Envelhecimento, fato que não se pode fugir 02/10

  Envelhecimento

Ontem, ao chegar ao meu “segundo emprego” (risos) — um lugar onde faço um adendo, ajudando nas correrias de uma faculdade EAD — me deparei com uma cena interessante.

Havia uma abelha sobre a mesinha do computador, próxima ao teclado. Estava imóvel. Observei por alguns instantes e percebi que ainda estava viva. Fui até o bebedouro, peguei um copo plástico e, com o auxílio de uma folha de sulfite, a coloquei ali dentro.

Ela parecia fraca, moribunda. Comecei a imaginar o que poderia ter acontecido: será que havia picado alguém e estava próxima da morte? Ou já estaria velha demais para sustentar o próprio voo?

Levei-a até alguns arbustos e a soltei, numa tentativa de lhe dar uma sobrevida — ou, ao menos, permitir que encontrasse um fim mais natural, talvez servindo de alimento para alguma formiga atenta.

E então volto ao tema.

A vida daquela abelha é curta: cerca de seis semanas. Se um ser humano cuida da própria saúde, busca viver bem e chega às suas aproximadamente 4.480 semanas, alcança algo em torno de 86 anos.

Assim como aquela abelha, que nasce sem saber que faz parte de um sistema, nós também somos assim. Chegamos a um mundo que já estava pronto. Ela voa com uma aparente liberdade, mas inevitavelmente retorna à colmeia para cumprir seu papel de operária.

Eu admiro quem tenta romper essa bolha e buscar novos caminhos. Mas, em qualquer mundo que se escolha viver, ainda assim estaremos inseridos em algum sistema. Nós, aqui no Brasil, temos o nosso. Um indiano, na Índia, terá o dele. E assim seguimos, cada um dentro de sua própria estrutura.

Até que chega o momento em que o corpo fraqueja.

Outro dia, em uma das atribuições do meu trabalho, fui realizar verificações em um hospital já bastante obsoleto. Na enfermaria, havia apenas idosos. Alguns tinham a sorte de contar com uma filha atenciosa ao lado. Outros, não.

Depois de tantas divagações, retorno ao ponto central desta crônica:

O envelhecimento é um fato do qual não se pode fugir.




Vamos viver dia 28 de Abril de 2026, uma Terça Feira Única.



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