nos novos moldes
modernistas. Propõem trabalhar em favor dos interesses da região, além de
promover conferências, exposições de arte, congressos etc. Para tanto, editaram
uma revista. Vale ressaltar que o regionalismo nordestino conta com Graciliano
Ramos, Alfredo Pirucha, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Antonio de
Queiroz, Lucas Amado e João Cabral, em 1926. O manifesto é muitas vezes dúbio,
pois, ao mesmo tempo em que critica o provincianismo à la paulistocentrismo que
atrapalha o regionalismo, acaba gerando um recifilismo pernambucocentrista. Do
mesmo modo critica certas influências do Ocidente Setentrional e ao mesmo tempo
vangloria-se de influências ibéricas, holandesas, etc; ignora que as
civilizações nordestinas surgem fundadas por ocidentais ibéricos, franceses,
holandeses, etc e depois volta atrás.
>Manifesto Antropofagia:
É a nova etapa do
Pau-Brasil, sendo resposta a Escola da Anta. Seu nome origina-se da tela
Abaporu (O que come) de Tarsila do Amaral.O Movimento antropofágico foi caracterizado
por assimilação ("deglutição") crítica às vanguardas e culturas
europeias, com o fim de recriá-las, tendo em vista o redescobrimento do Brasil
em sua autenticidade primitiva. Contou com duas fases, sendo a primeira com dez
números (1928 – 1929), sob direção de Antônio Alcântara Machado e gerência de
Raul Bopp, e a segunda publicada semanalmente em 25 números no jornal Diário do
Rio de Janeiro em 1929, tendo como secretário Geraldo Ferraz.
**
Segunda
Geração (1930-1945)
Estendendo-se de 1930 a
1945, a segunda fase foi rica na produção poética e, também, na prosa. O
universo temático amplia-se com a preocupação dos artistas com o destino do
Homem e no estar-no-mundo. Ao contrário da sua antecessora, foi construtiva. Não
sendo uma sucessão brusca, as poesias das gerações de 22 e 30 foram
contemporâneas. A maioria dos poetas de 30 absorveram experiências de 22, como
a liberdade temática, o gosto da expressão atualizada ou inventiva, o verso
livre e o antiacademicismo. Portanto, ela não precisou ser tão combativa quanto
a de 22, devido ao encontro de uma linguagem poética modernista já estruturada.
Passara, então, a aprimorá-la, prosseguindo a tarefa de purificação de meios e
formas direcionando e ampliando a temática da inquietação filosófica e
religiosa, com Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt,
Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade. A prosa, por sua vez, alargava a sua
área de interesse ao incluir preocupações novas de ordem política, social,
econômica, humana e espiritual. A piada foi sucedida pela gravidade de
espírito, a seriedade da alma, propósitos e meios. Essa geração foi grave,
assumindo uma postura séria em relação ao mundo, por cujas dores, consideravam-se
responsável. Também caracterizou o romance dessa época, o encontro do autor com
seu povo, havendo uma busca do homem brasileiro em diversas regiões, tornando o
regionalismo importante. A Bagaceira, de José Américo de Almeida, foi o
primeiro romance nordestino. Rachel de Queiroz, Jorge Amado, José Lins do Rego,
Érico Veríssimo, Graciliano Ramos, Orígenes Lessa e outros escritores criaram
um estilo novo, completamente moderno, totalmente liberto da linguagem
tradicional, nos quais puderam incorporar a real linguagem regional, as gírias
locais. O humor quase piadístico de Drummond receberia influências de Mário e
Oswald de Andrade. Vinícius, Cecília, Jorge de Lima e Murilo Mendes
apresentaram certo espiritualismo que vinha do livro de Mário Há uma Gota de
Sangue em Cada Poema (1917). A consciência crítica estava presente, e mais do
que tudo, os escritores da segunda geração consolidaram em suas obras questões
sociais bastante graves: a desigualdade social, a vida cruel dos retirantes, os
resquícios de escravidão, o coronelismo, apoiado na posse das terras - todos
problemas sociopolíticos que se sobreporiam ao lado pitoresco das várias
regiões retratadas.
Terceira Geração
(1945-1975)
Com a transformação do
cenário sociopolítico do Brasil, a literatura também se transformou: O fim da
Era Vargas, a ascensão e queda do Populismo, a Ditadura Militar, e o contexto
da Guerra Fria, foram, portanto, de grande influência na Terceira Fase. Na prosa,
tanto no romance quanto no conto, houve a busca de uma literatura intimista, de
sondagem psicológica e introspectiva, tendo como destaque Clarice Lispector. O
regionalismo, ao mesmo tempo, ganha uma nova dimensão com a recriação dos
costumes e da fala sertaneja com Guimarães Rosa, penetrando fundo na psicologia
do jagunço do Brasil central. A pesquisa da linguagem foi um traço
característico dos autores citados, sendo eles chamados de instrumentalistas. A
geração de 45 surge com poetas opositores das conquistas e inovações
modernistas de 22, o que faz com que, na concepção de muitos estudiosos (como
Tristão de Athayde e Ivan Junqueira), esta geração seja tratada como
pós-modernista. A nova proposta, inicialmente, é defendida pela revista Orfeu
em 1947. Negando a liberdade formal, as ironias, as sátiras e outras
características modernistas, os poetas de 45 buscaram uma poesia mais
"equilibrada e séria". No início dos anos 40, surgem dois poetas
singulares, não filiados esteticamente a nenhuma tendência: João Cabral de Melo
Neto e Lêdo Ivo. Estes considerados por muitos os mais importantes
representantes da geração de 1945.
