Sou casado há mais de 15 anos. Tenho uma filha, que hoje está com 12 anos, e um monte de pets — risos.
Tenho a Kiara, uma lhasa de 5 anos. Também tenho um gato caramelo de quase 1 ano. No meu terreiro, há um casal de coelhos: Dalila e Pompom. Na verdade, nunca saberei ao certo se é Dalilo e se a Pompom é macho. Só sei que são um casal e estão comigo já há 4 anos.
Mas, para falar a verdade, queria falar dos que já se foram.
A Pipoca e a Lilica.
A Pipoca foi uma porquinha-da-índia que viveu conosco por cerca de 2 anos. Certo dia, voltando de uma noite de trabalho — naquela época eu trabalhava na indústria — encontrei a Pipoca amoada. Desesperado, levei-a ao veterinário. Cansado, fui dormir às 10 da manhã. Mais tarde, ligaram dizendo que a Pipoca havia morrido.
A veterinária fez questão de tirar um raio-x para entender a causa da morte. Segundo ela, a Pipoca morreu por gases. Depois de pagar 400 reais pelo exame na já falecida e mais 120 pela consulta, levei-a de volta para casa.
Tempos depois, pesquisando, descobri que porquinhos-da-índia são extremamente sensíveis. No dia anterior, durante o exame, ouvi um “fuim” diferente, quase um som de desespero. Talvez tenha sido susto. Nunca saberei ao certo.
Já a Lilica era uma cachorra de grande porte que ficava no meu terreiro. Nunca teve muito contato com outros cães, nem com o mundo externo. Desde pequena, vivia entre a lavanderia e o quintal.
Por dó, por querer que ela conhecesse um pouco da vida, comecei a passear com ela à noite. Todos os dias dávamos pequenas voltas em frente à casa.
Então veio a cinomose.
Foram cerca de quatro meses de sofrimento, tentando reverter a situação. Não consegui. Dessa vez, paguei 400 reais para um veterinário — ruivo, barbudo — vir até minha casa aplicar a injeção final. Ele a levou depois. Lilica tinha apenas 4 anos.
O envelhecimento é inevitável. A morte também.
No caso desses pets que citei, posso dizer que dividiram a existência comigo. A Lilica, por exemplo, esteve ao meu lado durante a pandemia, no isolamento. Muitas vezes foi minha confidente. Era uma cachorrona saudável, bem alimentada, gordinha e bonita. Lembrava muito um Border Collie, toda preta.
No fim da tarde, era sagrado: abrir a porta e passar um tempo com ela.
Já a Pipoca era esfomeada. Bastava ver um humano que começava com seus “fuim fuim”, pedindo comida.
Hoje tenho meus coelhos. Um deles, antes preto intenso, agora já apresenta fios brancos na pelagem. Outro dia o peguei para examinar e percebi que seus dentes parecem mais frágeis.
Eles vivem no quintal, com grama, e cavaram uma toca embaixo de um antigo viveiro de passarinhos, onde se abrigam. Dou ração uma vez por dia, troco a água, e assim seguimos.
Eles vieram depois da morte da Lilica. Por conta da cinomose, achei mais prudente mudar o tipo de pet.
Nesse meio tempo, vi muitos partirem.
Destaco minha avó, Nair, que passou dos noventa anos. Fiquei em Faxinal até o momento em que a vi ser colocada na urna da família. Naquele dia, caminhei pelo cemitério e observei os túmulos: alguns de mármore, outros apenas com uma simples lápide.
É nesse processo de envelhecer que a vida vai levando pessoas. Uma espécie de reciclagem natural. E é nesses momentos que aprendemos, de fato, que a morte existe.
E que o nosso relógio existencial está correndo. Pra constar hoje é 04 de Maio de 2026.

0 Comentários