O Adeus
Hoje foi o dia de nos despedirmos do senhor Augusto.
Aos 75 anos, ele encerrou sua jornada nesta terra, deixando para trás uma história marcada pela simplicidade, pela bondade e pela generosidade. Era o avô da minha esposa, Thiphany, e também nosso vizinho de parede durante muitos anos.
Sempre vou me lembrar dele trazendo pão para nossa casa às terças-feiras. Era um gesto simples, mas que demonstrava o tamanho do seu coração. Seu Augusto era uma pessoa boa, caridosa e querida por todos que conviviam com ele.
Deixou três filhos: Caprice, mãe da minha esposa; Beto; e Aldo. Foi casado com dona Ieda durante muitos anos. Após o falecimento dela, há cerca de dez anos, ele encontrou novamente companhia e passou a viver com outra senhora, que o acompanhou até os seus últimos dias.
No velório, foi possível vê-lo pela última vez, já repousando no caixão, aguardando o momento da despedida definitiva: o sepultamento. Enquanto estava na funerária, conversei um pouco com o proprietário. Como realizo inspeções em funerárias da cidade, acabamos relembrando uma das inspeções que fiz naquele local e tivemos uma conversa bastante produtiva.
Também aproveitei para rever familiares e conhecidos. Estavam presentes o pastor Genésio, o irmão Edivaldo, o Maé e um pastor da Igreja Batista que eu não conhecia. Todos desempenharam um importante papel de capelania, oferecendo palavras de conforto e esperança aos presentes.
Às quatro horas da tarde seguimos para o cemitério. Porém, devido à fratura no meu pé, estou utilizando uma bota ortopédica. O local do sepultamento exigia uma descida por uma ladeira, seguida por alguns degraus. Vi todos seguindo em direção ao túmulo, mas percebi que não conseguiria acompanhar com segurança. Caminhava muito devagar e, ao notar que ainda teria mais escadas pela frente, decidi retornar.
Enquanto aguardava, resolvi procurar o túmulo do meu tio, José de Jesus Rodrigues, falecido em meados de 2009. Eu me lembrava apenas aproximadamente da região onde ele estava sepultado. Procurei por algum tempo, mas não conseguia encontrá-lo.
Então fiquei esperando meu sogro retornar. Pouco depois, minha esposa apareceu com nossa filha e comentou que havia encontrado um túmulo cuja fotografia parecia muito com a do meu pai. Fui verificar e, para minha surpresa, era realmente o túmulo do meu tio. Ela o encontrou no Cemitério Jardim das Saudades.
Foi um momento inesperado e emocionante.
Esse foi o meu dia: o adeus.
Quando visitamos um cemitério, inevitavelmente nos tornamos mais introspectivos. Ali repousam muitas pessoas. Jovens, idosos, homens e mulheres. Histórias interrompidas em diferentes momentos, mas que convergem para o mesmo destino.
A morte é uma realidade comum a todos nós. Um dia, cada um ocupará o seu lugar na memória daqueles que permanecerem.
Enquanto temos vida, porém, ainda podemos escrever. Podemos amar, trabalhar, aprender, ensinar, criar memórias, alimentar um blog e construir algo que sobreviva à nossa passagem.
A vida não nos pede perfeição. Pede movimento.
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