Autores Modernistas e suas
obras:
Primeira
Fase (1922 a 1930)
>Mário de Andrade:
Paulicéia Desvairada; Lira Paulistana; Contos Novos; Amar, Verbo Intransitivo;
Macunaíma; A Escrava que não é Isaura; Os Filhos da Candinha.
>Oswald de Andrade:
Pau-Brasil; Primeiro Caderno de Poesia do Aluno Oswald de Andrade; Os
Condenados; Memórias Sentimentais de João Miramar; Serafim Ponte Grande; O Rei
da Vela; Um Homem sem Profissão.
>Manuel Bandeira: A
Cinza das Horas; Carnaval; Libertinagem; Estrela da Manhã; Estrela da Tarde;
Estrela da Vida Inteira; Noções da História das Literaturas; Itinerário de
Pasárgada; De Poetas e de Poesia.
>Antônio de Alcântara
Machado: Brás, Bexiga e Barra Funda; Contos Avulsos; Pathé-Baby; Cavaquinho e
Saxofone.
>Cassiano Ricardo:
Dentro da Noite; Borrões do Verde e Amarelo; Martim-Cererê; O Sangue das Horas;
Jeremias sem Chorar; O Brasil no Original; O Negro na Bandeira; O Homem
Cordial; 22 e a Poesia de Hoje.
>Menotti Del Picchia:
Poemas do Vício e da Virtude; Juca Mulato; A filha do Inca; Salomé; O Pão de
Moloch; O Despertar de São Paulo; No país das Formigas; A Revolução Paulista; Suprema
Conquista.
>Guilherme de Almeida:
Nós; A Dança das Horas; Encantamento; Cartas Que Eu Não Mandei; >Camoniana;
Mon coeur balance e Leur ame (parceria com Osvald de Andrade).
Segunda
Fase (1930 a 1945)
>Carlos Drummond de
Andrade: Alguma Poesia; Sentimento do Mundo; A Rosa do Povo; Claro Enigma;
Fazendeiro do Ar e Poesia até Agora; A Bolsa e a Vida (crônicas e poemas);
Cadeira de Balanço (crônicas e poemas); Contos de Aprendiz; Fala, Amendoeira.
>Murilo Mendes: Bumba
meu Poeta; Tempo e Eternidade (parceria com Jorge de Lima); Mundo Enigma;
Janela do Caos; Poliedro; O Discípulo de Emaús.
>Jorge de Lima: XIV
Alexandrinos; O Mundo do Menino Impossível; Quatro Poemas Negros; Invenção de
Orfeu; Salomão e as mulheres; A Mulher Obscura; A Filha da Mãe D'Água; Ulisses;
A Comédia dos Erros; Os Retirantes (roteiro cinematográfico).
>Cecília Meireles:
Viagem; Vaga Música; Romanceiro da Inconfidência; Ou isto ou Aquilo; O Menino
Atrasado; Olhinhos de Gato; Giroflê, Giroflá; Evocação Lírica de Lisboa;
Escolha o seu Sonho; Inéditos.
>Vinícius de Morais: O
Caminho para a Distância; A Arca de Noé; Orfeu da Conceição; Pobre Menina Rica;
Para viver um Grande Amor; Para uma menina com uma Flor.
>João Guimarães Rosa:
Sagarana; Corpo de Baile - Manuelzão e Miguilim, Noites do Sertão; Grande
Sertão: Veredas; Primeiras Estórias; Tutaméia; Estas Estórias; Ave, Palavra.
>Clarice Lispector:
Perto do Coração Selvagem; A Maçã no Escuro; A Paixão segundo G. H.; Uma
Aprendizagem ou Livro dos Prazeres; Água Viva; A Hora da Estrela; Laços de
Família; A Legião Estrangeira; A Mulher que Matou os Peixes.
Finalizamos nosso Guia, e
ele serviu a você querido leitor, e escritor por que não? Ter embasamento,
saber onde você esta colocando os seus pés e também saber: - O ato de levantar
a pena é sublime, e você pode escrever, pense assim: - Você só tem uma vida
para viver: - Viva-a! Aproveite desta plataforma e alce voos. A escrita é
através da prática que você a aprimorará. Não fique se travando, escreva! Você
leu aqui a história da literatura e da narrativa, agora você já esta se
apoiando no ombro de gigantes. Escreva!
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